Wolverine - Imortal coloca o mutante em uma jornada pelo autoconhecimento no Japão

Hugh Jackman volta a interpretar o feroz personagem, desta vez em uma aventura em busca de redenção e amor

Pedro Antunes Publicado em 26/07/2013, às 09h34 - Atualizado às 15h13

Wolverine - Imortal
Divulgação

Depois da escorregada em X-Men Origens: Wolverine, voltar a centrar uma história do mutante mais querido dos quadrinhos era um desafio arriscado que o diretor James Mangold (Garrota Interrompida) decidiu aceitar. Wolverine - Imortal faz jus à popularidade do anti-herói da Marvel e, mesmo que ainda não seja o grande filme esperado pelos fãs para este personagem, o longa que estreia nesta sexta-feira, 26, é ao menos um alento.

Tela Explosiva: Homens de ferro, aço e adamantium (você mesmo, Wolverine) lideram uma temporada que deve eletrizar o público e fazer os críticos arrancarem os cabelos.

Desta vez, o baixinho Logan (interpretado pelo grandalhão Hugh Jackman) vive uma trama bem construída, pelo menos até os últimos 30 minutos finais, nos quais tudo parece desandar em uma série de pancadarias, explosões e vilões extremamente maniqueístas. Mas, até lá, o que se tem é uma boa diversão.

Aliás, para este filme, esqueça tudo o foi visto em X-Men Origens. Mangold parte diretamente do fim de X-Men: O Confronto Final, que encerrava a trilogia principal dos mutantes lançada em 2006. Após a batalha final, Wolverine é atormentado pelo fantasma de Jean Grey, morta pelas mãos (ou melhor, garras) dele. O amor da vida do personagem surge para ele em sonhos e faz o questionar a própria imortalidade.

Graças ao fator de cura, responsável pela longevidade de Logan e por salvá-lo dos apuros mais sangrentos, Wolverine é incapaz de morrer. Ele deixa de ser o herói de 2006, vaga sem rumo e sem lugar neste mundo. Pelo menos, no lado ocidental do mundo.

Quando a japonesa Yukio (Rila Fukushima) faz um convite para ele ir ao Japão, nada mais parece manter o mutante nas gélidas montanhas que ele chamava de lar durante este período de exílio.

Conheça super-heróis que assumiram a homossexualidade nas HQs.

A história nos cinemas pega emprestada a trama da famosa história em quadrinhos de Eu, Wolverine, de Chris Claremont e Frank Miller, lançada em 1982. Entre as concessões que se deve fazer durante as adaptações, duas delas não passarão despercebidas e podem incomodar. A primeira e mais drástica mudança é o que foi feito com o personagem Samurai de Prata, transformado em um robô de quatro metros de altura, pouquíssimo explorado na telona: ele surge no fim da história, justamente quando tudo patina.

Mais sutil é a mudança no autodescobrimento do personagem. Nos quadrinhos, Logan sempre foi mais animalesco do que nas telonas. Wolverine era uma fera selvagem e sarcástica, mas foi transformado demasiadamente em bom moço para se enquadrar nos padrões hollywoodianos. A vontade de entender a própria monstruosidade e o pavio curto que o levaram ao Japão na HQ.

No longa de Mangold, tudo gira em torno da maldição da imortalidade. Ainda assim, o roteiro assinado por Mark Bomback e Scott Frank sabe desenhar uma trama interessante, capaz de colocar o personagem em frangalhos de volta aos eixos e criar profundidade nele.

Em 2009, a Rolling Stone Brasil entrevistou Hugh Jackman, que voltava a viver Wolverine.

Tudo tem início em um pequeno flashback. Wolverine é prisioneiro de guerra mantido em cativeiro próximo a Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial. Quando os aviões norte-americanos surgem no horizonte e despejam a bomba atômica, o bom-mocismo do personagem faz com que ele salve um jovem oficial japonês. É este mesmo, já à beira da morte nos anos 2010, que envia Yukio para buscar o salvador de tempos atrás.

Hugh Jackman faz um dos seus melhores trabalhos como Wolverine. A fera fora do habitat é cômica e arisca. No Japão, ele reencontra Yashida, o homem salvo da morte por ele décadas antes. É oferecido a Logan o fim da imortalidade, recusado de pronto pelo personagem e dando início à aventura nipônica. Neste meio tempo, Wolverine conhece a arisca neta de Yashida, a bela Mariko (Tao Okamoto).

A trama sobrevive a buracos no roteiro, principalmente no fim dela, quando a pancadaria dá lugar a razão. Wolverine - Imortal coloca o personagem em uma grande jornada pelo autoconhecimento, um herói durão capaz de se sacrificar por aquilo que ele julga certo. Solitário e atormentado, Logan encontra a paz os braços de outra mulher que não o fantasma de Jean Grey.

Mais importante que isso, o longa coloca o personagem de volta aos eixos e faz a ponte para o próximo filme protagonizado pelos mutantes das HQs com X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, que chega aos cinemas em maio de 2014.