Gal Costa imita Tim Maia e canta "Gabriela" em São Paulo

Cantora mostrou o repertório da turnê do disco Recanto neste sábado, 22, na capital paulista

Guilherme Bryan Publicado em 23/09/2012, às 12h05 - Atualizado em 24/09/2012, às 11h04

Gal Costa - Recanto
Reprodução

Com a casa de shows paulistana Via Funchal praticamente lotada e acústica perfeita, a cantora Gal Costa apresentou, na noite deste sábado, 22, como parte do projeto Mulheres do Brasil, o repertório de seu álbum mais recente, Recanto, formado exclusivamente por composições de Caetano Veloso. Ela também relembrou grandes sucessos de seus mais de 40 anos de carreira e encerrou com "Modinha para Gabriela", a qual pediu para incluírem no roteiro do show muito em função do remake exibido atualmente pela TV Globo. Não bastasse isso, ela interpretou "Um Dia de Domingo", dueto gravado com o cantor Tim Maia, tratando de, nas partes dele, imitar alguns trejeitos da voz extremamente grave do cantor.

O show começou pontualmente às 22 horas e durou cerca de uma hora e meia, incluindo o bis. A primeira canção foi "Da Maior Importância", de Caetano, que Gal Costa interpretou sentada em um banquinho, vestindo um discreto e elegantíssimo vestido preto. Ela foi acompanhada por Domenico Lancellotti (bateria e MPC), que canta um funk em "Miami Maculelê”, Bruno Di Lullo (baixo) e Pedro Baby, que realiza um delirante e potente solo de guitarra em "Vapor Barato", que a cantora termina imitando com a boca os sons de um possível trompete imaginário.

Além de "Um Dia de Domingo" e "Vapor Barato", outros sucessos da carreira são lembrados nesta nova roupagem eletrônica, que é a base de Recanto. Foi o caso de "Folhetim", de Chico Buarque; "Barato Total", de Gilberto Gil; "Deus é o Amor", de Jorge Ben Jor; "Baby"; "Minha Voz, Minha Vida"; "Divino Maravilhoso", com a cantora de pé, dançando; e "Dom de Iludir" (as quatro últimas são de Caetano).

Do novo álbum, chamaram atenção a bossa nova "Mansidão", a melancólica "Tudo Dói", "Recanto Escuro" e "Cara do Mundo". Já o bis foi marcado por três clássicos inquestionáveis: "Força Estranha", em uma interpretação emocionante, "Meu Bem, meu Mal", com Gal Costa completamente charmosa, dançando, fazendo gestos de acordo com a letra e animando a plateia, e a já citada "Modinha para Gabriela".

Sem grandes recursos cenográficos, o que chamou atenção no show foi a posição dos músicos e da cantora no palco, de modo a ocupá-lo totalmente, e a exuberante iluminação, que se valeu de grande variação no uso das cores, muitas vezes durante a mesma canção. Por exemplo, em "Neguinho", uma das melhores canções de Recanto, enquanto os músicos são iluminados de cor de rosa, Gal Costa é refletida apenas com uma luz branca. Já em "Vapor Barato" há um predomínio da luz branca, que é substituída pela vermelha no refrão.

Conversando pouco com a plateia, elogiando o ótimo som e brindando com água, Gal Costa comprova novamente porque é um dos nomes mais importantes da música brasileira. Sua voz ocupa todos os espaços com uma vibração inacreditável. Extremamente afinada, ela brinca com a própria voz, tanto nos agudos como nos graves, e parece nunca se cansar, a ponto de só tomar os primeiros goles de água lá pela terceira ou quarta canção. Nesse sentido, destaque para a direção do show (também de Caetano), que, em vez de valorizar pirotecnias e cenários mirabolantes, faz com que todos os aspectos do espetáculo estejam voltados para a valorização do que a artista tem de melhor: a voz e a extrema elegância.