Gene Simmons: “O rock já está morto. Ele foi assassinado”

Baixista do Kiss cita o compartilhamento de dados como responsável pelo fim do gênero musical

Rolling Stone EUA Publicado em 08/09/2014, às 17h26 - Atualizado às 18h37

O Kiss já tinha se apresentado em Porto Alegre esta semana e ainda passa pelo Rio neste domingo, 18

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Neil Young um dia cantou “Rock ‘n’ Roll can never die” (“O rock and roll não pode nunca morrer”), mas, de acordo com Gene Simmons, o rock and roll já está morto. O baixista do Kiss declarou, em entrevista ao Esquire, que “o rock está finalmente morto”. Ele ainda disse: “A morte do rock não aconteceu por causas naturais. O rock não morreu de velhice. Ele foi assassinado”.

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Simmons, entretanto, não culpou a grande miscelânea de gêneros musicais ou a falta de habilidade dos roqueiros. Para ele, o assassino do rock é o compartilhamento de arquivos e o fato de que ninguém dá valor à música – “não o suficiente para pagar por ela”, diz.

“É muito triste para as novas bandas. Eles simplesmente não tem chance. Se você toca guitarra, é quase impossível”, diz Simmons ao filho dele, Nick, que o entrevistou para o Esquire. “É melhor você nem aprender a tocar uma guitarra ou a compor músicas. Apenas cante no chuveiro e faça testes para o The X Factor. E não estou xingando o The X Factor ou os cantores pop. Mas onde está o novo Bob Dylan? Onde estão os novos Beatles? Onde estão os compositores? Onde estão os criadores? Muitos deles agora tem que trabalhar nos bastidores, se apoiando em produções com caráter pop para poder escrever as coisas das quais gostam”.

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Simmons ainda diz que o período entre 1958 e 1963 foi o auge da música e que ele poderia nomear centenas de ícones daquela época. Desde então, o baixista aponta duas bandas como as únicas que carregam o espírito de uma era: o Nirvana e, surpreendentemente, o Tame Impala, o qual Simmons tem ouvido graças ao filho.

“A arte já era. E isso é o que, em parte, a tecnologia tem nos trazido”, diz o baixista do Kiss. “Qual é o próximo Dark Side of the Moon? Agora que a indústria de discos sobrevive com dificuldade, eles não teriam a chance de fazer algo como aquilo. Há uma razão para que, além dos usuais gigantes do top-40, parte dos maiores grupos em turnê são velhos, como eu”.

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Simmons, então, aponta para quem ele suspeita ser o assassino do rock: “Sinto que o compartilhamento de arquivos começou predominantemente com jovens de uma classe média branca, que se viram no direito de ter algo de graça, porque é assim que eles foram acostumados. Se você acredita no capitalismo – e eu acredito no capitalismo de livre mercado – então o outro modelo é um caos. Ele destrói a estrutura”.

Talvez decepcionado por não ser citados como “ícones” como o Nirvana e o Tame Impala, o Foo Fighters, no perfil deles no Facebook, compartilhou a entrevista de Simmons, acrescentando: “Não tão rápido, Sr. ‘God of Thunder’...”. Dave Grohl e companhia se esforçarão para desenterrar e ressuscitar o rock com o próximo disco deles, Sonic Highways, que sai em 10 de novembro.