Holocausto, Marvel, DC e escravidão: 7 HQs que dariam filmes dignos de Oscar [LISTA]

De não-ficção a fantasia, todas essas HQs receberam prêmios prestigiados

Vinicius Santos Publicado em 25/01/2020, às 12h00

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Maus, Marvels e Batman: A Piada Mortal (foto: montagem/ reprodução Marvel Comics/ DC Comics/ Pantheon Books)

Com o sucesso de bilheteria de filmes como Vingadores: Ultimato (2019) ou batendo recorde de indicações ao Oscar como Coringa (2019) o fez, podemos afirmar que as adaptações dos quadrinhos para o cinema vieram para ficar.

A indústria busca constantemente novos materiais-fonte, e isso é o que não falta no mundo das revistas em quadrinhos. Apesar de alguns fracassos, como Liga da Justiça (2017) e Hellboy (2019), a quantidade de ideias promissoras para produções ainda é abundante, principalmente no caso de HQs que já receberam premiações relevantes.

Entre vencedores do Eisner, a maior premiação de quadrinhos do mundo, até o Pulitzer, focado em obras de não-ficção, listamos abaixo histórias que, na mão de cineastas competentes, tem todo o potencial para concorrer ao Oscar, se adaptadas para filme.


Maus (prêmio pulitzer)

O mundo das HQs tem uma obra definitiva sobre o Holocausto. Maus é uma graphic novel do cartunista norte-americano Art Spiegelman, lançada de 1980 a 1991. Spiegelman retrada as entrevistas que fez com o pai, Vladek, e como ele sobreviveu aos eventos da Segunda Guerra Mundial, principalmente o encarceramento no campo de concentração Auschwitz.

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Desde a visão artística metafórica (os judeus são ratos, os alemães são gatos, os americanos são cães, e por aí vai) das diferentes nacionalidades e etnias, até o relato extraordinário de Vladek, ou as próprias repercussões da obra vencedora do Pulitzer, o maior prêmio de jornalismo literário do mundo, há material de sobra para um filme de Maus.

Um longa animado, incorporando os traços artísticos de Spiegelman, seria uma excelente de colocar movimento e vida nas páginas da revista, além de contribuir para o sempre debatido tema do nazismo e das doutrinas de ódio.  


Sandman (World Fantasy Award)

Na onda de filmes que reinventam personagens do folclore popular como Klaus (2019) e Link Perdido (2019), Sandman seria uma das ideias mais ousadas e filosóficas para o gênero. A história reimagina a lenda urbana do Sandman, a entidade que joga areia nos olhos daqueles que dormem e trás os sonhos, e o integra ao universo adulto da DC.

Na HQ de Neil Gaiman, Sandman é um ser mitológico que governa o Sonho, a força existente no universo formada pelos sonhos de cada criatura viva. Viajando pela história e espaço, Sandman interagem com figuras históricas, como Shakespeare, ou heróis da DC, como John Constantine. Foi a única HQ a receber o World Fantasy Award.

Sandman vai virar série pela Netflix no futuro, mas Gaiman  já mostrou que apoia e colabora com adaptações de obras dele, como Deuses Americanos  e Coraline, e uma versão para os cinemas das aventuras do senhor dos sonhos seria muito válida e interessante.


Vagabond (vencedor do Kodansha Manga Awards)

O representante dos quadrinhos orientais da lista, Vagabond é um mangá que conta a vida do lendário samurai Miyamoto Musashi. Baseado na série de romances mais vendidos da história do Japão, o mangá ganhou em 2000 o prêmio Kodansha.

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Musashi é uma das fontes mais antigas e importantes para o cinema. Ele foi um ronin, um espadachim errante, que atuava às vezes como um justiceiro. Vários heróis do cinema ocidental, como O Homem Sem Nome de Clint Eastwood, a Noiva de Uma Thurman em Kill Bill, e tantos outros. Ver esse personagem que fundou um gênero ser revivido nos cinemas é uma ideia e tanto. 


 Superman - Paz na Terra (Vencedor do Eisner)

Indo agora para os personagens de HQ mais conhecidos e amados, o Superman ainda tem uma das melhores histórias sem adaptações cinematográficas. Na graphic novel de 1998, escrita por Paul Dini e ilustrada por Alex Ross e premiada com o Eisner (o ‘Oscar das HQs’, nomeado em homenagem ao cartunista Will Eisner), o Homem de Aço tenta resolver o problema da fome no mundo.

Muito debatido nos anos 90, a temática da ajuda humanitária se encontra ainda mais em voga hoje, com casos como os refugiados da guerra no oriente-médio e as vítimas de desastres naturais. Um ser como o Superman seria capaz de resolver todos esses problemas sozinho? Esse é o argumento da revista, e propõe explorar os dilemas éticos e morais do super-herói de maneira que o cinema ainda não viu.


Marvels (Eisner)

Novamente com ilustrações de Alex Ross, mas agora na editora rival, Marvels é outro vencedor do Eisner que traz visões inovadoras dos principais nomes da Casa das Ideias. A minissérie de 1994 aposta forte na metalinguagem, e reconta o mundo dos personagens Marvel desde 1939 (ano das primeiras publicações da revista), através da perspectiva de pessoas normais.

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Como os super-heróis servem de exemplo para a sociedade? Eles se manifestam sobre questões políticas? Como a existência desses seres extraordinários afeta a vida dos cidadãos comuns? Marvels aborda todos esses temas, e após 10 anos de MCU, parece o tempo ideal para trazer essa proposta para Hollywood.


Batman: A Piada Mortal (Eisner)

Após o sucesso de Coringa (2019), talvez a obra definitiva sobre o Palhaço do Crime nos quadrinhos possa ser adaptada para o cinema. Tal como o filme, essa edição única escrita por Alan Moore e ilustrada por Brian Bolland também retrata o vilão como um comediante falido, mas tem viradas no enredo bem diferentes e interessantes.

Além de contar uma possível origem um pouco diferente para o Coringa, o personagem também interage com outras figuras do universo Batman como o Comissário Gordon e o próprio Homem Morcego, enquanto dialoga sobre a loucura e tenta provar um ponto: que até o mais integro dos homens pode sucumbir à barbárie se tiver um dia ruim. 

Talvez um filme baseado nesse enredo ganhador de Eisner seja motivo suficiente até para trazer Joaquin Phoenix de volta ao papel, e fazê-lo se encontrar com um Batman, certamente para chamar a atenção da academia de novo.


Cumbe (Eisner)

Representante brasileiro da lista, Cumbe, do quadrinista Marcelo D’Salete conta as histórias de quatro escravos no período colonial. Vencedor do prêmio Eisner, o título (cumbe) é uma palavra do idioma quimbundo, que significa força, fogo, luz e é o sentimento que move os protagonistas na luta contra o sistema escravagista.

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Cumbe é o resultado de um processo de pesquisa sobre o quilombo dos Palmares iniciado em 2004 e dá luz e palco para um dos momentos mais violentos da história do Brasil.


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