World of WarCraft estreia oficialmente no Brasil

"É uma maneira de agradecer aos jogadores", disse J. Allen Brack, diretor de produção de WoW, em entrevista à Rolling Stone Brasil

Bruno Raphael Publicado em 07/12/2011, às 19h16 - Atualizado às 19h33

World of WarCraft
Divulgação

Sete anos após seu lançamento, o game online World of Warcraft estreou oficialmente no Brasil na última terça, 6. Em evento em São Paulo, a produtora Blizzard Entertainment conseguiu fazer com que inúmeros fãs se aglomerassem para sentir um pouco como é uma BlizzCon, a popular feira da marca que é realizada anualmente nos Estados Unidos. Poucos dias antes, no site brasileiro de WoW, havia fãs radicais mostrando que se arriscariam a perder provas no colégio e até mesmo um dia de trabalho, se fosse preciso, para comparecer ao evento.

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“Por um lado, é um produto de entretenimento e gostaríamos que as pessoas o tratassem assim”, reflete J. Allen Brack, diretor de produção de WoW, em entrevista à Rolling Stone Brasil. “Por outro, é uma prova da paixão que os jogadores têm. Temos inúmeros brasileiros que estão jogando WoW em inglês há muito tempo e isso é uma maneira de agradecer a eles.”

E esse agradecimento é sempre muito bem recebido pelos fãs de WoW mundo afora. Os números da última BlizzCon, realizada nos dias 21 e 22 de outubro na Califórnia, ilustram bem essa devoção. A celebração levou cerca de 22 mil fanáticos pelo game ao evento (o ingresso saía por US$ 130, cerca de R$ 230). Este fanatismo, aliás, muitas vezes sai do mundo virtual e chega à vida real, seja de maneira positiva (em 2010, a revista Forbes publicou uma matéria em que ilustrava World of WarCraft como um ótimo meio de aprender a ser um bom líder, graças às missões interativas do game) ou negativa (Second Skin, documentário lançado em 2008, retrata, entre outras, a vida de Dan Bustard, um jogador de WoW cujo vício no jogo lhe custou um relacionamento, a saúde e a casa onde morava).

As homenagens também são vastas, dos Simpsons à série de TV geek Big Bang Theory, mas a mais famosa talvez seja um episódio da série animada South Park, chamado “Make Love, Not WarCraft”. Nele, os personagens começam a jogar WoW até que são assassinados repetidamente (dentro do mundo virtual) por outro jogador, um homem obeso e solitário que passa todos os dias da sua vida imerso na realidade do jogo.

South Park - Make Love, Not Warcraft (dublado)

“Quando o assunto é o WoW, nós tentamos incorporar um bocado de cultura e humor relevantes ao território em que o jogo opera”, conta Brack, informando que a versão nacional do terá em seus reinos e missões (chamadas de quests ou raids, quando envolvem missões em grupo) um certo “tempero brasileiro”. “É muito difícil saber o que as pessoas vão dizer, mas julgando pelo que vimos e ouvimos até o momento, estamos muito empolgados. No evento em que anunciamos a tradução do jogo a reação foi incrível.”

Uma das curiosidades entre o Brasil e o World of WarCraft é o uso de tecnologia nacional no game. Chamada de Lua, a linguagem de programação do jogo foi desenvolvida pela PUC-RJ em meados da década de 90. “Em termos mundiais, o Brasil é um país que tem se desenvolvido muito bem no que se refere à tecnologia na indústria dos games”, afirma o executivo.

Relembre a reportagem "A Dona do Mundo (Virtual)", sobre a produtora Blizzard Entertainment.

World of WarCraft está sendo disponibilizado aos consumidores brasileiros em versões em disco (R$ 29,90), vendidas em lojas e também pela internet, através do site Battle.net. Expansões, como Wrath of the Lich King e Cataclysm, são vendidas por R$ 99,90. Para os jogadores que já possuíam contas em servidores de fora do país, a Blizzard está dando a possibilidade, gratuita, de migrarem para um servidor nacional, com a condição de que os locais tenham uma grande quantidade de usuários brasileiros.

Além da mensalidade de R$ 15, outros planos são disponibilizados para o jogo. Por R$42, o usuário tem direito a um acesso de 90 dias e ao preço de R$78 pode jogar WoW por 180 dias. O pagamento pode ser feito via boleto bancário, cartões de débito e crédito.

“É sempre difícil dizer”, diz Brack, quando questionado se o gold farming – prática não aprovada pela empresa de contratar pessoas para jogar WoW em tempo integral e adquirir gold (a moeda do game) para trocar por dinheiro no mundo real – pode virar um problema no Brasil, como é na China onde, em maio deste ano, o jornal britânico The Guardian publicou uma matéria denunciando prisioneiros chineses que eram obrigados por guardas a jogar o game de madrugada. “Nunca sabemos as consequências de ter o jogo em um território. O game não ser em português não é algo que as impediu: se há pessoas fazendo isso no Brasil, já estão fazendo há algum tempo e não acho que será uma coisa nova.”

Para Brack, no entanto, a maior das dificuldades no processo de adaptação e localização da versão nacional de WoW foi mesmo o largo vocabulário da língua portuguesa. “Português é uma língua que tem muita similaridade com muitas outras europeias”, afirma. “Mas a dificuldade foi em larga escala: foram quatro milhões de palavras até o momento. Então, é uma investida monumental de nossa parte em fazer um bom trabalho, e leva tempo. Tudo que aconteceu foi uma grande experiência.”

Mas a tradução não visa apenas agradar aos antigos usuários. Brack vai além e, em um mercado vasto e inexplorado para MMMORPGs como o Brasil, ele quer aumentar o número de usuários mundiais 12 milhões de World of WarCraft. “Há muitas pessoas no Brasil que falam inglês bem, mas sempre que você traduz um jogo, se torna uma experiência melhor para o jogador”, diz o executivo. “Essa á intenção do WoW, e é claro que queremos trazer novas pessoas.”