Narcos: atores da série falam sobre os desafios em reconstruir a história de Pablo Escobar

Com direção do brasileiro José Padilha, produção chega à Netflix nesta sexta-feira, 28

Thiago Neves Publicado em 27/08/2015, às 11h42 - Atualizado às 14h57

Pedro Pascal e Boyd Holbrook interpretam agentes da DEA em Narcos

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Transformar um acontecimento real em ficção é uma tarefa desafiadora e perigosa. Reconstituir a perseguição a um dos maiores narcotraficantes de todos os tempo é “como andar em uma corda bamba", confessa a atriz mexicana Stephanie Sigman (The Bridge). "Há riscos de todos os lados, por isso é preciso se manter fiel a um conceito”, completa a interprete de Valeria Velez, personagem inspirada na jornalista Virginia Vallejo, uma das maiores especialistas no tema e ex-amante de Escobar.

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Individualmente, o trabalho de Stephanie também é instigante. Apesar de o nome de incendiária jornalista colombiana ter sido trocado por um título fictício, a atriz precisou se pautar na personalidade de Virginia Vallejo para criar seu personagem. “Por questões legais não usamos o nome dela. Eu achei bom, é um peso a menos”, brinca a mexicana. “A obra de Valeria Velez, além de extensa, é muito acessível, o que foi de enorme ajuda. Através dos artigos e livros dela tentei elaborar um personagem que expressasse a dúbia relação que ela manteve com o narcotráfico. Ao mesmo tempo em que ela condena o poder do cartel de drogas, esteve bem próxima a um dos pilares dele, que era Pablo”, conta Virginia.

Galeria - Brasileiros em Hollywood.

Pablo Escobar morreu em 1993, portanto, a proximidade histórica entre os acontecimentos e a produção da série fez com que muitos dos reais personagens possam acompanhar a elaboração de Narcos. Assim como Virginia Vallejo, que ainda é viva, Steve Murphy, interpretado Boyd Holbrook (Garota Exemplar), teve a oportunidade de se ver representado na TV. “Steve é um cara espetacular, ele se demonstrou disponível em todos os momentos. Conversar com ele foi parte fundamental da elaboração do personagem”, relata Holbrook.

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“Ele é uma lenda dentro do DEA, mas a série trabalha justamente nessa linha tênue. Claro que o contexto de perseguição de um criminoso é muito atrativo ao público, mas também é fácil ser maniqueísta”, explica o ator. Apesar de Narcos retratar as investigações que culminaram na prisão de Escobar, Holbrook reitera um fato curioso que o diretor José Padilha expôs durante as filmagens. “Não queremos exaltar a violência. O Padilha é quase obsessivo sobre essa questão. Ele não quer que o seriado seja com o filme Tropa de Elite. A luta contra as drogas nunca funcionou. Nós sabemos disso, o governo sabe disso e ainda falta amadurecimento para esse debate, mas Narcos não é um elogio ao combate armado. A repressão policial é tão horrível quanto o próprio narcotráfico”.

Elogios ao cineasta brasileiro também foram proferidos por Stephanie Sigman, que enalteceu o estilo de Padilha: “Ele é um artista mundial, a naturalidade com a qual ele coordena o set é algo muito bom para os atores. Foi prazer trabalhar com ele”.

Pablo e a soberania do narcotráfico na América Latina durante os anos 1980 serão retratados nos dez episódios da trama, todos eles disponíveis mundialmente pela Netflix a partir da próxima sexta, 28.

Wagner Moura é capa da edição 108 (agosto/2015) da Rolling Stone Brasil, leia mais sobre a participação do ator brasileiro aqui.