Festa do lugar-comum

Comédia Projeto X - Uma Festa Fora de Controle, que estreia nesta sexta, 16, tem clichês além da conta

Gus Lanzetta Publicado em 16/03/2012, às 16h11 - Atualizado em 17/03/2012, às 20h25

Projeto XX
Divulgação

Um grupo de amigos dando uma festa para tentar conseguir sexo e popularidade – isso já foi feito em Superbad. Filmar os adolescentes no estilo found-footage, no qual a câmera está inserida no universo do filme – já vimos em The Virginity Hit. Incontáveis comédias já utilizaram a premissa de “adolescente dá festa enquanto os pais viajam”. A carreira do produtor Todd Phillips – que dirigiu os dois Se Beber, Não Case – se resume à repetição de temas parecidos: mostrar os protagonistas ficando bêbados, rodeados de farra e mulheres seminuas. No novo filme produzido por ele, Projeto X - Uma Festa Fora de Controle, que estreia nesta sexta, 16, tudo é reciclado em torno dessas ideias de roteiro. Até o título original, Project X, é o mesmo de Projeto Secreto – Macacos, filme de 1987 com Matthew Broderick.

O protagonista vivido por Thomas Mann é um clichê que o próprio ator já interpretou em um filme muito melhor (Se Enlouquecer, Não Se Apaixone): o do jovem sem motivos para ser infeliz que, como todo adolescente, eleva seus dramas pessoais à enésima potência por não haver muito mais que lhe interesse no mundo... a não ser garotas.

Os dois companheiros do rapaz são J.B. (Jonathan Daniel Brown), que não apresenta muita personalidade e parece estar mais cumprindo o papel de “perdedor” dentro de um grupo de “perdedores”, e Costa (Oliver Cooper), que arma a festa do título e fala obscenidades que chocam e cativam o público (um tipo recentemente popularizado por Jonah Hill).

Passar a maior parte do filme dentro da festa é uma escolha que faz sentido. A trilha sonora triunfa ao reunir músicas de diversos artistas e décadas para criar uma playlist que perdura na cabeça por muito tempo depois dos 88 minutos de fita. Mas, embora animada na tela, a festança tem diferentes efeitos em quem está no cinema, encarando um refrigerante aguado e o fundo de um balde de pipoca. O longa não consegue tornar o evento tão divertido para o espectador quanto parece ser para os personagens.

Ainda assim, há de se dar crédito para a escolha do roteiro de levar a festa titular a extremos. Seria muito fácil desapontar o público com um título que promete uma “festa fora de controle”. Mesmo em meio a tantos pontos negativos e ao excesso de lugares-comuns, a trama dá conta de temperar a folia com caricaturas interessantes e atos absurdos, mas totalmente plausíveis dentro do universo etílico e imaturo da história.

Nima Nourizadeh, escolhido para dirigir o filme por seu trabalho em comerciais da adidas ambientados em festas, fez o que pôde dentro das constrições do formato “câmera na mão” e, totalmente em formato digital, capturou bem o clima quase claustrofóbico de um evento como aquele. Nourizadeh não é, no entanto, um diretor muito familiarizado em fazer comédias, o que fica claro nas cenas fora da festa, onde tudo parece familiar demais, como se ele estivesse tomando o caminho mais seguro e menos original de filmar cada sequência.