Resident Evil HD Remaster e Dying Light agitam os aficionados por jogos de terror

Atrações, que chegaram às lojas em janeiro, misturam ação, parkour, armas pesadas e artes marciais

Gus Lanzetta Publicado em 22/02/2015, às 13h13 - Atualizado às 19h54

Resident Evil HD Remaster
Divulgação

Janeiro foi um mês e tanto para os amantes de jogo eletrônicos que têm zumbis como ameaças constantes. Chegaram ao mercado brasileiro dois grandes lançamentos Resident Evil HD Remaster e Dying Light. O primeiro, foi lançado originalmente em 1996 para PlayStation. A nova versão traz visuais atuais, rodando em 1080p no PC e consoles da nova geração, e em 720p nos aparelhos mais antigos. Toda trilha sonora foi remasterizada, ganhando efeitos em 5.1.

Como um rapaz prodígio do Vietnã criou o game de sucesso Flappy Bird – e por que ele jogou tudo para o alto?

Já o segundo, Dying Light, mistura parkour - esporte cujo princípio é mover-se de um ponto a outro o mais rápido e eficientemente possível, usando principalmente as habilidades do corpo humano - aos zumbis gerados pelo apocalipse na cidade de Harran, na Turquia. O título de ação da Warner Interactive é, possivelmente, o primeiro grande hit do ano.

Resident Evil HD Remaster

Capcom

PC/PS3/PS4/360/XONE

Esse Nosferatu envelheceu mal, Resident Evil não é o clássico que esperamos

O terror é um gênero no qual obras tem dificuldade de se manterem atuais. É uma tarefa difícil criar atmosferas e situações universalmente assustadoras e tensas, especialmente quando elas dependem de efeitos visuais, que muitas vezes se aperfeiçoam e se atualizam de maneira a deixar tudo que veio antes obsoleto.

Nos videogames o problema é exacerbado, afinal eles são puramente efeitos visuais gerados em computador. Por isso, é difícil para um “clássico” do terror como Resident Evil se manter impactante e importante para um jogador em 2015. Mesmo tendo sido atualizado.

Não só seus visuais são limitados por uma tecnologia que evoluiu imensamente desde 1996 (quando foi originalmente lançado), mas a mecânica através da qual estamos acostumados a interagir com o ambiente e os personagens mudou muito. Alguns dos elementos mais desajeitados de Resident Evil estão lá em serviço da tensão que o jogo busca criar e existe um novo esquema de controles pra quem quer navegar pelos ambientes da sombria mansão de maneira mais fluida.

Há, porém, um distinto cheiro de coisa velha – que combina com a mansão antiquada que quase protagoniza o jogo. O ritmo, o combate travado e sem emoção e a atuação risível dão ao game um distinto ar de relíquia: serve para relembrar outros tempos, ver como eram as decisões de design da época, mas há pouco pra se tirar da experiência de jogá-lo como uma novidade do gênero terror.

O ainda medo existe, mas em boa parte ele deu lugar ao tédio. Especialmente pra quem não está embarcando nessa pela nostalgia.

Veja o trailer de Resident Evil HD Remaster abaixo:

Dying Light

Techland/Warner Bros.

PC/PS4/XONE

Zumbis e parkour com um amigo meio afobado

Parkour em primeira pessoa é uma ótima ideia nos videogames e desde o pioneiro Mirror’s Edge e, mesmo não sendo um aficionado por jogos de zumbis, estava com muita vontade de jogar Dying Light - mesmo que só para suprir essa minha carência por pulos, corridas e escaladas numa perspectiva íntima.

O cenário é Harran, na Turquia, e o apocalipse zumbi devastou quase todos. Os poucos sobreviventes do local se dividiram em duas facções, que você infiltra como um "faz-tudo" (uma espécie de office-boy do pós-apocalipse).

A maior parte do combate se dá com armas de contato (a munição é escassa). Há peso em todos os seus movimentos. É possível modificar armas de várias maneiras (adicionando baterias, por exemplo, é possível fazer um taco de beisebol que dá choque... E você pode botar uns pregos nele também), você vê também os ossos dos zumbis (ou de seus inimigos ainda vivos) se quebrando quando disfere pancadas mais fortes. Dar voadoras de duas pernas como se fosse tudo um grande rinque de luta livre é outro destaque.

Há um lado mais soturno em Dying Light durante o período noturno. O jogo segue a estrutura de mundo aberto, no qual as missões principais podem ser feitas a esmo quando você quiser, porém agir depois do pôr do sol é uma decisão de alto risco. Além da visibilidade diminuída, uma espécie de super-zumbi que corre, pula e joga tentáculos em você está a solta caçando humanos. Para quem se aventurar nesse horário, é possível evoluir as habilidades mais rápido. Quem é mais calminho, paciente e assustado pode optar por dormir numa das bases e esperar pra fazer a maior parte das missões durante o dia.

Para os assustados há uma solução: o modo cooperativo online. Nele seus amigos ou jogadores aleatórios podem completar as missões da história junto com você. Todo mundo ganha experiência e todo mundo fica feliz. Também é legal jogar "co-op" porque é possível lançar desafios para seus companheiros para ganhar mais pontos e variar as missões.

É com a quantidade de itens e habilidades que você pode gastar seu tempo e pontos que o jogo acaba se atrapalhando (e ao jogador). Suas armas todas eventualmente deixam de funcionar (até um simples cano de pia deixa de fazer efeito quando fica “gasto”). As suas habilidades são divididas em três fluxogramas diferentes e cada um tem pontos específicos que você usa pra comprar habilidades. Além de tudo isso, você acumula uma quantidade preocupante de itens que nem sempre sabe pra que servem, mas podem vir a ser usados pra criar armas novas. No geral o jogo te guia para o que deve ser usado, mas muito fica de escanteio, como é de se esperar quando a abundância é tão superior à necessidade.

Dying Light é um ótimo jogo de exploração e combate em um mundo aberto (que lembra, de maneira mais modesta, o recente Far Cry), mas adiciona tanta coisa pra tentar agradar que acaba parecendo um amigo tirando todos os brinquedos do armário e jogando na sua frente até você dizer: "Calma cara!".

Veja o trailer de Dying Light abaixo: