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Festival do Rio 2012: Marley detalha vida do gigante da música

Documentário apresenta Bob Marley como um personagem passível de crítica

Paulo Gadioli, do Rio de Janeiro Publicado em 05/10/2012, às 15h52 - Atualizado às 15h59

Marley
Reprodução

Ao encarar a árdua tarefa de fazer um documentário sobre Bob Marley, o experiente Kevin MacDonald enfrentou vários problemas. É impossível, por exemplo, falar do cantor jamaicano sem ao menos esbarrar em temas como o surgimento do ska e do reggae na Jamaica, a situação política do país, os rastafári, a maconha, o amor pelo futebol, cada um destes profundo o suficiente para ter seu próprio filme. No entanto, o diretor conseguiu driblar as adversidades e apresenta em Marley um interessante compilado da vida do artista.

Tudo começa no vilarejo de Saint Ann, onde um detalhe crucial da vida de Marley é apresentado. Filho de uma jamaicana com um inglês, ele era constantemente provocado na escola por, segundo a palavra dos próprios entrevistados, “ser branco demais”. Como o próprio astro dizia, ele não estava nem do lado dos negros, nem dos brancos. Daí surgiu a centelha desta integração racial que mais tarde se tornaria tão marcante em sua obra.

Para comentar a ascensão de Bob, foram chamados profissionais que de fato atuaram com ele naquele período, não fãs e entusiastas, como é comum em documentários desse tipo. As declarações de membros do pessoas como Peter Tosh e Lee “Scratch” Perry são essenciais para entender a trajetória do músico, que passou de desconhecido a líder espiritual para milhares e milhares de pessoas. Contrastando o público com o pessoal, Cedella e Ziggy Marley, filhos de Bob, contam suas experiências com o pai sério e ausente.

Entre declarações, depoimentos e canções ao vivo, o próprio Bob Marley aparece por meio de entrevistas de arquivo. Estas, inclusive, eram escassas, trazendo ainda outro problema ao diretor. É mais fácil exemplificar ideias quando elas saem direto da boca do personagem. Foram selecionadas, então, falas cruciais, inclusive o belo diálogo que encerra o longa.

Sendo obrigado a apenas pincelar superficialmente diversos assuntos, algumas partes importantes da vida de Bob Marley, como seus diversos relacionamentos fora do casamento, acabaram recebendo o mesmo tratamento. Porém, o diretor não deixa de as abordar, tornando seu personagem passível de crítica, algo que muitos documentaristas, ao se encantarem com o que estão discutindo, não fazem.

Polêmicas, problemas pessoais e boatos pouco importam frente à mensagem que o cantor transmite por sua música e MacDonald, por tabela, apresenta em seu filme. Obrigatório para qualquer fã de música.

Sexta - 05/10/2012 - Est Sesc Ipanema 1 - 19h15

Quinta - 11/10/2012 - Est Sesc Botafogo 1 - 15h