“Imagina se eu tivesse chegado atrasada?", diz Claudia Leitte sobre show no Rock in Rio

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, cantora se diz feliz com a apresentação no festival e critica artistas internacionais; Claudia ainda rebateu críticas em post polêmico em seu blog oficial

Paulo Terron Publicado em 28/09/2011, às 12h13

Claudia Leitte rebates críticas sobre apresentação no Rock in Rio
Douglas Shineidr/Estacio

Claudia Leitte foi uma das artistas a integrar o line-up do primeiro fim de semana do Rock in Rio. A cantora levou seu axé ao palco Mundo, na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro, já no primeiro dia do festival, 23 de setembro. Ela dividiu o espaço na noite com nomes como Rihanna, Katy Perry e Elton John. “Foi maravilhoso cantar pra um público que sabe viver”, afirma Claudia, em entrevista à Rolling Stone Brasil.

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Foi montado pela equipe de Claudia um cronograma de ensaios para o Rock in Rio e para a gravação do novo DVD dela (que acontece em Salvador, no Teatro Castro Alves, e em São Paulo, no Morumbi, respectivamente, dias 23/11 e 17/12) – e a estreia do show se deu na capital fluminense (com hits antigos rearranjados). Segundo a cantora, a experiência de tocar para 100 mil pessoas na versão brasileira do festival ficará por um bom tempo na memória. “Incrível, indescritível. Tudo deu certo, do início ao fim. Valeram as noites e madrugadas entregues aos ensaios, as muitas horas de trabalho”, diz ela. “Tenho uma equipe que sente o que sinto, que respira o ar que respiro.” Ela ainda é só elogios aos fãs: “Eles se superaram, me dando a maior força ali na beira do palco. Eles representam o que há de mais importante em minha carreira. Com eles sinto que é possível realizar todos os sonhos”.

O Rock in Rio é dono de um peso histórico inegável, contudo essa quarta edição também manteve uma tradição negativa: inúmeros artistas brasileiros se queixaram do tratamento dado a eles - em especial quanto à passagem de som, que em 2001 levou uma série de bandas a boicotar o evento. Segundo Claudia, sua equipe suou a camisa para que tais problemas não os atingissem. “Acredito que se trata de um evento muito grande, com muitas bandas, e que, portanto, é difícil atender às necessidades todas, ao passo que é uma grande vitrine”, explicou. “Por conta disso, nossa equipe montou o palco em 7 minutos e ensaiou de modo exaustivo para isso, cumprimos nossos horários e passamos o som como tinha que ser. Usamos todo equipamento disponível no Rock in Rio durante os ensaios para mapearmos nossa apresentação por completo. Fomos preparados e conscientes.”

A cantora ainda relacionou a questão aos artistas internacionais e seus comportamentos em eventos desta natureza. “Infelizmente é da cultura do nosso povo, por conta até da curiosidade do novo, receber melhor aquilo que vem de fora. A maior prova disso é que alguns artistas internacionais às vezes se perdem no horário, não montam totalmente o cenário, não passam som, enfim, não se preocupam em apresentar o melhor para o público e, ainda assim, são ovacionados”, afirma. “Imagina se eu tivesse chegado atrasada? Sei como as coisas são e me preparei.”

Post polêmico

Após sua apresentação no Rock in Rio, Claudia decidiu entrar no Twitter e se deparou com alguns xingamentos por conta de sua apresentação no festival – em especial, o fato do gênero axé estar incluído na programação do evento. Em seu blog oficial, a cantora escreveu: “Ok. Não gostar de axé é normal! Anormal é achar-se superior porque conhece John Coltrane ou porque adora o Metallica. Procurem no Google sobre a história de um ariano que se achava superior aos judeus”. Na ocasião, ela também comentou a defesa de Rita Lee ao seu trabalho, por meio de post no microblog. “Uma mulher especial como Rita Lee, uma artista completa, expor a si mesma por minha causa, é de fato uma razão para que eu esteja ainda mais crente”, disse.

Finalizando o texto, Claudia reforçou estar satisfeita com a apresentação e com a oportunidade de ter feito parte da quarta edição brasileira do festival. “Sim! Eu sou uma cantora de AXÉ no Rock in Rio com muito orgulho. Foi através da música baiana, da minha luta diária, do apoio de gente honesta que trabalha tanto quanto eu, do meu talento e, sobretudo, da fé que tenho em Deus, que cheguei àquele palco”, afirmou.