Jimin fala sobre perfeccionismo, saudade dos ARMYs, amor pela dança e futuro do BTS [ENTREVISTA]

"Temos dito para as pessoas realmente se amarem", diz Jimin. "Nesse ano, comecei a me dizer essas coisas"

BRIAN HIATT | ROLLING STONE EUA Publicado em 29/06/2021, às 07h00

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Capa Jimin para a Rolling Stone EUA (Foto: Hong Jang Hyun para a Rolling Stone)

Jimin, do BTS, descreve-se como "introvertido", o que pode ser uma surpresa para quem já viu sua extraordinariamente expressiva dança, ou no momento em que ele se inclina para trás e acerta um falsete, digamos, "Magic Shop". Na segunda entrevista da Rolling Stone EUA com cada um dos sete integrantes do BTS, Jimin contemplou o traço perfeccionista, descreveu sua experiência em um ano pandêmico, explicou o amor pela dança e mais. Ele deu suas extensas e atenciosas respostas de uma sala de estúdio no escritório da gravadora em Seoul, vestindo um casaco de inverno preto com zíper e um capuz de pele sintética branca, um grande chapéu preto e uma máscara branca para proteger um tradutor.

[Em comemoração à capa mensal da Rolling Stone do BTS, capas individuais digitais com cada integrante da banda foram publicadas diariamente ao longo de uma semana no mês de maio]

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Alguns fãs acreditam que você pode estar trabalhando em uma mixtape. Isso é verdade?

Para ser perfeitamente sincero, não existe realmente nada pronto ou preparado. Estou tentando novas coisas e realmente me desafiando em novas coisas. Mas, não há nada que esteja concreto ou pronto para ser lançado. 

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O que você aprendeu sobre você mesmo ao longo do último ano no seu tempo fora da estrada?

Percebi que nós temos dito às pessoas para realmente se amar e dizemos para as pessoas serem fortes. Neste ano, comecei a me dizer todas essas coisas também, e me convencer que isso também é algo que preciso manter em mente. Também percebi que existiram algumas vezes em que eu estava no meu limite com as pessoas ao meu redor. E pensei que eu deveria voltar a ser como era, para realinhar minhas engrenagens, por assim dizer, para eu poder me tornar a pessoa que eu costumava ser quando falamos sobre como eu trato as pessoas ao meu redor e como eu me trato. Agora, vejo as pessoas reagindo positivamente até mesmo às pequenas mudanças positivas. 

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Ao longo de sete anos ou mais, você contou com as ARMYs torcendo por você. No último ano, devido à pandemia, você precisou encarar o silêncio. Como você se adaptou a isso?

Continuo tendo uma série de pensamentos negativos em relação a essa situação. Você sabe, "Por que estamos nessa situação?", você sabe, "O que estamos fazendo?", e eu não queria precisar reconhecer ou admitir, ou encarar que nós não podemos ver nossos amigos e não podemos fazer coisas que temos feito, como você disse, ao longo dos últimos sete anos. 

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O que fez você querer dançar quando você era jovem, e como você percebeu ter talento para isso?

Primeiramente, nunca pensei que eu era bom dançando. Mas, comecei a gostar de dançar quando eu era jovem. Foram meus amigos que sugeriram que eu fosse aprender a dançar como uma atividade extra-escolar. Quanto mais eu fazia isso, comecei a gostar mais e passei a fazer mais aulas. E, eu me tornei mais e mais imerso nisso. E eu percebi, conforme eu continuava a aprender como dançar, que eu não tinha estresse quando eu estava dançando. Era meu espaço próprio onde eu podia ir para um mundo diferente, onde eu não precisava pensar sobre outras coisas. Era algo que eu poderia realmente mergulhar. E isso me fez sentir realmente livre. E me fez realmente feliz. Mesmo depois da minha estreia, eu ainda tenho esses sentimentos e emoções, dançar é a melhor resposta.

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Foto: Hong Jang Hyun para a Rolling Stone

Entendo que você não gosta de cometer erros. Mas isso pode fazer com que você seja muito duro consigo mesmo, não pode?

