Jazz e blues madrugada adentro

A última noite do festival de jazz e blues em Rio das Ostras teve shows extras

Antônio do Amaral Rocha Publicado em 12/06/2012, às 15h08 - Atualizado às 15h30

Armand Sabal Lecco no Rio das Ostras Jazz & Blues Festival

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O mau tempo que a cidade do litoral fluminense enfrentou entre os dias de 6 a 10 de junho, quando aconteceu a décima edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, inviabilizou o uso do espaço da pedra da Tartaruga e os shows antes programados para o local foram transferidos para o palco principal (Costa Azul) e Lagoa de Iriri. Por isso, a última noite do evento teve a programação esticada, somando perto de 8 horas de música.

Depois da bela apresentação do pianista Fabiano de Castro e trio que não estava prevista para o local, a programação da noite continuou com o quinteto Cama de Gato, formado pelo saxofonista Mauro Senise, Pascoal Meirelles (bateria), Mingo Araújo (percussão), Jota Moraes (teclados) e André Neiva (baixo). O show passou pelas três fases que já teve a banda fundada em 1985 e representou com categoria a sempre instigante música instrumental brasileira. Como a banda não aparenta ter propriamente uma estrela – apesar de Mauro Senise falar com a plateia – todos tiveram os seus momentos de destaque.

O baterista Billy Cobham, um monstro sagrado do instrumento e um dos fundadores da Mahavishnu Orchestra no início dos anos 70, foi a terceira atração da noite, acompanhado de Camelia Ben Naceur (teclados), Christophe Cravero (violino), Jean-Marie Ecay (guitarra), Michael Mondesir (baixo) e Junior Gill no estranhíssimo steel drum (tambor de aço) e percussão. O que se assistiu foi a um show que privilegiou o jazz fusion e até o rock progressivo, o que só veio a confirmar as origens do líder. Apesar de a bateria estar no comando, foi possível ouvir com perfeição a performance dos outros instrumentos. Isto porque Billy Cobham não precisa provar mais nada e sabe que a beleza do trabalho se faz com o brilho do coletivo.

O saxofonista David Sanborn, a quarta atração da noite, chamou bastante a atenção por estar muito magro. Soube-se em off que hoje ele só se alimenta frugalmente de arroz integral e mamão. Mas o que interessa é a música que ele toca, e, talvez por estar um pouco debilitado, fez o show mais curto da noite, com longos solos baseados em um repertório que lembrou muito uma certa sonoridade da década de 80. Com certeza, foi o músico mais recluso de toda esta edição do festival, não aparecendo para falar com a imprensa em momento nenhum. Nem por isso deixou de agradar ao público, que é o que interessa. Tocou acompanhado por Ricky Peterson (teclados), Nicky Moroch (guitarra), Ric Patterson (baixo) e Gene Lake (bateria).

Roy Rogers é aquele tipo de músico que parece ter sido forjado na raça. Sem firulas, pluga a sua guitarra double-neck slide guitar e já sai tocando. Foi o que aconteceu na quinta atração da noite. Com um intervalo curtíssimo entre um show e outro, quando as cortinas se abriram, Roy Rogers - e a Those Delta Rhythm Kings, formada por Steve Ehrmann, baixo, e Billy Lee Lewis, bateria - já entrou empolgando com a sua eletrizante forma de tocar na técnica slide. Ele é um mestre quando empunha o seu violão folk elétrico (bastante ralado). Foi um dos shows de maior apelo popular desta edição do festival, apesar da forte chuva que caiu durante a sua apresentação.

E como uma maré alta impediu Armand Sabal-Lecco de realizar o seu segundo show, programado para a tarde do dia anterior no interditado palco Tartaruga, acabou fazendo mais uma empolgante performance que avançou pela madrugada. Parecia mais relaxado, pois já tinha "enfrentado" aquele mesmo público na noite anterior. Aquela era mais uma oportunidade para mostrar toda a sua genialidade de baixista, que dá outra dimensão à técnica slap. Como na apresentação anterior, teve o percussionista brasileiro radicado nos Estados Unidos Gilmar Gomes na formação da banda.

Leia nos links abaixo a cobertura completa do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival.