Rolling Stone Live em parceria com a West Coast, em São Paulo, reúne diferentes vertentes do rock and roll

Volver, Macaco Bong e Black Drawing Chalks se apresentaram no evento

Lucas Reginato Publicado em 11/07/2013, às 02h34 - Atualizado às 20h33

Três bandas se apresentaram na festa Rolling Stone Live em parceria com a West Coast na noite desta quarta, 10: Volver, Macaco Bong e Black Drawing Chalks (foto).

Ver Galeria
(9 imagens)

Aconteceu durante a fria noite desta quarta, 10, em São Paulo, a festa Rolling Stone Live em parceria com a West Coast, no Cine Joia. O evento, que teve início por volta das 22h, reuniu não só entusiastas do rock and roll como diferentes vertentes do estilo vindos de variados estados do Brasil. As apresentações de Volver, Macaco Bong e Black Drawing Chalks mostraram quão ampla são as possibilidades de uma banda e ofereceram ao público um cardápio musical vasto.

Clique aqui para ver mais fotos da festa.

Volver

Veio de Recife a primeira atração da noite. O Volver estreou as potentes caixas de som do Cine Joia com “Amargo” e mostrou que não é porque a música vem do berço do manguebeat que tem que ser regional. “Mangue Beatle”, uma provocação ao estilo do conterrâneo Chico Science, esclarece esta questão. “Eu não sou um caranguejo”, diz o vocalista Bruno Souto junto aos primeiros acordes da canção.

Além das duas primeiras, foram outras as faixas saídas de Próxima Estação, o mais recente trabalho da banda. “Mallu”, por exemplo, eleita uma das melhores canções do ano passado pela Rolling Stone Brasil, apresentou ao público a personagem que “quer ser mulher e não tá para brincadeira”. Sem estripulias, o Volver pareceu estar sempre de pés no chão, determinado a fazer-se entender pela plateia.

Macaco Bong

Foi grande a diferença entre a primeira e a segunda atração da noite. O público percebeu isso com o choque que levou quando entrou no palco o Macaco Bong, banda de Cuiabá que no ano passado lançou This is Rolê. A calma pernambucana deu espaço para a inquietude instrumental dos músicos capitaneados pelo guitarrista Bruno Kayapy, que não mede esforços para mostrar o talento que esbanja com o instrumento nas mãos.

A banda recentemente passou por uma reformulação e agora Kayapy é acompanhado pelo Skrotes, grupo que tem criatividade para além do divertido nome. Com som sujo, o Macaco Bong se divertiu no palco do Cine Joia e explorou possibilidades e talentos dos integrantes. A guitarra, claro, é a grande estrela, mas dá espaço para que em momentos o teclado ou o baixo também se sobressaiam. O resultado é uma rica variação de texturas e ritmos que afasta qualquer monotonia que por vezes possa ser (erroneamente) ligada à música instrumental.

O show teve encerramento com “Maré de Farofa”, uma música provocativa, cheia de surpresas, e “Dedo de Zombie”, que encerrou o show assim como finaliza This is Rolê. Antes de sair de cena, Kayapy brincou com o equipamento eletrônico que o cercava e conseguiu fazer música apenas a partir do manuseio do amplificador, em demonstração de aptidão reconhecida pelo público que aplaudiu o feito.

Black Drawing Chalks

Depois de dois shows, quem ainda guardava energia foi recompensado com o som pesado do Black Drawing Chalks, banda vinda de Goiânia que pôde mostrar desde canções do primeiro disco, Big Deal (2007), até composições mais recentes, inclusas no álbum No Dust Stuck On You, lançado no ano passado.

Entrosado, o quarteto não poupou decibéis. O baterista Douglas de Castro, sempre firme, não deixou cair o compasso acelerado do rock and roll e foi respondido prontamente pelos companheiros. Riffs e solos bem ensaiados se sobrepuseram faixa a faixa em uma evolução contagiante com os guitarristas Victor Rocha, também vocalista, e Edimar Filho, o mais recente integrante do grupo, além do animado baixista Denis de Castro.

O Black Drawing Chalks mostrou sonoridade bem distinta daquilo que apresentaram Volver e Macaco Bong – três grupos completamente diferentes: prato cheio para os fãs de rock and roll.