Invasão dos reboots

Na urgência de resgatar personagens, estúdios de Hollywood apostam no reinício de franquias cinematográficas

Por Vanessa Wohnrath/Especial para BR Press Publicado em 25/03/2011, às 12h08

Andrew Garfield, protagonista do reboot da franquia Homem-Aranha
Divulgação

(BR Press) - Começar de novo. Esta é a expressão de ordem em Hollywood. Na urgência de resgatar personagens e franquias, os estúdios norte-americanos estão apostando forte no chamado reboot.

Esta palavrinha tem circulado muito na indústria cinematográfica e, para quem não sabe do que se trata, reboot significa recomeçar do zero, descartar o que foi apresentado em um filme original. É diferente de prequel. A prequel mostra a origem de um personagem, como a jornada dele começou. O Hobbit - Parte 1, com estreia marcada para 2012, por exemplo, revela o que se passa antes da história de O Senhor dos Anéis.

Porém, pode acontecer de um filme ser reboot e prequel. É o caso de Batman Begins (2005), precursor da moda reboot. Quando o malfadado Batman e Robin (1997) havia sepultado a carreira do Homem-Morcego no cinema, eis que o diretor Christopher Nolan ousou reconfigurar o personagem. Os ingredientes para o resultado bem-sucedido? Fazer um prequel mostrando como Bruce Wayne se torna Batman e o reboot com o recomeço de uma franquia popular em um tom denso e soturno, deixando para trás o colorido do herói de outrora.

Em um estado de ócio criativo, o reboot é uma saída segura encontrada pelos estúdios para faturar alto, apostando em personagens já conhecidos pela maioria do público, em vez de se lançar uma história nova que dependa de aprovação do espectador. A partir deste ano, o reboot estará mais em voga do que nunca, graças aos personagens em quadrinhos.

O primeiro desta leva é Thor - dirigido por Kenneth Branagh, estrelando Natalie Portman, Chris Hemsworth e Anthony Hopkins -, que chega aos cinemas em 29 de abril. Nele, o deus do trovão ganha um recomeço frente às anteriores produções chinfrins. Em 3 de junho é a vez do aguardado X-Men: First Class, que se passa nos anos 60 mostrando como Charles Xavier e Eric Lehnsherr/Magneto se conhecem.

Após Batman Begins, surgiram outros reboots, como os dispensáveis A Pantera Cor-de-Rosa 1 e 2 e O Justiceiro - Zona de Guerra. Dois emblemáticos vilões, Jason Voorhees e Freddy Krueger, também ganharam recomeço em Sexta-Feira13 e A Hora do Pesadelo, respectivamente. Um exemplo bem-sucedido é do diretor J.J. Abrams, que fez um incrível reboot com Star Trek, dando novo fôlego à franquia de filmes, adaptada da série de TV Jornada nas Estrelas.

Homem-Aranha

Nos próximos anos, uma leva de reboots irá estrear. Peter Parker reaparece em três de julho de 2012 em The Amazing Spider-Man, com Andrew Garfield (A Rede Social) na pele do herói aracnídeo.

Em dezembro do mesmo ano, será a vez do estúdio Warner fazer mais uma tentativa em trazer de volta o Superman, após o fracasso de Superman - O Retorno. O público poderá conferir se o super-herói finalmente terá um regresso digno com Superman: Man of Steel, sob a batuta do diretor Zack Snyder (300, Watchmen - O Filme), que estreia no Brasil seu novo longa, Sucker Punch - Mundo Surreal, nesta sexta, 25.

Quando 2013 der as caras, mais personagens de histórias em quadrinhos terão direito a reboots. Espera-se que desta vez, o resultado valha a pena para Demolidor, Quarteto Fantástico e Tartarugas Ninja.

Robocop e Lara Croft

Outros personagens populares, mas esses não pertencentes ao universo dos quadrinhos, também serão repaginados. José Padilha, diretor de Tropa de Elite 1 e 2 deve fazer sua estreia em Hollywood comandando o novo RoboCop. Trata-se da história de um policial que é assassinado e transformado em um ciborgue para lutar contra o crime.

A aventureira Lara Croft, que saiu dos games para duas adaptações no cinema, também ganhará um reboot. Mas será possível alguma atriz superar os dotes de Angelina Jolie? É esperar para ver.

Enquanto isso, se acostume a ouvir a palavra reboot, pois a onda de Hollywood de recriar filmes para agradar a uma legião de fãs ainda está apenas começando - ou melhor, recomeçando.