Helmet, Raimundos, Ratos de Porão e Angra são destaque da primeira noite do Porão do Rock

The DT's, The Tormentos, Dead Fish e Hamilton de Holanda foram algumas das outras atrações do evento, que contou com 21 shows na sexta, 29

Por Stella Rodrigues, de Brasília Publicado em 31/07/2011, às 12h53

Page Hamilton, do Helmet, a principal atração internacional do primeiro dia de Porão do Rock

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Teve início na última sexta, 29 de julho, a edição de número 14 do Porão do Rock, tradicional festival de Brasília, que em anos anteriores já trouxe ao país nomes como Muse, Mudhoney, Suicidal Tendencies e Eagles of Death Metal. Com três palcos simultâneos comportando 21 shows, no complexo do Ginásio Nilson Nelson, a primeira parte do Porão 2011 foi marcada pelos disputados shows de metal, o fanatismo dos brasilienses pelos conterrâneos do Raimundos, a performance impressionante do Helmet e muitos discursos políticos durante os shows, em uma cidade que, mesmo em um fim de semana em que está voltada para a música, não deixa de respirar os ares de conflito político de uma capital federal.

Segundo dados da organização, foram 35 mil os cabeludos, punks e amantes do rock que tiveram a chance de ver, perante a doação de um quilo de alimento, as performances de bandas absolutamente desconhecidas, eleitas nas diversas seletivas realizadas pela organização do evento nos últimos meses, ao lado de grandes nomes. Dentre esses estavam Angra, Ratos de Porão e os norte-americanos do DT's - que surpreenderam o público que estava ali apenas aguardando o Raimuntos, atração seguinte, fazendo um dos melhores shows da noite - , além da atração principal, Page Hamilton e o seu Helmet.

Normalmente conhecido pela sua pontualidade, este ano, o Porão enfrentou vários problemas. Além do atraso para começar e problemas no som ao início de algumas apresentações, que contribuíram para que o Dead Fish, última atração da noite, subisse ao palco cerca de uma hora e meia depois do previsto, as bandas que vieram da edição de Buenos Aires do festival tiveram dificuldades para chegar, por conta das cinzas do vulcão chileno Puyehue. Os argentinos do Tormentos, por exemplo, enfrentaram uma verdadeira epopeia e, após ameaças de cancelamento, se apresentaram bem depois do horário marcado. O agradável show de surf rock da banda foi permeado por eles frisando o perrengue que passaram para conseguir chegar. Posteriormente, em coletiva de imprensa, contaram que estavam acordados havia quase 24 horas e que passaram mais ou menos dez delas no aeroporto.

Outra complicação aconteceu no espaço dedicado aos grupos de som mais pesado, estrategicamente localizado dentro do ginásio (os outros dois palcos eram ao ar livre), de forma que o som não vazasse e tornasse o evento uma grande cacofonia. A ideia se provou eficaz até o Ratos de Porão assumir o espaço. Enquanto João Gordo entoava os versos de "Beber Até Morrer", o ambiente fechado lotou de tal forma, que a brigada de incêndio teve que interferir e proibir a entrada de mais gente na pista (liberando apenas as arquibancadas). Enquanto um grupo revoltado clamava aos colegas por uma invasão, um dos produtores pedia aos bombeiros que sumissem com os extintores de incêndio, pois estavam ameaçando utilizá-los como arma. No fim das contas, a confusão foi contida e o Ratos pôde terminar seu show tranquilamente.

Em seguida, quando o Angra subiu ao palco, o Ginásio mais lembrava uma lata de sardinha. A banda, que cantou sucessos como "Rebirth" e "Arising Thunder", ficou emocionada com a quantidade de gente que disputava espaço para vê-los ("Quando digo para os gringos que o público de Brasília é o mais foda, ninguém acredita", falou o vocalista Edu Falaschi). Em entrevista aos jornalistas, após o show, Edu comentou um pouco mais sobre essa fidelidade do público do Angra, que tem uma devoção especial com a música. "Isso é o legal do metal, está sempre lá, mesmo que nunca vá ser gigantesco. O público tem essa coisa da paixão, sabe cantar todas, passa de pai para filho".

Mas nem só de música pesada viveu a primeira noite do Porão do Rock. Músico desde os 5 anos de idade, o bandolinista Hamilton de Holanda, apesar de ter sido criado em Brasília, poderia ser chamado de o músico mais peixe fora d'água no evento. Enquanto o Ratos de Porão quebrava tudo no ginásio, Hamilton fez um show tranquilo. Quando mandou uma versão de "Something", dos Beatles, atraiu o povo que passeava entre as atrações e fez lotar aquele palco. "Como vocês gostam de um Beatlezinho", brincou.

Já passava das 2h quando Raimundos e Helmet iniciaram suas performances e disputaram o público presente. Curiosamente, apesar de a atração internacional ser a banda liderada por Page Hamilton - e os músicos das outras atrações do dia estarem em peso na grade do palco ocupado por ele, pirando com cada melodia - havia mais gente vendo o Raimundos. O grupo nacional fez um show longo e com algumas das músicas que todo o público pedia, como "I Saw You Saying (That You Say That You Saw)" e "Mulher de Fases". Logo no começo, com "Esporrei na Manivela", tudo que Digão teve que cantar foi o primeiro verso, o resto ficou por conta do público.

Ao mesmo tempo, do outro lado do Nilson Nelson, Hamilton hipnotizou a plateia, cantando com vigor e fazendo riffs na guitarra que, ao mesmo tempo que soavam complexos, ao olhar, pareciam simples, tamanha a desenvoltura que ele tem com o instrumento no palco. Simpático, o artista conversou bastante com o público, reconheceu alguns dos presentes, que tinham assistido à apresentação do Helmet em São Paulo, na noite anterior, e jogou palhetas para todo mundo que pediu. No set, "Unsung", "Milquetoast", "In The Meantime", entre outras, em um dos shows mais longos da data, um dos poucos com direito a bis.

Já eram quase 4h quando o Dead Fish, última atração da noite, começou a tocar. Os integrantes, de regata e bermuda, pareciam ser os únicos ali que não sentiam o frio da madrugada. Começaram agradecendo aos que ficaram para vê-los, mesmo que fosse tão tarde e, em seguida, fizeram um show de quase 30 músicas, para um público que aprovou a obstinação - e o sucesso - dos capixabas para levantar os fãs já cansados.

O Porão do Rock continua neste sábado, 30, no mesmo local. Algumas das principais atrações do dia de encerramento do festival são Wander Wildner, Symfonia, Jon Spencer Blues Explosion, Krisiun, Brollies & Apples e Lucy and the Popsonics. São 22 apresentações, sendo que as atividades terão início às 19h30, novamente.

Para saber mais sobre os outros shows da primeira noite (entre eles Vespas Mandarinas, Garotas Suecas e Cidadão Instigado), clique nas fotos, na galeria acima.