iPad chega ao Brasil

Tablet da Apple começa a ser vendido no país na próxima sexta, 3 de dezembro, com preços entre R$ 1649 e R$ 2599; saiba mais sobre o produto

Por Pablo Miyazawa Publicado em 29/11/2010, às 17h47

No Brasil, iPad custará entre R$ 1649 e R$ 2599
Divulgação

Mais de seis meses após seu lançamento nos Estados Unidos, o iPad chega ao Brasil. A Apple confirmou nesta segunda, 29, a venda do tablet no país a partir da próxima sexta, 3 de dezembro, na Apple Store online e em postos de revenda autorizados (veja a lista completa aqui).

Os preços começam em R$ 1649 para o modelo 16 GB, com Wi-Fi (nos EUA, o mesmo modelo sai por US$ 499, cerca de R$864). Outros modelos com Wi-Fi custam R$ 1899 (32 GB) e R$ 2199 (64 GB); modelos com Wi-Fi e 3G custam R$ 2049 (16 GB), R$ 2299 (32 GB) e R$ 2599 (64 GB).

O iPad, que se assemelha a um celular iPhone tamanho família, possui tela de dez polegadas sensível ao toque e recursos semelhantes aos de um notebook: acessa a internet via wi-fi e 3G e permite a instalação de softwares - os "apps" - de variadas utilidades. Há desde ferramentas de leitura (que simulam a experiência de folhear livros e revistas) a softwares musicais, games, ferramentas de texto, mapas, tabelas de futebol e guias de cinema - em suma, tudo o que já pode ser realizado em um iPhone, mas sem a função telefone.

As coincidências entre os dois produtos vão além da aparência e dos recursos: as produtoras independentes que hoje desenvolvem aplicativos para o iPad já possuem experiência prévia com programas para o celular da Apple. E a tendência persiste entre as empresas brasileiras. "Não são apenas diferenças físicas como tamanho de tela e peso, mas de consumo também", compara Gustavo Ziller, sócio-diretor da agência Aorta, responsável por aplicativos para iPhone e que produz atualmente programas para o iPad. "Um exemplo são os textos longos de jornais: no iPhone, são inadequados para leitura; no iPad, são mais palatáveis."

"Em termos técnicos, não há diferença", adiciona Guilherme Coelho, sócio-diretor da ZeroUm Digital. "Com mais espaço na tela, é possível mostrar mais informações, trazendo flexibilidade na diagramação do conteúdo e possibilidades de interação com o usuário."

A quantidade de aplicativos (na loja online App Store, chegam à casa dos milhares) não é vista como um limitador para os produtores. "O segredo é se colocar no lugar do usuário", diz Douglas Kawazu, chefe de produto da Interactive Experience. "É pensar o que você gostaria que existisse no aplicativo."

"Antes do desenvolvimento, vale uma pesquisa na App Store, já que tudo que se imagina tem lá", ensina Simone Mozzili, sócia-diretora da Bubbledot. "O aplicativo precisa acrescentar algo, para o usuário deixar de baixar um quase igual."

É muito graças à inventividade dos aplicativos que o iPad é considerado um possível propulsor de mídias já estabelecidas, como a TV, o cinema e os videogames. Alguns especialistas da indústria acreditam que a união de vários quesitos (tamanho da tela, recursos, praticidade) fará o público aos poucos abandonar as maneiras convencionais de navegar na web, consumir filmes e programas e jogar games - da mesma forma que o iPod quebrou paradigmas na música e o iPhone fez o mesmo pela telefonia.

Assim como acontece com qualquer produto de sucesso desenvolvido pela Apple, o iPad não está blindado das críticas. Uma das questões envolvendo a máquina é o fato de ela não rodar sites com a tecnologia Flash. Há também quem critique a ausência de uma câmera, os problemas de usabilidade ou o fato de o aparelho não ter nenhuma utilidade específica. As regras rígidas da Apple em relação ao conteúdo dos aplicativos também são alvo de reclamação - a empresa restringe programas que tenham conteúdo "inapropriado", de cunho sexual ou que ironizam figuras públicas. Mas nada parece perturbar os fanáticos pela empresa, que costumam organizar verdadeiras procissões diante das lojas para adquirir as novidades no dia do lançamento.

O lançamento nacional da máquina poderá ajudar a converter possíveis usuários ainda descrentes. "A pessoa se torna fã abissal do aparelho com cinco minutos de contato", diz Ziller, da Aorta. "Meu palpite é que vai bater as vendas de iPhone, competindo diretamente com netbooks e tablets".

"O iPad vai pegar, assim como aconteceu com o iPod e o iPhone", completa Rafael Prada, diretor de conteúdo da Interactive Experience. "É uma questão de tempo e, claro, preço."

Este texto contém trechos da reportagem "iPad: Aqui Não Pode", publicada na edição 45 da Rolling Stone Brasil. Clique aqui para ler na íntegra.