Jodorowsky, que quase dirigiu versão psicodélica de Duna, critica remake de Denis Villeneuve

O cineasta chileno reclamou do rumo comercial e "previsível" da nova versão

Redação Publicado em 18/09/2020, às 16h37

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Timothée Chalamet como Paul Atreides e Rebecca Ferguson como Lady Jessica Atreides em Duna (Foto: Warner/Vanity Fair)

O cineasta chileno Alejandro Jodorowsky, conhecido por filmes extremamente experimentais, artísticos e psicodélicos, tentou nos anos 1970 criar uma versão única de Duna, mas infelizmente não conseguiu.

Agora, com o remake de Denis Villeneuve a caminho, ele decidiu opinar, em uma entrevista ao Le Point, sobre o rumo do novo longa. "Espero que a versão dele de Duna seja um grande sucesso, porque Denis Villeneuve é um bom diretor, e já ouvi muita coisa boa sobre ele", começou.

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Apesar desse início aparentemente positivo, Jodorowsky completou: "Eu assisti ao trailer. É muito bem feito. Dá para ver que é cinema industrial, que tem muito dinheiro envolvido, que foi muito caro para fazer."

"Mas se foi realmente muito caro, precisa compensar em proporção. É aí que está o problema: não tem surpresa. A forma é idêntica a tudo que é feito em todos os lugares, a iluminação, a atuação, tudo é previsível."

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Nos anos 1970, ele tentou fazer uma versão psicodélica de Duna com o estilo de cinema que costuma fazer. Para se ter uma noção, o ícone do surrealismo Salvador Dali seria um dos imperadores.

Mas as proporções do projeto se mostraram tão ambiciosas e absurdas, que a produção se tornou inviável tanto em questão de dinheiro quanto em relação a tecnologia, que não dava conta de criar tudo que Jodorowsky havia visualizado para o filme.

Toda essa tentativa foi retratada no documentário Jodorowsky's Dune.


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