Integrantes originais do Kiss se reúnem pela primeira vez em 14 anos no Hall da Fama do Rock

Gene Simmons, Paul Stanley, Peter Criss e Ace Frehley não se apresentaram, como haviam divulgado, e preferiram discursar em agradecimento aos fãs

ANDY GREENE Publicado em 11/04/2014, às 12h52 - Atualizado às 12h58

Kiss - Paul Stanley, Peter Criss, Ace Frehley, Gene Simmons
Andy Kropa/AP

Os fãs do Kiss podem não ter a apresentação com os integrantes reunidos que eles esperaram para o Hall da Fama do Rock and Roll, realizada na noite desta quinta-feira, 10, mas os quatro membros originais ao menos subiram ao palco juntos para os discursos de agradecimento, na primeira aparição pública desde a conclusão da parte norte-americana da turnê Farewell Tour, em outubro de 2000.

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Apesar da infinita troca de acusações através da imprensa durante os últimos meses, o quarteto formado por Gene Simmons, Paul Stanley, Peter Criss e Ace Frehley foi bastante atencioso um com o outro. Peter Criss falou primeiro, agradecendo a todos, dos “motoristas dos caminhões da banda” até o “médico que me salvou do câncer de mama”. O antigo baterista também comemorou a icônica maquiagem. “Com ou sem a maquiagem, eu sempre serei o catman [ou “homem gato”, em alusão à maquiagem].”

O guitarrista Ace Frehley falou na sequência. “Quando eu tinha 13 anos, eu peguei a minha primeira guitarra. E sempre achei que seria algo grande. A vida tem sido boa para mim. Torço para que tenha mais 10 ou 20 anos para seguir”.

Até Stanley – que recentemente acusou seus antigos companheiros de banda de antissemitismo – decidiu focar nos fãs da banda. “Aqui estamos nós hoje à noite, entrando para o Hall da Fama, basicamente pelas coisas pelas quais fomos sempre deixados de fora”, disse Stanley. “As pessoas compram os discos. As pessoas definem quem deve ser indicado ou não.”

Tommy Thayer e Eric Singer, atuais integrantes do Kiss, sentaram-se no público ao lado do antigo guitarrista Bruce Kulick. A recusa do Hall da Fama em deixá-los entrar para o seleto grupo, ao lado de outros antigos integrantes, deixou Stanley em indignado. “Eu não preciso do Hall da fama”, disse ele recentemente à Rolling Stone EUA. “E se não é recíproco, eu não me interesso. Com o Red Hot Chili Peppers, praticamente todos os integrantes foram indicados. E, virtualmente, todos os 175 integrantes do Grateful Dead. A regra não se aplica a todos.”

Gene Simmons teve que convencer Eddie Van Halen a não entrar para o Kiss.

Inicialmente, o grupo gostaria de se apresentar com a formação atual, mas foi-lhes dito que não seria uma opção. “Nós ouvimos: ‘gostaríamos de Ace e Peter de maquiagem’”, disse Stanley. “E nós dissemos: ‘Isso não vai acontecer’. Aquela banda já não existe. Eu pergunto como Ace e Peter ficariam com aquelas roupas. Nós passamos 40 anos construindo algo e para dissipar tudo o que fizemos, para confundir e mandar mensagens confusas? Oferecemos para tocar com Tommy e Erice, então, chamar Ace and Peter para se juntarem a nós.”

Criss e Frehley deixaram bem claro que boicotariam a cerimônia se outros músicos estivessem usando as maquiagens deles. “Eu não vou ser desrespeitado”, disse Criss à Rolling Stone EUA. “Como eles podem me colocar no Hall da Fama e então me mandarem sentar em um canto enquanto outro cara coloca a minha maquiagem e toca? Isso é uma injustiça. Para os fãs, inclusive.”

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O mero fato dos quatro terem se juntado no palco foi um pequeno milagre e, possivelmente, esta será a última vez que eles serão vistos juntos.

Assista ao discurso do Kiss: