Filomedusa é destaque no Jambolada

Em noite gratuita do festival, banda acreana divide atenções com o mineiro Marku Ribas

Por Bruna Veloso, de Uberlândia Publicado em 15/09/2008, às 16h39 - Atualizado em 17/09/2008, às 18h28

Carol Freitas, à frente da acreana Filomedusa

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A terceira e última noite do Jambolada, com entrada gratuita, teve como proposta lembrar as raízes do festival, no Campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia. Foi lá, há cerca de dez anos, que os criadores Alessandro Carvalho e Talles Lopes se conheceram, no curso de Ciências Sociais.

O palco sai da atmosfera quente da Acrópole para tomar uma pequena praça na UFU, rodeada por uma grande área verde - e próxima à árvore do jambolão, que deu origem ao nome do festival.

Para os organizadores, o show de domingo dá ainda mais margem para ousar na escolha dos artistas e na mistura de gêneros: teve o folk elétrico do Ophelia and the Tree, o hip hop do Renegado e os únicos representantes do samba na programação, Aline Calixto e a Eterna Chama, além da banda acreana Filomedusa - em um dos melhores shows de toda a programação - e de Marku Ribas, figura atuante no cenário soul e black da música brasileira.

Repetindo o que aconteceu nas noites anteriores, Ophelia and the Tree abriu a noite com cerca de 1h30 de atraso. Com som que remete a Belle & Sebastian, a banda tem uma boa mistura de violino e piano, somados ao vocal quase infantil de Camila Franco.

A praça não chegava a estar lotada - o público, que contou com 1.500 pessoas, se mantinha a boa distância da frente do palco, e na maior parte do tempo era possível circular sem problemas por toda a área.

Formada em 2006 em Rio Branco, no Acre, a segunda banda da noite fez uma ótima apresentação, com letras densas e uma vocalista carismática. A Filomedusa tem solos de guitarra extensos, sem serem pedantes; um baixo bem pontuado e uma bateria básica, dando espaço para a voz forte de Carol Freitas. No MySpace da banda faltou a boa "Levante", última da lista.

Na seqüência, o mineiro Renegado (segunda atração de hip-hop do festival; a primeira foi o Linha Dura, na sexta, 12) chegou saudando São Jorge. A vocalista Patrícia Lima começou cantando versos de "Jorge da Capadócia", indicando certa tensão. Mas o som do Renegado é mais permeado por reggae, ragga e suingue. O rapper conseguiu se comunicar muito bem com a platéia - e parte do mérito é dos trechos pegajosos de canções como "Do Oiapoque a Nova York" e "Mil Grau". O baixista Felipe Fantoni mandou ver no slap, ajudando a dar corpo às canções.

O grupo Eterna Chama chegou a iniciar o show, mas problemas na técnica fizeram com que a música tivesse que parar logo no início, contribuindo mais para o atraso. Quem pensou que os indies da platéia fossem torcer o nariz para o samba de raiz do grupo, enganou-se: o pandeiro e o cavaquinho da banda foram responsáveis pelo momento mais dançante da noite. Muita gente migrou para a frente do palco para escutar faixas da Velha Guarda da Portela ("Você Me Abandonou") e sambas de partido alto (a exemplo do paulistano "Não Faça Hora"). Aline só aparece na terceira música. Pequena ao circular nos bastidores, diante da platéia ganha força: a bela voz da cantora de 26 anos conquista o público, que chega a pedir "mais um" ao final do show. A platéia vaia a organização ao saber que o bis foi vetado; depois da manifestação, a banda ganha o direito de cantar um pot-pourri que incluiu o clássico "Não Deixe o Samba Morrer".

Para fechar a noite, o mineiro Marku Ribas mostra seu soul misturado a jazz e sempre erroneamente rotulado como "samba-rock". Dono de uma voz potente e com jeito malandro, Marku mostrou por que é respeitado por inúmeros artistas brasileiros. Ele passa o tempo todo sentado em um baquinho, ao violão; só deixa o posto para receber Renegado, para uma improvisação de versos. A noite termina com uma versão mais lenta de "Zamba Bem", faixa mais conhecida do cantor e hypada em clubes paulistanos. Bom final para o festival que se mantém como um dos mais variados musicalmente na cena independente.