Jorge Ben Jor faz aniversário nesta quinta, 22

Responsável por grandes clássicos da MPB, Ben Jor criou o samba-rock, incorporou ritmos africanos e temas esotéricos à sua música e influenciou diversos dos artistas brasileiros que viriam a seguir

Redação Publicado em 22/03/2012, às 06h35 - Atualizado às 15h25

Jorge Ben Jor
Divulgação

O ano de nascimento de Jorge Ben Jor foi alterado neste texto às 15h29

Nesta quinta, 22, o cantor e compositor Jorge Ben Jor completa 67 anos (embora haja inúmeros registros de que ele tenha nascido em 1942). Um dos maiores expoentes que surgiram na música brasileira no início dos anos 60, Ben Jor celebra hoje uma carreira de mais de 50 anos e hits conhecidos em todo mundo, como “Mas Que Nada”, “Taj Mahal”, “Fio Maravilha” e tantas outras músicas que fazem parte da história cultural do Brasil.

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Jorge Duílio Lima Meneses nasceu em 22 de março de 1945, no Rio de Janeiro. Desde pequeno, absorveu as influências culturais africanas que recebeu de sua mãe, Silvia Saint, de descendência etíope. Com o gosto mesclado ao amor pela bossa nova e pelo samba, desde os treze anos o menino Jorge já batucava seu pandeiro, e logo entrou para o coral da igreja.

Aos 18, comprou o primeiro violão e começou a tocar em bailes no início da década de 60, com o nome artístico Jorge Ben (ele acrescentou o Jor em 1989, após confusões de nome com o cantor George Benson). Mas foi no Beco das Garrafas, boêmia travessa do bairro de Copacabana, que ele começou a jornada rumo ao sucesso.

As primeiras execuções de “Mas Que Nada” foram ouvidas nas casas noturnas do local, antes mesmo que seu debute Samba Esquema Novo (1963) chegasse às lojas. Lá, um executivo da gravadora Philips o ouviu e o contratou, lançando em seguida um compacto com a música “Por Causa de Você”. Já no LP, estavam presentes outros clássicos do repertório de Ben, como “Chove Chuva”, “Balança Pema” e “Menina Bonita Não Chora”, que influenciariam muitos dos artistas brasileiros de MPB que viessem a seguir.

A batida inusitada de violão que Ben tocava – uma mistura entre o samba e o rock, gênero com o qual ele também trabalhou na sua época de bailes – gerou repercussão entre os críticos da época, que elogiavam a singularidade nas composições do carioca. Os álbuns seguintes trariam ainda músicas como “Anjo Azul” e “A Princesa e O Plebeu”, que começavam a exaltar a ligação de Ben com temas místicos e históricos, algo que seria melhor explorado em sua obra posteriomente.

Na segunda metade dos anos 60, vieram as primeiras parcerias de peso. “Menina Gata Augusta”, canção composta por Jorge Ben e Erasmo Carlos na época em que ambos moravam em São Paulo, foi incluída no álbum O Bidú: Silêncio No Brooklin (1967), em que Ben teve como banda de apoio o grupo carioca The Fevers, em atividade desde 1964. “A Minha Menina”, clássico do repertório dos Mutantes, foi cedida por Ben para o disco de estreia da banda, e “Queremos Guerra”, uma parceria com Gilberto Gil, lançada como compacto em 1968.

Em 1969, veio Jorge Ben, disco que marcaria o início da chamada “fase esotérica” do cantor, que é considerada uma de suas mais aclamadas musicalmente. “Take It Easy My Brother Charles”, “Bebete Vãobora” e uma de suas canções mais famosas, “País Tropical”, figuram no repertório do álbum arranjado pelo maestro Rogério Duprat. A capa do disco, desenhada pelo artista plástico Albery, também exibe uma das (muitas) demonstrações de amor que Ben viria a fazer pelo Flamengo – seu time do coração, no qual chegou, quando adolescente – na carreira.

