Jerry Lewis deixou filme inédito e “maldito” sobre o Holocausto

Por vontade do comediante, The Day the Clown Cried nunca veio a público

Paulo Cavalcanti Publicado em 20/08/2017, às 18h59 - Atualizado às 21h44

Jerry Lewis no Festival de Cannes em 2013
Associated Press

Ainda não chegou aos olhos do público o filme mais polêmico feito por Jerry Lewis, que morreu neste domingo, 20, aos 91 anos.The Day the Clown Cried (em uma tradução livre, O Dia em Que o Palhaço Chorou), de 1972, é considerado o filme inédito mais infame de todos os tempos.

Na produção, ambientada na Alemanha Nazista, Lewis, que também dirige, vive o palhaço fracassado Helmut Doork. Ele é preso pela Gestapo por ridicularizar Adolf Hitler. Mais tarde, é mandado para o campo de concentração de Auschwitz. Lá, tem uma missão: divertir as crianças para que, enquanto elas estivessem felizes, fossem levadas para morrer na câmara de gás.

Lewis entrou de cabeça no projeto, mas, devido a inúmeros problemas financeiros e entraves logísticos e burocráticos, o filme nunca foi terminado. Por muito tempo, a lenda da comédia manteve a esperança de concluir a obra - guardava uma cópia sem edição que às vezes mostrava a amigos. O ator Harry Shearer foi um dos poucos que viram, tendo comentado que o filme era uma monstruosidade, um projeto de mau gosto oscilando entre a comédia e o drama.

Com o tempo, o filme virou tabu até mesmo para Lewis. Nas entrevistas que dava, ele detestava falar sobre The Day The Clown Died e dizia que o longa sobre o Holocausto era “pavoroso” e nunca seria mostrado aos telespectadores. Há alguns anos, apareceram filmagens dos bastidores. Este material raro dá uma ideia do que veríamos se o filme fosse concluído e exibido. Ainda há, no entanto, a chance de o material vir à tona: em 2014, Lewis doou uma cópia para a Biblioteca do Congresso Americano, contanto que o acesso público fosse liberado somente em 2024.

Veja abaixo cenas de The Day The Clown Died:

Neste outro vídeo, de 2013, Lewis fala sobre o filme.