Festival drive-in? Cantor narra experiência de tocar para pessoas dentro de 500 carros

Músico teve ideia depois de shows serem cancelados devido à pandemia de coronavírus

Redação Publicado em 06/05/2020, às 19h09

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Mads Langer em show drive-in na Dinamarca (Foto: Reprodução / Instagram)

Devido à pandemia de coronavírus, eventos e shows foram cancelados em diversos países. No entanto, na cidade de Aarhus, na Dinamarca, Mads Langer encontrou uma solução curiosa para quem quer mesmo assistir algum músico ao vivo: shows drive-in.

O cantor realizou a ideia inusitada no final de março. Anunciou a venda de 500 ingressos seis dias antes do evento - e vendeu todos. Os shows foram apresentados com Langer no palco, e os carros estacionados em um campo, com distância de 1,5 metros um do outro, como orientação da OMS.

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O som, assim como em um cinema drive-in, ficou na rádio FM de frequência mais baixa. Para maior interação, Langer disponibilizou uma sala no Zoom para imagens e conversa. 

As autoridades locais gostaram do resultado, e o próprio cantor narrou a experiência de tocar para pessoas dentro dos carros.

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Leia trechos do relato feito por Langer ao site NME:

"Quando o dia se aproximava, eu estava ficando muito nervoso, porque realmente não sabia como me preparar para esse show. Eu fiz muitos shows na minha carreira até agora, mas essa foi realmente foi uma primeira. Eu não sabia o que esperar. No final, o show não foi como eu esperava.

Quando a arena estava cheia de carros, parecia um grande show normal - este é um local que normalmente recebe de 30 a 40 mil pessoas. Mas quando comecei a tocar, era completamente diferente. Porque, embora houvesse 2 mil pessoas em 500 carros, acabou sendo um ambiente extremamente íntimo. Percebi que não estava tocando para 2 mil pessoas; Estava tocando para quatro pessoas vezes 500. Eu realmente senti que estava tocando nas salas pequenas dos carros.

"Depois de eu dizer 'Olá' e tocar as duas primeiras músicas com buzinas e os limpadores de pára-brisa acenando, pensei: 'Preciso encontrar uma maneira de começar a me comunicar com eles'. Por isso, criamos uma teleconferência do Zoom na qual todos no show poderiam participar. Concertos podem ser íntimos, mas não tão íntimos. Acabou sendo uma conversa com as pessoas. Isso é algo que nunca esquecerei.

“Os regulamentos afirmavam que as pessoas podiam abrir as janelas do lado esquerdo, então estavam todas acenando para mim. Tentamos coisas diferentes para aplausos. No começo, as pessoas tocavam a buzina, mas então as pessoas começaram a sacudir os carros. Acabou sendo um momento engraçado.

O destaque do show surgiu [quando uma moça que era dançarina subiu no palco]. Fiquei feliz por ter companhia no palco. Acabou sendo um momento bonito.

Recebi um feedback muito bom, caloroso e feliz da plateia. As pessoas desejam apenas fazer outra coisa e esquecer suas preocupações por um segundo - sair e interagir com outras pessoas. Não somos feitos para nos isolar em nossas casas. Havia uma ótima atmosfera e tornou-se uma coisa mundial que as pessoas estão entusiasmadas. É lindo. Estou muito agradecido por espalhar um pouco de sol nesses tempos sombrios."

Assista:


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