Two and a Half Men: elenco e criador falam sobre a despedida da série

Última temporada estreia nesta sexta-feira, 23, no Warner Channel

Carol Nogueira, de Los Angeles Publicado em 22/01/2015, às 18h06 - Atualizado às 18h56

Imagem da série Two and a Half Men
Divulgação

Depois de doze anos no ar, Two and a Half Men vai finalmente acabar. E com um grande suspense: há boatos de que Charlie Sheen voltará para fazer uma participação no episódio final, que vai ao ar no dia 19 de fevereiro nos Estados Unidos. No Brasil, a metade da última temporada estreia nesta sexta-feira, 23, no Warner Channel.

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Em evento realizado para jornalistas na semana passada em Los Angeles, o criador da série, Chuck Lorre, não confirmou, nem desmentiu o boato. “Não posso dizer como será, mas garanto que os fãs vão gostar”, afirma. A sitcom, que contava a história do ricaço mulherengo Charlie Harper (Sheen), seu irmão fracassado Alan (Jon Cryer) e o sobrinho Jake (Angus T. Jones), nunca conseguiu exatamente se recuperar do baque pelo qual passou há quatro anos, quando Sheen deixou o programa após brigas com Lorre. No lugar de Sheen, entrou o ator Ashton Kutcher no papel do bilionário Walden Schmidt, que manteve Alan na casa e leva uma vida parecida com a de Charlie.

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Lorre falou sobre a má fama gerada pelo acontecimento. “Seria inapropriado não reconhecer o sucesso que tivemos com Charlie e sou grato a ele”, diz. “Eu poderia ter sido mais legal. Aprendi nos últimos anos que não preciso ser um idiota para falar ‘não’”, afirma. Ele diz que não esperava que a série fosse durar sem Sheen. “Eu achava que não teria jeito”, confessa.

Já Cryer admite que ficaria feliz em ver Sheen no episódio final. “Gostaria de vê-lo de volta, seja na série ou na vida. Ele foi um ótimo amigo por oito anos”, afirma. “[A saída dele] foi um tanto agridoce. Eu fiquei triste em ver um amigo partir, mas me diverti muito nesses últimos quatro anos”, conta Cryer, que não tem planos futuros para a carreira dele.

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A série teve ainda mais problemas em 2012, quando Angus T. Jones postou vídeos na internet criticando o enredo e pedindo para que as pessoas não a assistissem – ele acabou deixando o programa oficialmente em março de 2014.

Na última temporada, já sem muita história para contar e sem o “meio homem” do título, Walden e Alan decidiram se casar para que pudessem adotar uma criança, em uma decisão de roteiro que fez até os fãs coçarem a cabeça. Lorre admite que o programa desvirtuou: “Virou uma coisa completamente diferente nos últimos quatro anos”.

Kutcher, que falou pouco durante a entrevista coletiva e não ficou para o “tête-à-tête” com jornalistas, desconversou. “As séries do Chuck, em geral, funcionam porque são baseadas no conceito familiar. Famílias que têm os mesmos problemas que a sua. As pessoas se identificam com isso”, afirma.

Os trabalhos das celebridades antes da fama.

No mesmo evento, Lorre falou ainda sobre as outras criações dele, The Big Bang Theory, Mike e Molly e Mom – ele diz estar se arriscando mais com a última, que estreou em 2013. No episódio inédito exibido com exclusividade durante as entrevistas, um personagem morre e o clima fúnebre faz o telespectador chorar mais do que rir.

O ator Jim Parsons, que interpreta Sheldon Cooper em The Big Bang Theory, rasgou seda para o chefe. “Acho que parte do sucesso dos programas de Chuck vem do fato dele ter sido músico antes de virar roteirista. Essas séries têm ritmo. É como se a risada tivesse um lugar certo para entrar. São como músicas pop”, opina.

Contudo, os atores admitem que raramente contrariam os roteiros. “Não, de jeito nenhum!”, falaram todos com cara de espanto, soltando risos nervosos que entregam que a má fama de Lorre talvez ainda tenha fundamento.

Simon Helberg (Howard) disse que ouvir a aprovação de Lorre é um alívio. “Quando Chuck ri dentro do estúdio, é uma sensação maravilhosa. Ele faz um som estranho, como se estivesse tossindo. Nunca pensei que eu fosse ficar tão feliz em ouvir alguém tossir.”