Estreia: Quando As Luzes Se Apagam usa escuridão como metáfora para transtornos psiquiátricos

Do mesmo produtor da franquia Jogos Mortais, filme marca estreia do diretor David F. Sandberg

Gabriel Nunes Publicado em 18/08/2016, às 18h29 - Atualizado às 19h38

Diana, em Quando As Luzes Se Apagam
Reprodução

Às vezes, na penumbra de um quarto mal iluminado, acreditamos ter visto algo que na verdade nunca esteve lá. Em seu primeiro longa-metragem, Quando As Luzes Se Apagam – que estreia nesta quinta, 18, no Brasil –, David F. Sandberg perscruta, de maneira inusitada, as origens de uma das fobias mais recorrentes e contumazes da humanidade: o medo do escuro.

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“Um dia eu estava sozinho em casa à noite e achei ter visto alguma coisa se mover no escuro”, relembra Sandberg em entrevista à Rolling Stone Brasil. O insólito evento serviria posteriormente de alicerce para o premiado curta-metragem Lights Out (2013), gênese da primeira incursão hollywoodiana do sueco. “É óbvio que eu acendi as luzes para conferir. E também é óbvio que não havia nada ali, mas pensei: e se realmente houvesse algo quando eu acendesse as luzes?”

Assista à Lights Out, curta-metragem que deu origem à Quando As Luzes Se Apagam.

Estrelado por Maria Bello (Janela Secreta) e Teresa Palmer (Meu Namorado É Um Zumbi), o filme gira em torno da tempestuosa relação entre Rebecca (Teresa) e a mãe dela, Sophie (Maria) – uma mulher que, além de sustentar o insustentável fardo de uma grave esquizofrenia, precisa lidar com Diana, uma entidade demoníaca que se manifesta apenas quando as luzes estão apagadas. No entanto, a criatura fruto de um experimento malsucedido é muito mais do que aquilo que (não) se vê.

“Diana é uma personificação dos nossos momentos mais sombrios”, pontua Sandberg. “Ela é uma metáfora para a depressão de Sophie, que afasta e machuca todos aqueles que ela ama.”

Encarnada, quando adulta, pela atriz e modelo Alicia Vela-Bailey, Diana foi montada sem o auxílio de recursos digitais a fim de parecer mais autêntica e verossímil, conforme revela Sandberg. “Não usamos nenhum efeito especial nela. Usar CGI em um fantasma ou em um monstro em filmes de terror não é tão chocante quanto usar um ator de verdade. É como se o seu cérebro automaticamente te dissesse que aquilo que você está vendo é, na verdade, falso. Até mesmo na cena em que os olhos dela brilham no meio da escuridão nós utilizamos efeitos práticos. Para fazê-los brilharem, colamos fitas refletivas no rosto de Alicia.”

Veja abaixo o trailer de Quando As Luzes Se Apagam.

Apesar de não assistir a tantos filmes do gênero, Maria acredita que Quandos As Luzes Se Apagam se destaca em relação aos demais uma vez que ele retrata sutilmente – entre os incontáveis sustos e sobressaltos – o conturbado e delicado relacionamento entre uma mãe esquizofrênica e os filhos dela.

“É um filme de terror? Sim. Mas também é um filme sobre uma família que precisa lidar com os transtornos mentais de um parente próximo”, declara a atriz. “Assim como minha personagem, também sofri por muitos anos com depressão, e eu sei muito bem o quão devastador e insuportável isso pode ser não apenas para você mesma, mas também para aqueles em volta.”