Interpol, indefectível

Com show correto e intenso, banda de NY ganhou público em São Paulo

Por Carolina Requena Publicado em 12/03/2008, às 10h46 - Atualizado em 13/03/2008, às 13h05

Paul Banks, que começou com um "Oi" e terminou com "Vocês são lindos pra caralho"

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"Oi", retribuiu Paul Banks à gritaria gerada pela aparição do Interpol no palco. Para casa cheia, a banda abriu seu primeiro show em solo brasileiro com a balada "Pioneer to the Falls", escolha não óbvia (apesar de pertencer ao disco mais recente, é uma balada), mas que assegurou ao quarteto sua presença em terreno seguro. Dali para o fim, 18 canções depois, a platéia não abandonaria os novaiorquinos - e eles dariam sorrisinhos contidos, em sua elegância.

Alternando outras canções de Our Love to Admire com hits dos álbuns anteriores, como "Slow Hands" e "Evil" (de Antics, 2005), além de "Obstacle 1" (do disco de estréia, Turn On The Bright Lights, 2002), o quarteto, acompanhado de tecladista, arranjou na noite desta terça-feira o cenário mais coerente possível com seu "rock pós-pós-punk": além dos postes de luzes frias plantados no palco à altura dos músicos, cada um deles contribuiu com um traço "cool" diferente. (Veja as fotos no pé deste texto).

A figura mais intrigante foi o baixista Carlos D., sem seu famoso bigode, mas com uma mecha de cabelo branca, os cigarros que fumou sem tirar da boca e a camisa escura abotoada até o pescoço. À parte do figurino dark, chamou a atenção o namoro que D. estabeleceu com seu baixo - e só com ele -, postura que resume o funcionamento da banda em cima do palco: ninguém se fala - e tudo funciona perfeitamente.

Do outro lado, o guitarrista Daniel Kessler foi o ponto agitador, pulando dentro de um terno e gravata. Paul Banks, por sua vez, não se chacoalhou, assegurando-se de que seus cabelos loiros ficassem sempre atrás das orelhas, enquanto entoava seus graves com a competência (e mais emoção do) que se ouve nos discos do Interpol.

Se alguém foi ao Via Funchal preocupado com a "frieza anunciada" pela turma de NY, foi certamente surpreendido. Quem levou em conta o anúncio de Banks e companhia de que fariam música e, sem nada mais do que isso, estabeleceriam comunicação com seus fãs, entendeu do que os caras estavam falando.

A ausência de firula ficou comprovada pelos nem 3 minutos que separaram o fim do show do retorno para o bis. O encerramento ficou a cargo de "NYC", da belíssima "Stella Was a Diver and She Was Always Down" e da esperada "PDA". As três cantadas em coro.