Guns N' Roses leva 38 mil fãs ao Parque Antártica, em São Paulo

Banda liderada por Axl Rose atrasa novamente, mas satisfaz fãs com clássicos de sua carreira

Por Patrícia Colombo Publicado em 14/03/2010, às 20h54

Axl Rose destilou hits e músicas do disco Chinese Democracy em São Paulo

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Atualizada às 20h54

Cerca de 38 mil pessoas lotaram o Palestra Itália, em São Paulo, na noite deste sábado, 13, para assistir ao show do Guns N' Roses. A apresentação teve ingressos esgotados, palco composto por efeitos tecnológicos dos mais diversos, clássicos e um Axl Rose que relembrou, junto aos fãs, os tempos áureos de sua banda - mesmo sendo o único integrante pertencente à formação original -, sem deixar de lado as faixas que integram o disco Chinese Democracy, lançado em 2008.

A noite gringa teve início com um empolgado Sebastian Bach (que assumiu o palco após os shows das bandas brasileiras Rock Rocket e Forgotten Boys), que, para aquecer o público, tocou músicas de sua carreira solo e do Skid Row, grupo do qual fez parte. Em diversos momentos arriscou no português, falando "Te amo, Brasil!", além de contar sobre Angel Down (2007), seu último disco, cuja capa estampava um enorme pano ao fundo do palco. Quando o público gritava seu nome, o roqueiro retribuía com "São Paulo! São Paulo!".

Sebastian se apresentou por mais de uma hora. Ao longo de seu show, provocou a plateia perguntando: "Vocês gostam de Guns N' Roses? Gostam de Axl Rose?". Logicamente, os presentes correspondiam de forma positiva. Às 23h10, o cantor deixou o palco. Apesar de ter satisfeito grande parte do público, este, na verdade, aguardava ansiosamente por Axl e companhia, apresentação que só conseguiram assistir mais de uma hora depois, quando o vocalista deu passos que demonstravam confiança em direção ao palco, trajando um casaco prateado, calça jeans, chapéu e óculos escuros. O relógio marcava 0h35 (o atraso também fez parte das apresentações de Brasília e Belo Horizonte) e era hora do Guns N' Roses.

"Chinese Democracy" abriu a apresentação e, pouco após seu início, foi interrompida por um "Para! Para!", dito pelo vocalista. A culpa, na verdade, foi de um fã que arremessou bebida no palco, acertando o cantor e provocando sua ira - por um momento o clima de "Será que ele vai cancelar o show?" ficou no ar. "Se quiserem, paramos e vamos embora", disse Axl. "Não preciso de babacas como tivemos na outra noite naquela boate", continuou, referindo-se à pancadaria na Disco, na última quinta, 11, assunto que ainda seria retomado por Rose momentos mais tarde durante o show. Após o incidente, a banda retomou a música e deu sequência com o clássico "Welcome to the Jungle", recebido com satisfação comprovada pelos gritos do público. Se, para muitos fãs, o show havia começado para valer com a bronca do vocalista - já que a postura é tida como digna de um ídolo do rock para muitos dos admiradores do Guns -, para outros teve início, então, com o indefectível chamado "You know where you are? You're in the jungle, baby", dito por Axl.

A apresentação que integra a Chinese Democracy World Tour predominantemente mesclou sucessos de Appetite for Destruction, clássico álbum de 1987, e faixas que compõem o mais recente disco. O vocalista trocou o figurino diversas vezes ao longo do show. Durante as músicas, nos momentos em que não cantava, retirava-se do palco, atitude que, além de contribuir um pouco para seu descanso, dava destaque aos integrantes da banda, cuja formação atual conta com Tommy Stinson (baixo), Chris Pitman (teclado e baixo), Frank Ferrer (bateria), Dizzy Reed (teclados), Richard Fortus, Bumblefoot e DJ Ashba (nas guitarras). Alguns destes, aliás, tiveram destaque durante a noite, realizando, nos intervalos entre as músicas, solos que iam de "Ziggy Stardust", de David Bowie, ao tema da Pantera Cor-de-Rosa, de Henry Mancini.

Axl pode não ter mais seus vinte e poucos anos, mas ainda consegue segurar suas apresentações. Pelo menos, foi o que exibiu na noite deste sábado, 13. Sua voz, sobretudo da metade para o final da apresentação, pode até ter demonstrado rouquidão (natural para quem canta em agudo há anos e que hoje beira as 50 primaveras de vida), mas isso não aparentou incomodar os presentes. Assim como o atraso, reclamado com vaias antes do show começar, mas deixado para trás pela plateia assim que o Guns N' Roses assumiu a noite.

Durante alguns momentos, Axl recolheu as rosas que estavam jogadas no chão do palco, reverenciou a plateia com a retirada de seu chapéu, enrolou-se na bandeira brasileira e pegou um cartaz que dizia, em inglês, "Mãe, não se preocupe. Axl está tomando conta de mim"; em outros, mostrou o dedo médio, pediu para que o público o acompanhasse no coro de "Fuck you, Axl Rose!" (com risos do próprio Axl) e criticou os organizadores do evento que aconteceria na Disco. Ele aproveitou "Knockin' on Heaven's Door" para explicar a razão pela qual o tão comentado show "secreto" não aconteceu e reclamar dos envolvidos, não economizando em palavras mais pesadas. Segundo o cantor, um problema com sua voz o impediu, por recomendação médica, de comparecer ao evento - com o intuito de evitar que os demais shows da turnê no Brasil fossem adiados ou cancelados. "Fui chamado de egoísta porque optei por me apresentar para vocês", disse. "E peço desculpas se não estou atingindo as porras das notas mais altas." Aplaudido, deu continuidade à canção.

Tanto a competente banda, quanto Axl interagiram bastante com o público. Em um dos momentos, o frontman se valeu da modelo Ellen Jabour, que subiu ao palco como intérprete para pedir educadamente que todos dessem um passo para trás, visando proteger os fãs que estavam prensados na grade. "Amamos vocês e queremos que curtam o show com segurança", explicou.

Explosões, jogos de luz e chamas no palco eram alguns dos recursos utilizados para intensificar o ar de espetáculo. No setlist, estiveram, entre as pertencentes a Chinese Democracy, além da faixa título que abriu a noite, "Sorry", "Better", "If the World" e "Street of Dreams". Algumas das canções não animaram. No entanto, como não era de se duvidar, os destaques foram "Sweet Child O' Mine", "You Could Be Mine", "November Rain" (com Axl ao piano), "Night Train", "Mr. Brownstone" e "Live and Let Die" (Paul McCartney).

O bis foi aberto com "Madagascar", mas desde aquele momento os fãs pediam a balada "Patience", do álbum G N' R Lies. Ainda não era a hora. "Shackler's Revenge" foi a segunda canção (também de Chinese Democracy), que, então, foi seguida pela faixa anteriormente cobrada pelos presentes. "Está uma noite adorável, não acham?", disse o cantor. Mãos levantadas e coro compuseram a cena. Chuvas de papel vermelho picado ao final de "Paradise City" e arremesso do microfone em direção à pista deram por encerrada a apresentação do Guns N' Roses, em São Paulo, às 3h15, ovacionada pelas milhares de vozes que preencheram o Parque Antártica.