Havana Moon: como os Rolling Stones “conquistaram” Cuba para show histórico

Filme que registra apresentação da banda no país tem exibição única no Brasil marcada para as 20h de 6 de outubro nos cinemas das redes Cinemark, Cinépolis e UCI

Redação Publicado em 16/09/2016, às 18h46 - Atualizado às 19h07

Mick Jagger durante show dos Rolling Stones em Cuba, em 2016
Divulgação

Os Rolling Stones fizeram história mais uma vez em 2016. Em 25 de março, depois de passar pelo Brasil, o quarteto britânico se apresentou em Cuba pela primeira vez, fazendo um show gratuito para cerca de meio milhão de pessoas (as estimativas variam entre 300 mil e 1,2 milhão de presentes). A apresentação aconteceu na Ciudad Deportiva de Havana e foi a primeira gratuita e ao ar livre de uma banda britânica no país.

A noite foi registrada em áudio e vídeo no filme Havana Moon – The Rolling Stones Live in Cuba, dirigido por Paul Dugale. O longa-metragem tem estreia mundial marcada para o próximo dia 23 de setembro, com exibições em uma única noite. No Brasil, Havana Moon tem sessões agendadas para 6 de outubro nos cinemas das redes Cinemark, Cinépolis e UCI, às 20h.

LEIA TAMBÉM

[Galeria] Veja imagens dos Stones entre 1965 e 1967

Stones serão retratados em filme sobre Exile on Main Street

[Galeria] Rolling Stones: uma carreira em fotos

“Nunca achei que pudéssemos tocar lá algum dia”, confessa Mick Jagger em entrevista promocional do filme. “Pelo menos não até há poucos anos, porque as restrições norte-americanas estavam pouco a pouco sendo removidas, sabe? Nós provavelmente poderíamos ter tocado lá há muito tempo, mas teria sido bem difícil. Uns três, quatro ou cinco anos atrás, muitos dos meus amigos diziam: “Por que vocês não tocam lá?”.

O vocalista dos Stones admite que, mesmo depois de tomada a decisão de tocar em Cuba, ele não sabia exatamente como realizar a apresentação. “Eu sabia de algumas pessoas que já tinham ido, alguns espetáculos de teatro, algumas bandas que já foram”, comenta Jagger. “Nessa altura, a HBO mencionou – em algumas conversas que tive com eles – a realização de documentários, então tudo começava a se encaixar.”

Entre outubro e novembro do ano passado, Jagger chegou a visitar Havana com o filho brasileiro dele, Lucas (o qual ele teve com a apresentadora de TV Luciana Gimenez). Durante o passeio turístico, o músico já pensava em viabilizar a ida dos Stones para um show no país, mas a pesquisa dele não teve muito resultado. “Eu queria ter visitado locais para shows, mas não havia nenhum para visitar”, conta.

“Todos me disseram que só havia a Praça da Revolução – onde o Papa deu o sermão! – e o Estádio Pan-Americano – que recebeu alguns jogos há uns anos –, mas não era possível usá-lo porque não estava bom”, segue ele. “Também havia o estádio de beisebol, mas era um pouco pequeno para o que buscávamos. Então, pesquisei um pouco mais, mas não tinha 100% de certeza se seríamos bem recebido pelas pessoas.”

No show de 25 de março, em Havana, Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts apresentaram um setlist convencional dos Stones na Ciudad Deportiva de Havana. A lista de canções se assemelha muito com as apresentadas pela banda na passagem pelo Brasil – com shows em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, anteriores à ida à Cuba –, incluindo clássicos e músicas não tão frequentes, como a balada “Angie”.

“Eles estavam super entusiasmados e dançando, mas eles pareciam conhecer as músicas, e eles se comportaram como uma audiência latino-americana de outros shows, em vários sentidos”, atesta Jagger. “Não pareceu que estávamos em outro mundo. Havia muitos smartphones balançando de um lado para outro. Além disso, tudo pareceu ser como nós conhecemos, mas por baixo eu acho que é problemático. Todos estão acostumados com isso, contudo.”

O título de Havana Moon foi retirado de uma música homônima, uma balada de Chuck Berry. “Achei a menção divertida”, diz o vocalista dos Stones. “Quando estávamos procurando um título, esse de repente surgiu na minha mente, apesar de fazer muito tempo desde que escutei a música. É um pouco melancólica”. Em recente vídeo promocional do filme, Richards disse: “Tem o sol, a lua, as estrelas e os Stones. Ver Cuba finalmente tendo a chance de enlouquecer com o rock foi especial.”

Além do filme com o show em Cuba, os Stones vão lançar um documentário sobre toda a excursão latino-americana da banda, incluindo as apresentações no Brasil e a de Havana. Intitulado The Rolling Stones Olé Olé Olé!: A Trip Across Latin America, o longa já ganhou um trailer e estreia nesta sexta, 16, no Toronto Film Festival, no Canadá, com direção do mesmo Paul Dugdale.

O show histórico dos Stones em Cuba foi, com certeza, uma abertura de portas tanto para o país quanto para a banda, possivelmente a que tem mais gosto pelos palcos em todos os tempos. E, se depender de Jagger, “conquistar” Cuba não coloca ponto final nas ambições do lendário quarteto. “Nós já tocamos uma vez na África – é um lugar enorme”, diz, negando que Havana foi a “última fronteira” geográfica dos Stones. “E isso é apenas minha memória recente! Três shows na Índia, anos e anos atrás, aquele também é um lugar grandioso.”

Abaixo, assista à performance de “Out of Control” extraída de Havana Moon.

Os Rolling Stones fizeram quatro shows pelo Brasil este ano. Eles tocaram no Rio de Janeiro, no sábado, 20 de fevereiro, e em São Paulo, primeiro na quarta, 24, e depois no sábado, 27, antes de encerrar a extensão da turnê Olé em Porto Alegre, no último dia 2 de março. Durante a passagem, Jagger criticou o público paulistano, afirmando que “as pessoas assistem ao show pelo celular.”