Ícone do hardcore brasileiro, Malvina propõe novo olhar para as manifestações de Junho de 2013 com a música XIII

Banda dá um tom extremamente crítico e político à Hybrid Wars, seu novo disco

Redação Publicado em 23/04/2019, às 16h03

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Banda Malvina (Foto: Divulgação)

Guerra híbrida é um conceito do pensador Andrew Korybko. Para ele, nações como os Estados Unidos têm táticas para manipular, através de ataques indiretos e psicológicos, povos de outros países a se voltar contra as autoridades e construir um governo do modo que convém o gigante americano.

É com essa ideia que o Malvina lança Hybrid War, seu novo disco, nesta sexta, 26. O nome do trabalho, por si só, dá uma boa ideia do que está por vir: uma enorme crítica política.

"XIII", clipe lançado com exclusividade pela Rolling Stone Brasil, deixa bem claro os ideais do Malvina e a relação da faixa com o nome do disco. Na música, eles relacionam o ano de 2013, anterior ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, com os acontecimentos políticos da época: as manifestações da classe média nas ruas, as notícias midiáticas, e o resultante fim do mandato de Dilma.

O dia também foi escolhido a dedo. Nesta terça, 23, há o julgamento do ex-presidente Lula, o que pode decidir por sua liberdade.

Em quesitos musicais, a banda vai agradar aos fãs que já conhecem os seus trabalhos. As guitarras carregadas dão o tom à faixa crítica. O estilo é variado, e as influências da banda vão de Bad Religion à Megadeth, criando um hardcore progressivo “em uma estrutura anárquica”, como explicaram em declaração.

Veja abaixo o clipe, exclusivamente na Rolling Stone Brasil, e letra de "XIII":

 

XIII

 

Time of unknown whereabouts

Trait of this place from where we've been

A Hayek, McCarthyist's devout shows up again to play

To wring the facts, dry out the State!

So celebrate!

You have been sick and hounded by this regime

Don't worry about where this crack will give

The headlines scream:

Just do it!

Time of unknown whereabouts

But there's a noble cause to fight against

A condemnation, a trial show,

That latent hatred allowed!

So celebrate!

You have been sick and hounded by this regime

Don't worry about where this crack will lead to

Chant the slogan!

- Now a mob under children's command -

Are you the power which strikes against us?

Dirtying hands to the ones whom you'll serve to...

Along the streets, resounding obscure waves!

Sobre o disco Hybrid War

As maiores críticas feitas em Hybrid War são ao neoliberalismo do ex-presidente Michel Temer e do presidente Jair Bolsonaro, à remoção e isolamento de comunidades carentes no Rio de Janeiro durante obras para as Olimpíadas 2016, à tragédia de Brumadinho, à divisão de classes no Brasil e à exploração desenfreada do meio-ambiente.

A banda demorou quatro anos para criar todo o projeto. Nesses, estudou o contexto político do país e diversos conceitos de grandes pensadores como Jules Boykoff, cientista político americano, Naomi Klein, pensadora canadense, e Andrew Korybko, quem deu o nome ao álbum.

Seguindo a deixa de "XIII", o estilo musical do disco é “a conjugação de diferentes vertentes, desde o punk característico dos anos 80 à sofisticação musical do progressivo, passando pela dinâmica melódica do hardcore presente nos outros trabalhos da banda, trazem hibridez pra além do título e da temática. Um hardcore-punk imprevisível, com peso e teor caótico característicos do presente momento”, conforme explicou a banda.