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Formada por meninos de 8 a 12 anos, Color Killer pode não ser popular na escola, mas quer conquistar o punk

Com influências como Green Day e blink-182, os meninos são virais na internet

Yolanda Reis Publicado em 03/04/2019, às 18h14

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Color Killer (Foto: Ironbound Films / Reprodução)

Color Killer é uma banda pra lá de diferenciada. No caso deles, a agenda de shows afeta diretamente o cronograma das lições de casa. Apresentar-se em festivais de hardcore também extrapola, e muito, o horário de ir para cama. São os contras de se ter de 8 a 12 anos de idade e ter formado uma das mais interessantes bandas punk da atualidade.

Lançar discos, clipes e tocar na Vans Warped Tour (prestigiado festival de música alternativa), curiosamente, não faz de Lincoln (guitarra, 9 anos), Matt (bateria, 11), Nate (baixo, 12) e Dylan (também guitarra, 12) os garotos mais populares da escola onde estudam, em Marlborough, Massachusetts, nos Estados Unidos. Mas, eles garantem, não ligam.

“A maioria [dos nossos colegas] acham estúpido termos uma banda", revela Dylan, à Rolling Stone Brasil. "Eles só falam sobre isso quando é para falar bosta sobre a gente.”

As palavras afiadas condizem ao som dos meninos e também combinam com os cabelos coloridos de cada um deles e o visual punk. Em contrapartida, Lincoln tem o tamanho da sua guitarra, o que cria um sentimento indubitavelmente de choque e fofura.  

Grandes fãs de nomes do hardcore como Green Day, The Offspring, Dead Kennedys e Misfits, eles foram diretamente influenciados pelos pais. “Meu pai ouvia punk no carro e eu gostava. Ele me levou para ver The Descendents quando eu tinha seis anos e eu amei”, conta Lincoln, relembrando o momento que decidiu começar a tocar.

O Color Killer começou com Lincoln, Nate e Dylan se apresentando em shows de talentos na escola. Matt estava na plateia, e seu pai conversou com os outros meninos. Logo, começaram a tocar juntos. No começo, os meninos faziam covers em seu estúdio de gravação e no quintal de casa. E logo já estavam compondo as próprias canções sobre suas vivências.

Hoje, o Collor Killer tem diversas músicas originais e já lançaram o primeiro álbum, Generation Z, e trabalham em um segundo (que já tem um single, “California”).

As letras são criadas pelos próprios integrantes, às vezes com o auxílio de Jay Prozac do The Prozacs e Walt Lab, que também cuida das gravações, e têm teor infantil, mas mostram um humor ácido e rebeldia. "Matt Doesn’t Like Me", por exemplo, fala de um valentão e as maneiras encontradas para enfernizar a vida dos meninos. "Go To Bed" mostra a indignação de ter que ir dormir às nove da noite e não poder se divertir a noite toda, e "Nuttin’ For Christmas" fala sobre ficar sem presentes no natal por não ser um bom menino.

Os pequenos vão, pouco a pouco, conquistando espaço. O vídeo de "Down With Winter", um dos singles da banda, conseguiu mais de 1 milhão de visualizações no Facebook em menos de duas semanas, e mais alguns milhares no YouTube. Billie Joe, do Green Day, ajudou na fama viral dos meninos ao compartilhar um vídeo deles fazendo um cover da banda. 

Em 2018, foram convidados para tocar no Vans Warped Tour, um dos maiores festivais de rock alternativo do mundo. “Quando meu pai me contou, eu não acreditei. A gente ficou animado, mas recebemos o convite em janeiro e não pudemos dizer nada até março! Não tocamos num dos palcos principais, mas tivemos uma plateia enorme. Foi bem engraçado, porque tinha um mosh acontecendo, e meu vô ficou preso no meio. Tiveram que reforçar a segurança no palco”, contou Nate.

O Color Killer fez história no festival por ser a banda mais nova a se apresentar por lá. Possivelmente, eles serão a banda mais nova de qualquer festival por alguns anos, inclusive. “A gente sempre é a banda mais nova, então não foi muita novidade”, brincou o baixista.

Os meninos se preparam para estrelar Color Killer Save Punk, do Ironbound Films, um documentário mostrando a carreira das crianças. Eles arrecadaram US$ 40 mil pelo Kickstarter, site de "vaquinha virtual", e pretendem lançar o filme ainda em 2019.

O Color Killer, contudo, não ficou impressionado com as filmagens - na verdade, os guris acharam bastante irritante ter câmeras para todos os lados. A exceção é Lincoln, que se divertiu ao brincar com as câmeras.

Ouça “Michael Doesn’t Like Me”: