Fernandinho Beatbox arrisca rimas próprias em trabalho solo

Depois de anos ao lado de Marcelo D2, MC se dedica a Caminho Estreito, seu álbum de estreia

Lucas Reginato Publicado em 11/06/2012, às 19h29 - Atualizado às 19h30

Fernandinho Beatbox
Divulgação

Fernandinho Beatbox ficou conhecido ao acompanhar as apresentações de Marcelo D2 com batidas “eletrônicas” emitidas por sua própria voz. Mas cerca de dez anos após ficar em segundo plano, resolveu que era hora de aventurar-se em um trabalho solo, que recebeu o nome de Caminho Estreito e está sendo lançado pela Label A. Mais do que isso, Fernandinho foi além da técnica que já virou seu sobrenome para arriscar rimas escritas por ele mesmo. O desafio é grande, mas parece animar o rapper. “Esse disco agora é minha prioridade”, afirma.

Embora o projeto tenha chegado ao mercado só agora, a ideia já tem três anos. “Quem lida com o rap sabe a demora que causa o problema de liberação de fonogramas”, ele explica. Tendo feito as músicas há algum tempo, Fernandinho até arrisca que se as gravações acontecessem agora, o resultado poderia ser outro. “É um trabalho muito verdadeiro, mas se fosse hoje eu faria algo diferente, talvez mais dançante.”

De fato, Caminho Estreito não é um álbum feito para as pistas, mas reflete a versatilidade que o artista buscou para aprimorar sua técnica de beatbox. Em “Samba de Boca”, por exemplo, cujo clipe está disponível na internet há dois anos, é da garganta dele que saem todos os instrumentos, da cuíca ao ganzá, que dão a base para a letra composta em parceria com o produtor Renan Samam, nome frequente no álbum.

As participações especiais ainda incluem, entre outros, o cantor Seu Jorge em “Minha Mademoiselle”, o Grupo Luance em “Ê Moleque” e Pregador Luo em “Desilusão”, que Fernandinho admite ser a sua preferida. Quem também participa em uma das faixas é o MC Gigante, rapper de 11 anos que chamou atenção na internet. “O moleque é prodígio mesmo”, afirma Fernandinho, que o convidou para dividir o microfone em “Nova Escola”.

Marcelo D2, parceiro de tanto tempo, aparece exclusivamente na lista de agradecimentos. “Eu ainda vou fazer show com D2, mas já deixei todo mundo ciente que hoje a minha prioridade é meu CD. Não quero ser rotulado como ingrato e o D2 é um cara superaberto em relação a isso e me apoiou nesta decisão. Só tenho a agradecer a ele”, diz.

Talvez seja difícil, ele admite, subir no palco para defender um trabalho autoral. “Quando estou ao lado do D2, estamos falando daquilo que ele pensa. Em Caminho Estreito estão as minhas ideias. Com certeza eu vou ficar mais nervoso.” A preocupação de Fernandinho, aliás, extrapola a performance individual e aborda todo o ambiente construído para o deleite do público, comportamento que aprendeu ao dividir o palco com artistas como Kanye West e Erykah Badu. “Quero que meu show seja um espetáculo – a iluminação, o conforto, o som, tudo. Hoje talvez eu não tenha recurso para fazer esse show, mas um dia eu vou fazer.”

Toda essa expectativa deve se acumular para a apresentação de lançamento de Caminho Estreito, no qual diversas atrações especiais, como Marcelo D2, Dexter, Seu Jorge e outros que participaram das gravações, devem estar presentes. O show será realizado no Estúdio Emme, em São Paulo, no dia 20 de junho.