"Há muito espaço no mercado para os games musicais"

Do produtor de Guitar Hero III, que revelou à RS Brasil: "A música mais difícil de conseguir foi provavelmente 'Anarchy in the UK' dos Sex Pistols"

Por Pablo Miyazawa Publicado em 13/12/2007, às 15h58 - Atualizado em 14/12/2007, às 18h57

Tela de Guitar Hero III
Divulgação

O alardeado lançamento de Rock Band atrapalhou a posição privilegiada da série Guitar Hero entre os jogadores de videogame? Alan Flores, produtor executivo do recém-lançado Guitar Hero III: Legends of Rock (para Xbox 360, Wii, PlayStation 2 e 3), comenta sobre a concorrência, a participação de Tom Morello e Slash e o repertório de seu jogo.

Como funcionou o processo de seleção de músicas de Guitar Hero III?

O sucesso dos dois Guitar Hero anteriores nos ajudou na hora de licenciar as músicas. Conseguimos acesso a bandas que jamais tivemos a chance antes. Além disso, artistas e gravadoras vieram atrás da gente e pediram para serem colocados no jogo. Mas ainda assim, há sempre alguns artistas que você não consegue, seja lá por quais razões. Algumas coisas deram certo, mas só bem no final do processo. Mas quando um artista de peso nos procura e oferece uma grande música para o game, você faz tudo o que pode para o negócio dar certo.

Qual foi o critério para escolher as músicas e bandas? Qual foi a música mais difícil de se conseguir? Qual foi a mais simples?

Tentamos escolher músicas que soem bem, que sejam legais de tocar e que as pessoas adorem. Não é o processo mais simples do mundo. A música mais difícil de conseguir foi provavelmente "Anarchy in the UK" dos Sex Pistols. As masters da gravação original se perderam, então pensamos que tivemos azar. Mas felizmente conseguimos reunir os Sex Pistols pela primeira vez em 30 anos para voltar ao estúdio e regravar a música para nós. A música mais fácil de conseguir para o jogo foi "Impulse", do An Endless Sporadic. O baterista é um designer aqui do nosso estúdio. Ele simplesmente foi até minha mesa e me entregou o CD.

E o Slash e o Tom Morello [que participaram do game como "chefes de fase"]? Como rolou a participação deles?

Foi bem emocionante. Quando chegou a hora de explicar o conceito, a primeira coisa que eu perguntei foi: "Vocês assistiram ao filme Crossroads?" Ambos disseram que sim, então eles imediatamente entenderam como funcionaria. Para quem não conhece, Crossroads é um filme antigo que mostra uma épica batalha de guitarras entre o Ralph Macchio e o Steve Vai no final. Os dois pegaram mesmo o espírito da coisa, e colocaram suas músicas como se ambos fossem guitarristas competitivos em uma disputa mortal.

Rock Band acabou de ser lançado. A concorrência entre os games preocupa?

Eu não sei, são games bem diferentes. Eu não posso falar sobre o marketing do jogo, mas digo uma coisa: esta concorrência irá realmente fazer ambas empresas criarem games ainda melhores. Acho que no final, é o consumidor quem ganha com isso.

O lançamento "quase" simultâneo de Guitar Hero III e Rock Band foi considerado o "evento musical de 2007". É justo dizer que Guitar Hero é o real responsável por algumas mudanças drásticas na maneira com que as pessoas se relacionam com a música?

Acho que é algo correto de se dizer. É realmente uma nova maneira de curtir suas músicas favoritas. Você não é mais um ouvinte passivo. Você se envolve com cada nota da música. É uma conexão poderosa.

Mas você acha que esse lançamento simultâneo fará as vendas caírem ou subirem?

Eu realmente não sei. O que acho é que há bastante espaço neste mercado para ambos os games, então vamos torcer que as vendas aumentem.

Enquanto Rock Band traz novas possibilidades de jogo [bateria, vocal], Guitar Hero III se mantém no tradicional modo guitarra/baixo. Podemos esperar por mudanças no próximo game, para manter justa a concorrência entre as duas séries?

Bem, eu realmente acho que Guitar Hero III se garante sozinho, não importa o que estejam fazendo por aí em outros games.