Festival do Rio 2012: Holy Motors questiona quantas vidas cabem dentro de uma pessoa

Com Eva Mendes e participação de Kylie Minogue, o filme debate algo abstrato de forma prática e simples

Paulo Gadioli, do Rio de Janeiro Publicado em 06/10/2012, às 11h25 - Atualizado às 11h37

Kylie Minogue
Reprodução

Ao abordar temas complexos, muitos cineastas criam filmes herméticos, destinados a uma pequena parcela disposta a decifrar os enigmas propostos na tela. Holy Motors, porém, debate algo abstrato de forma prática, simples. Sem precisarmos fazer muito esforço, somos convidados a entrar no maravilhoso mundo criado pelo cineasta francês Leos Carax. Nele, as aparências nunca são o que indicam.

Entrevista: Kylie Minogue fala sobre Holy Motors e dos 25 anos de carreira.

O longa mostra um dia na vida de um homem sem nome. Ou melhor, de muitos. No decorrer das horas, ele passa de senhor de negócios a pedinte, dublê de cinema e até mesmo louco desvairado perambulando pelas ruas de Paris. Em comum, o rosto sob as fantasias, maquiagens e perucas. Não sabemos, na verdade, quem é ele. Nem o próprio personagem parece interessado em saber.

Leos Carax e Kylie Minogue falam sobre como se encontraram e da oportunidade de trabalharem juntos.

São apresentados, então, debates universais da existência humana: quem somos, quem gostaríamos e aparentamos ser ao longo da vida. No decorrer da trama, a questão torna-se ainda mais extensa: será esta apenas uma preocupação da mente humana, ou um ciclo de infinito que envolve até objetos supostamente inanimados?

Por vezes insano e ousado, ainda assim simples e direto, o filme de Carax é incômodo. Gráfico. Não hesita em mostrar nudez e, para arrebanhar o espectador acostumado ao comercial, traz Eva Mendes como um dos trunfos. O estranhamento de ver a atriz, conhecida pelos seus blockbusters, sendo lambida por um mendigo caolho de unhas compridas vestido de verde deve tirar o espectador de sua zona de conforto.

Kylie Minogue, também, tenta redimir seu péssimo histórico no cinema com uma breve participação no longa. A cantora australiana aparece pouco, mas sua personagem é importante para o desenrolar da trama. Por conta dela, outra especialista em viver diversas vidas em uma só, o protagonista encara a dura noção de não saber mais quem ele é.

Ousado e criativo, Holy Motors,. é Leos Carax no auge de sua criatividade.

Holy Motors está em exibição no Festival do Rio. Veja os horários:

Sábado - 06/10/2012 - Est Sesc Botafogo 1 – 12h

Sábado - 06/10/2012 - Est Sesc Botafogo 1 – 17h50

Segunda - 08/10/2012 - São Luiz 3 - 16h30

Segunda - 08/10/2012 - São Luiz 3 – 21h30