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Quando debutei, eu tive o menor período de treinamento. E sinto que eu não estava totalmente preparado e confiante quando debutamos. Ainda tenho meus defeitos. Fico sempre comovido com os fãs que se dedicam - o tempo, as emoções, tudo sobre eles mesmo - para valorizar o que faço e amar o que faço. Isso faz com que eu sinta que, devido ao bem e à devoção deles, não devo cometer erros. Portanto, se você perguntar como posso aprender a ser mais fácil comigo mesmo ou mais generoso comigo mesmo, penso que será algo que continuará a ser muito difícil para mim devido a como me sinto. Quando as pessoas apontam coisas nas quais preciso trabalhar, isso costumava me deixar realmente bravo comigo mesmo. Agora, me sinto grado se as pessoas apontam coisas nas quais preciso trabalhar. Faz com que eu queira me esforçar mais.

Quem foram alguns dos seus primeiros heróis musicais?

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Existem muitos artistas que me influenciaram. Artistas estrangeiros - como Michael Jackson, Usher - assim como muitos artistas coreanos. Mas, muito da minha inspiração musical vem de assistir como os outros integrantes fazem o trabalho deles. 

Você foi um tipo de coordenador de projeto do Be. O que você aprendeu dessa experiência?

O que aprendi primeiramente foi quão sinceros foram os integrantes ao fazer o disco e ao fazer música. Muito tempo e esforço são precisos na criação de uma música. O que também aprendi com isso é que eu devo dedicar esse tipo de tempo e esforço para fazer e criar música, assim como também devo tentar fazer música boa. Eu fiquei realmente inspirado por como os outros integrantes contribuíram nesse processo e como todos nós trabalhamos nesse disco. 

Vocês todos disseram muitas vezes sobre as diferenças entre os integrantes que vocês superaram ao longo dos anos. Você pode explicar melhor sobre todas essas diferenças? 

[Risos] São tantas que eu não poderia listá-las. Nós todos tínhamos diferentes personalidades, personalidades que conflitam. E eu, por exemplo, me considero um pouco mais lento, mais contemplativo ou mais introvertido. Depois estão os outros integrantes que querem fazer as coisas muito rapidamente. Eles são muito mais ativos e extrovertidos. Depois estão os outros integrantes que são mais introvertidos e mais devagar do que eu. Portanto, certamente, todas essas personalidades continuam a se chocar. Penso que todos nós desenvolvemos um entendimento de que está tudo bem termos essas diferenças, algumas pessoas serão mais devagar e outras mais ativas. Às vezes, precisamos esperas. Às vezes, precisamos fazer mais perguntas. Penso que todos nós desenvolvemos uma maneira de nos entendermos uns aos outros. 

Amo a música "Serendiputy" de 2017. Você realmente se esforçou como cantor nela. Você poderia compartilhar suas lembranças de gravá-la?

Penso que foi a primeiras que realmente tentei destacar todas as nuances da minha voz e focar em cada detalhe da minha expressão vocal. Portanto, foi muito difícil garantir que isso fosse traduzido para a gravação. E eu apenas me lembro do processo de gravação ser muito difícil devido ao quão duro tentei ter certeza de que eu estava focado em todos esses detalhes, e ter certeza de que todos eles foram expressos na canção. 

Você gostaria de ainda estar no BTS aos 40 anos?

Nunca pensei realmente em não ser parte deste grupo. Não consigo imaginar o que eu poderia fazer sozinho, o que eu poderia fazer sem a equipe. Mesmo antes de debutarmos, meu objetivo era continuar a trabalhar com essas pessoas, continuar a cantar com essas pessoas. Penso que quando eu ficar mais velho, e deixar minha própria barba crescer, eu gostaria de pensar que, no final quando eu estiver muito velho para dançar, eu gostaria de sentar em um palco com os outros integrantes, cantar e interagir com os fãs. E me comunicar com os fãs. Penso que isso seria maravilhoso, também. Portanto, eu gostaria de continuar com isso enquanto eu puder.


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