Festival do Rio 2013: Woody Allen comanda uma devastadora Cate Blanchett em Blue Jasmine

Primeiro trabalho da dupla é um denso drama que lembra os melhores momentos do cineasta

Paulo Gadioli, do Rio de Janeiro Publicado em 04/10/2013, às 14h00 - Atualizado às 14h16

Blue Jasmine
Reprodução / Facebook oficial

A bem-sucedida e extensa carreira de Woody Allen já teve muitas musas. De Diane Keaton a Mia Farrow, passando mais recentemente por Scarlett Johansson, belas mulheres inspiraram e protagonizaram alguns dos melhores trabalhos do nova-iorquino. Em Blue Jasmine, o cineasta parece resgatar o encantamento de antigamente e, ao trabalhar pela primeira vez com a excepcional Cate Blanchett, cria um drama balanceado com humor, digno de seu melhor período.

O longa tem Blanchett interpretando Jasmine, mulher casada com um rico investidor, personagem de Alec Baldwin. Frequentadora dos altos círculos da sociedade, ela se depara com um choque de realidade quando os roubos e ilegalidades cometidas por seu marido são descobertos. Assim, ela é forçada a ir viver com sua irmã, Ginger, em São Francisco, para tentar colocar sua vida no lugar.

Ao chegar na cidade, porém, o cenário começa a piorar, já que quando estava cheia de dinheiro, Jasmine sentia certa vergonha da irmã e de seu marido, vividos por Sally Hawkins e Andrew Dice Clay, respectivamente. Quando ela deixa a vida de excessos por uma não de pobreza, mas de maior simplicidade, tudo parece o inferno e a perda máxima de dignidade.

O longa é sutil em mostrar a descida da personagem à loucura causada pelo que, inicialmente, parece ser apenas a falta de dinheiro. Flashbacks aos poucos vão revelando mais motivos, sugerindo que todos ao redor da personagem parecem ter um certo ressentimento. Aos poucos, a própria Jasmine começa a abraçar esse sentimento enquanto a batalha por uma vida nova parece cada vez mais perdida.

A personagem tenta. Vai a festas, conhece gente nova. O passado, no entanto, sempre aparece para assombrá-la, seja com o marido infeliz de sua irmã ou o filho que escolheu desaparecer. Allen é extremamente cruel com seu personagem. Blanchet recebe o fardo e transmite cada uma das nuances e emoções de Jasmine neste que é um retorno de Woody Allen à forma.

Mesmo lançando praticamente um filme por ano há mais de quatro décadas, Woody Allen continua com fôlego para ironizar e atacar Wall Street e o fútil mundo regido pelas aparências e pelo dinheiro.

Confira os horários de exibição de Blue Jasmine no Festival do Rio:

Sexta,4/10, às 14h e às 19h, no Leblon 2

Quinta, 10/10, às 15h40 e às 22h10, no Estação Vivo Gávea 5

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