Apesar de nunca ter se enquadrado em nenhum movimento musical da época, Ben Jor chegou a participar de programas de TV como Jovem Guarda e O Fino da Bossa, apresentados por Roberto Carlos e Elis Regina ao lado de Jair Rodrigues, respectivamente. Também foi associado ao movimento do Tropicalismo, apesar de nunca ter se assumido um tropicalista. “Jorge Ben, sem criar uma ‘fusão’ artificiosa e homogeneizante, apresentava um som de marca forte, original, pegando o corpo de questões que nos interessava atacar, pelo outro extremo, o do tratamento final, enquanto nós chegávamos a soluções variadas e tateantemente incompletas nesse campo”, escreveu Caetano Veloso sobre a diferença entre Ben e os tropicalistas, em seu livro Verdade Tropical (1997).

No começo da década de 70, vieram novas canções, como “Fio Maravilha”, “Oba, Lá Vem Ela”, “Que Maravilha”, “O Telefone Tocou Novamente”, “Porque É Proibido Pisar Na Grama” e a exaltação “Negro É Lindo”, músicas que seriam reinterpretadas no futuro por nomes como Wilson Simonal, Charlie Brown Jr. e Cidade Negra, entre tantos outros. “Taj Mahal”, um dos maiores clássicos de Ben, surgiu da paixão do cantor pela literatura. “A história do Taj Mahal é linda, na Índia”, disse ele em entrevista à revista Trip, em 2009. “O príncipe Xá-Jehan era persa, na época em que a Pérsia dominava. E ele casou com Nunts Mahal, devia gostar muito dela, porque tiveram 14 filhos e ele ainda contratou os melhores artesãos turcos e italianos para fazer aquele palácio maravilhoso de pedras preciosas, o Taj Mahal.”

A Tábua de Esmeralda, lançado em 1974, foi um disco que o próprio Ben classificou como “alquimia musical”. “Os Alquimistas Estão Chegando”, com versos como “executam segundo as regras herméticas/ desde a trituração, a fixação, a destilação e a coagulação”, acabou representando uma guinada no estilo lírico do cantor, que levava a influência de livros como Eram Os Deuses Astronautas? (1968) em canções como “Errare Humanum Est” e “Hermes Trismegisto e sua Celeste Tábua de Esmeralda”. “O Homem da Gravata Florida”, “Menina Mulher da Pele Preta” e “5 Minutos” eram outras grandes canções presentes no álbum, mas que não lidavam com temas semelhantes.

Em 1975, lançou Gil & Jorge: Ogum – Xangô, disco conjunto com o antigo parceiro Gilberto Gil. Um ano depois, veio outro trabalho aclamado pela crítica: África Brasil introduzia Jorge Ben à guitarra com misturas de samba-rock, funk e ritmos africanos que resultaram em músicas como “Ponta De Lança Africano (Umbabarauma)”, “Xica da Silva” e “Meus Filhos, Meu Tesouro”.

Nessa onda, veio a trilogia Tropical (1977), A Banda do Zé Pretinho (1978) e Salve Simpatia (1979), que traziam antigas canções repaginadas e visavam mais o mercado norte-americano, não sendo bem recebidos pela crítica. Nos anos 80, ele lançou canções como “Olha a Pipa”, “Santa Clara Clareou” e “Cowboy Jorge”, entre outras. A década de 90 foi pouco prolífica para Ben, que lançou apenas dois discos, 23 (1992) e Homo Sapiens (1995). “Engenho de Dentro” e “Gostosa” estão entre os maiores sucessos dessa fase.

Em 2002, Ben Jor voltou a lançar novos trabalhos com Acústico MTV, que trazia novas versões para antigos clássico. O ano de 2004 marcou o retorno das composições inéditas em Reactivus Amor Est - Turba Philosophorum, quase dez anos após seu último disco. Três anos depois, ele lançou Recuerdos de Asunción 443, um apanhado geral de canções não lançadas e uma composta especialmente para o álbum, “Emo”.

Embora seus últimos trabalhos não tenham tido a mesma aclamação de seus clássicos, Jorge Ben Jor é detentor de tantas músicas eternas que não precisaria compor outra canção sequer: ele já tem cravado o nome na "tábua de esmeralda" da música brasileira, e sempre será visto como um artista único, precursor e visionário. Se você for hoje a um show de Ben Jor, verá um público jovem, que dança maravilhado ao ritmo singular criado pelo músico. A obra dele passa de geração em geração, sem envelhecer nem um minuto. E isso é para os mestres.

Jorge Ben Jor foi eleito o quinto maior artista da música brasileira pela Rolling Stone Brasil em 2008. Clique aqui para reler o texto