The Jesus and Mary Chain volta ao Brasil após seis anos, mas não faz grandes planos

“Nós tocamos quando quisermos”, diz Jim Reid sobre a banda, que estava parada há um ano

Pedro Antunes Publicado em 24/05/2014, às 10h42 - Atualizado às 10h42

Jim Reid - Jesus and Mary Chain
Branimir Kvartuc/AP

A última vez que os irmãos William e Jim Reid estiveram sobre um mesmo palco foi em maio de 2013, em Barcelona. O estado de hibernação do The Jesus and Mary Chain permaneceu inalterado até agora, quando o grupo escocês chegou à América Latina. No Brasil, eles tocam no Festival Cultura Inglesa (neste domingo, 25, em São Paulo) e no Vivo Open Air (na terça, 27, no Rio de Janeiro). “Não fazemos muitos shows porque se você fica muito tempo na estrada, deixa de ser divertido”, diz Jim, falando por telefone da casa onde mora em Devon, na Inglaterra – o irmão William mora do outro lado do oceano Atlântico, na costa oeste dos Estados Unidos, em Los Angeles.

Em 2013, o festival Cultura Inglesa trouxe Magic Numbers e Kate Nash. Relembre como foi.

O tempo parado não assusta Jim Reid. “Espero que dê certo”, diz ele, esbanjando uma confiança que não se viu na última passagem do grupo pelo Brasil, em 2008, como atração no Planeta Terra. “Eu estava sóbrio”, lembra, bastante sério. “É estranho tocar sóbrio, não é algo que eu havia feito antes. Eu normalmente bebo uns drinques antes de subir ao palco. É meio aterrorizante.”

A maturidade chegou para os irmãos Reid. A decisão de morar tão distantes um do outro só prova que eles sabem que, juntos, são como gasolina e fogo, principalmente após uma relação tão conturbada ao longo dos anos do Jesus and Mary Chain. Jim decidiu morar em Devo, cidade costeira da Inglaterra e terra do Muse. “Vivi 20 anos em Londres”, recorda ele, sobre a juventude na cidade e na gravadora Creation Records, responsável por revolucionar o rock britânico nos anos 1980 e na década de seguinte, lançando Primal Scream, Teenage Funclub, My Bloody Valentine, Oasis e, claro, o TJMC.

Ouça: My Bloody Valentine lança primeiro disco em 22 anos.

Hoje, ele quer distância da loucura e da insanidade da metrópole. “Aqui é bem mais relaxante, entende?”, diz. “Definitivamente, não gostaria de criar meus filhos em Londres. Vir para Devon foi uma necessidade.”

A liberdade e a vida descompromissada refletem obviamente no projeto principal dos irmãos Reid, o Jesus and Mary Chain. Eles entendem que não se dão bem juntos. Munki, o último disco deles, saiu em 1998, e praticamente por muita insistência de ambos – a convivência já era tão ruim que, naquele mesmo ano, um show desastroso colocou um ponto final no grupo. O retorno só se deu em 2007, mas com turnês e encontros esporádicos.

“Não somos mais jovens garotos, podemos fazer o que queremos”, analisa Reid. “Não temos mais gravadora. Não é como antes, que precisávamos promover um disco. Não fazemos mais isso. Nós tocamos quando quisermos. Ninguém nos fala o que fazer.” Sobre o show que trará ao Brasil, Reid promete que os fãs “não vão se desapontar”. No palco, talvez, tudo volte a ser como era naquela efervescente e alucinógena década de 1980. “Estou bebendo de novo”, completa.