Fest Bossa & Jazz Pipa 2013, no litoral do Rio Grande do Norte, teve quatro dias de música em shows gratuitos

Peter “Madcat” Ruth, o guitarrista Stanley Jordan e J. J. Jackson estavam entre as atrações

Antônio do Amaral Rocha, de Tibau do Sul (RN) Publicado em 28/08/2013, às 16h24 - Atualizado às 17h15

Peter Madcat Ruth no Fest Bossa & Jazz Pipa

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A quarta edição do Fest Bossa & Jazz Pipa, realizado em Tibau do Sul, na praia de Pipa (RN), trouxe uma proposta ampliada com relação às edições passadas: misturar nomes de destaque do jazz e blues internacional a nomes já consagrados do cenário brasileiro e artistas regionais do Nordeste. Localizada a cerca de 80 quilômetros de Natal, a praia de Pipa é uma verdadeira Babel que engloba visitantes de diversas origens e que fazem ecoar os mais variados idiomas pelas ruas estreitas de Tibau do Sul. E este também é o perfil do público que acompanha o simpático festival.

Na quinta feira, 22, o evento teve inicio com o show do sexteto local Saturnino, que trouxe uma proposta de fusão de jazz-rock com música regional, esta destacada pela presença da sanfona na formação. No repertório, músicas do álbum independente Disco Avuadô, com aceitação imediata pelo público de três mil pessoas que ainda chegavam ao imenso espaço de 18 mil m2. Em seguida, a primeira atração internacional: o veterano gaitista Peter “Madcat” Ruth, acompanhado dos brasileiros Big Joe Manfra (guitarra) e Jefferson Gonçalves (gaita). Madcat alternou a gaita com o ukulele em reinterpretações de clássicos como “Ticket To Ride”, “Rollin’ & Tumblin’”, “Sweet Home Chicago” e “On The Road Again”. Com a longa cabeleira branca e ares de hippie, o músico norte-americano generosamente permitiu que os convidados brasileiros brilhassem com solos individuais. Aos últimos acordes do desfecho “Checkin’ Up On My Baby”, a chuva desabou, coincidindo com o encerramento do show.

A segunda noite, no dia 23, começou com o show do violonista espanhol Sebastián Pitré, radicado em João Pessoa. Destilando uma bela mistura de rumbas, boleros e tangos, o violão flamenco tocado de forma intensa por Pitré também não resistiu à música regional do Nordeste, tanto que a formação da banda que o acompanhou também trouxe uma sanfona. No show, temas conhecidos como “Spain”, de Chick Corea, e “Entre dos Aguas” de Paco de Lucia, além de composições próprias registradas no disco independente Flamenkinho. Mais tarde, nos bastidores, Pitré confessou ter sido um show tenso e aquém de seu próprio potencial. Mas não foi esta a percepção do público, que reagiu com empolgação à performance do músico espanhol.

De voz poderosa, Khrystal subiu ao palco em seguida. A cantora, compositora e violonista nascida em Natal fez show calcado no disco de estréia Coisa de Preto, com temas marcadamente da cultura popular e de ritmos regionais, como o coco, revestidos de uma linguagem moderna. Bem recebida, Khrystal teve a oportunidade de cantar para uma plateia numerosa, atraída pela atração principal da noite, Ivan Lins.

Acompanhado de uma banda experiente - com Marco Brito no teclado, Teo Lima na bateria, João Castilho na guitarra e Nema Antunes no baixo – o compositor carioca de 68 anos fez um show impecável. Em quase duas horas de apresentação, com o repertório decidido no palco, Lins proporcionou um desfile de hits de diversas fases da carreira, como se fosse um longo pot-pourri, com o público cantando e interagindo a todo tempo. Já no bis, cantou “E a Gente Merece Ser Feliz”, criando improvisos e propondo que o público repetisse refrãos como “ por melhor polícia, por melhor educação, por melhor política, melhor saúde, porque a gente merece se feliz”. No desfecho, outra presença constante de todos os shows de Lins, “Madalena”, em uma festiva versão “para cantar junto”.

O festival prosseguiu no sábado, 24, com o violão e piano do duo Taufic, o jovem guitarrista de blues Artur Menezes e a aguardada a apresentação do guitarrista Stanley Jordan, acompanhado de uma banda brasileira (Mamão na bateria e Dudu Lima no baixo). E no domingo, 25, a maratona de quatro dias foi encerrada com os shows da cantora santista Babi Mendes, da banda pernambucana Saracotia, de Gustavo Cocentino & Blue Mountain e o encerramento, com o veterano bluesman norte-americano J. J. Jackson.