Harper Lee, autora de O Sol é Para Todos, morre aos 89 anos

Aclamada escritora norte-americana só lançou dois livros e ganhou um Pulitzer em 1961

Redação Publicado em 19/02/2016, às 14h31 - Atualizado às 14h40

Harper Lee
AP

A escritora norte-americana Harper Lee morreu aos 89 anos de idade, segundo confirmou um policial ao Entertainment Weekly. A autora de um dos maiores clássicos da literatura, O Sol é Para Todos, morreu na cidade natal dela, Monroeville, no Alabama, nos Estados Unidos.

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O Sol é Para Todos – que também foi traduzido no Brasil como Mataram a Cotovia ou Não Matem a Cotovia – foi lançado por Harper Lee em 1960, com o título original de To Kill a Mockingbird. Sucesso instantâneo, o livro vendeu 500 mil cópias no primeiro ano e inspirou um longa-metragem lançado dois anos depois, dirigido por Robert Mulligan e estrelado por Gregory Peck, que teve oito indicações ao Oscar.

Considerado uma das maiores obras de todos os tempos, O Sol é Para Todos discute com profundidade as questões raciais durante a Grande Depressão. O romance foi premiado com um Pulitzer e se estabeleceu como uma obra obrigatória da literatura moderna norte-americana, tendo sua história traduzida para mais de 40 idiomas e vendido mais de 40 milhões de exemplares em todo o mundo.

Harper Lee mudou-se do Alabama para Nova York em 1949, largando os estudos na área de direito e passando quase dez anos escrevendo contos que nunca interessaram os editores. Ela continuou produzindo até que um agente sugeriu que a escritora unisse todas as curtas histórias em um único livro, o que gerou O Sol é Para Todos.

Depois de O Sol é Para Todos, a autora nunca mais escreveu um livro. Em 2015, entretanto, o romance Vá, Coloque um Vigia (em inglês, Go Set a Watchman), espécie de sequência do primeiro livro dela, foi lançado, trazendo uma história protagonizada pela personagem Scout já adulta.

Crítica: Harper Lee – Vá, Coloque um Vigia.

Vá, Coloque um Vigia foi escrito anteriormente e acabou sendo um rascunho do que viria a ser O Sol é Para Todos. Durante toda a vida, a escritora não optou por publicar os textos de Vá, Coloque um Vigia e, segundo declarou Charles Shields, principal biógrafo da autora, em entrevista à Folha de S.Paulo, Harper teria sido manipulada pela advogada dela, Tonja Carter, a divulgar o livro que tinha ficado guardado todos esses anos.

De acordo com Shields, em 2015, Harper estava parcialmente cega e havia perdido praticamente por completo a capacidade auditiva. “Lee não está em condições de tomar decisões”, afirmou ele na ocasião. O biógrafo ainda disse que a escritora sempre soube do paradeiro do rascunho e deixou claro em diversos momentos que não queria publicá-lo.

Com toda a polêmica em torno dele, Vá, Coloque um Vigia foi lançado nos Estados Unidos em julho do ano passado, 55 anos depois de O Sol é Para Todos. O livro superou o recorde de “vendas na estreia” da livraria Barnes & Noble, título antes pertencente a O Símbolo Perdido, de Dan Brown, e acabou vendendo mais de 1 milhão de cópias em uma semana.

Harper raramente falava com a imprensa – segundo o EW, ela garantia que a última entrevista dela havia sido dada em 1964 –, e nunca tratou publicamente da controvérsia acerca do segundo livro. Depois de Nova York, ela passou a morar em Monroeville com a irmã, Alice, até se mudar para um centro de tratamento quando a saúde dela piorou. Ainda não foi revelada a causa da morte da escritora.