Fãs louvam o deus Ozzy

Em show de hits, pacote básico de Black Sabbath agradou exigentes

Por Paulo Terron Publicado em 06/04/2008, às 17h02 - Atualizado em 09/04/2008, às 11h36

Ozzy, em SP: tudo para agradar os fãs
Marcos Hermes/Divulgação

Os tempos definitivamente são outros. Se no sábado Ozzy Osbourne subiu ao palco montado no Parque Antártica vestindo preto é, provavelmente, para disfarçar a barriguinha - e não para se integrar à multidão dedicada ao heavy metal que lotava o lugar.

Sabe como todo artista promete "nunca mais demorar tanto assim para voltar ao Brasil"? O ex-vocalista do Black Sabbath fez a mesma coisa, mas no caso dele dá até para acreditar. Por aqui os fãs são claramente mais dedicados à carreira solo do lendário mordedor de morcego. Por exemplo: a única música pedida em coro foi "No More Tears" (do álbum de mesmo nome, lançado em 1991).

E se o público quer, por que não dar? Vieram "Bark at the Moon", "Crazy Train", "I Don't Know", "Mama, I'm Coming Home", "Mr. Crowley", "Suicide Solution", "Road to Nowhere"& Até a quantidade de faixas do mais recente Black Rain (2007) foi moderada e não chegou a atrapalhar (a maior prova disso foi um tiozão colando em mim durante a balada genérica "Here For You" e gritando na minha orelha: "Doida essa balada, né?").

Os hits - e só eles - do Black Sabbath serviram mais para pontuar o show. Estava lá o pacote básico: "Paranoid", "War Pigs", "Iron Man". O suficiente para agradar os mais exigentes. E por falar em exigência, a banda de apoio de Ozzy não faz feio: os fiéis Mike Bordin (ex-baterista do Faith No More) e Zakk Wylde (guitarrista do Black Label Society, cujas mãos sangraram sem parar durante o set) foram acompanhados de Blasko (ex-titular do baixo de Rob Zombie).

Sabe aquele clichê de "sobrevivente do rock"? Ozzy Osbourne é exatamente isso. A voz pode falhar, e o peso, aumentar. Mas os fãs entendem a importância histórica (e afetiva) e não dão a mínima. Faz parte do rock'n'roll.