FBI acusa Coreia do Norte formalmente pelo ataque à Sony

Segundo comunicado, “as ações do país asiático tiveram a intenção de suprimir os direitos dos cidadãos norte-americanos de se expressarem”

Redação/Rolling Stone EUA Publicado em 19/12/2014, às 16h32 - Atualizado às 16h57

A Entrevista

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Após novas análises, o FBI culpa a Coreia do Norte pelo ataque hacker à Sony Pictures. De acordo com o The New York Times, as acusações foram formalizadas nesta sexta, 19, pela administração do presidente Barack Obama.

10 estrelas da música que cantaram para ditadores.

Para o FBI, o país asiático esteve por trás do ataque devastador – que provocou o vazamento de filmes inéditos e diversas trocas de e-mails pessoais –, de acordo com comunicado divulgado. “As ações da Coreia do Norte tiveram a intenção de causar um incalculável prejuízo aos negócios dos Estados Unidos e suprimir os direitos dos cidadãos norte-americanos de se expressarem.”

“Tais atos de intimidação ultrapassam a fronteira do estado de comportamento aceitável”, segue o comunicado. O FBI também afirma que já teve evidências suficientes que comprovam a ação da Coreia do Norte, como as similaridades do ataque à Sony com outras “atividades cibernéticas” que estão conectadas ao país asiático, segundo o NYT.

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Recentemente, a Sony decidiu cancelar a estreia nos cinemas de A Entrevista – filme sobre jornalistas que recebem a missão de assassinar o ditador norte-coreano Kim Jong-un – que aconteceria em 25 de dezembro nos Estados Unidos, após ameaças terroristas. No Brasil, o longa-metragem também foi suspenso.

O NY Times informa que o ataque hacker, que levou ao vazamento de filmes inéditos e informações das contas de e-mail de executivos, foi patrocinado. Ele foi, também, o ataque mais destrutivo já visto em solo norte-americano.

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Pesquisadores forenses da Sony estão investigando se os ataques tiveram ou não ajuda interna. “É claro que eles já tinham acesso à rede da Sony antes do ataque”, disse Jaime Blasco, um pesquisador de segurança na AlienVault, à publicação.

Esta semana também já havia sido divulgado que os hackers tinham deixado pistas. Eles utilizaram programas comercialmente disponíveis para tirar dados da rede da Sony e usaram técnicas que se assemelham às de ataques anteriores, na Arábia Saudita e na Coreia do Sul.

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Uma fonte identificada como oficial de inteligência dos Estados Unidos disse ao NY Times: “Isto foi de uma sofisticação que, se tivesse acontecido anos atrás, diríamos que estaria abaixo da capacidade da Coreia do Norte”.

Intercessão da ONU

Em julho deste ano, a Coreia do Norte fez uma reclamação formal à Organização das Nações Unidas (ONU) a respeito do filme. “Permitir a produção e distribuição de um filme sobre um chefe de Estado soberano deve ser considerado como um incentivo ao terrorismo, bem como um ato de guerra”, afirma o texto assinado pelo embaixador da Coreia do Norte na ONU, Ja Song Nam.

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“As autoridades dos Estados Unidos deveriam tomar ações imediatas e apropriadas para banir a produção e distribuição do filme, caso contrário serão totalmente responsáveis por encorajar e patrocinar o terrorismo”, acrescenta.

Em um comunicado divulgado em junho pela agência KCNA, o governo da Coreia do Norte prometeu uma “retaliação impiedosa” contra os Estados Unidos se o filme for lançado. Seth Rogen, por sua vez, fez piada com o ocorrido. “As pessoas geralmente não querem me matar por conta dos meus filmes antes de gastar US$ 12 para assisti-los”, escreveu ele no Twitter.

Veja o trailer de A Entrevista: