Judas Priest e Alice in Chains dão aula de história do rock em São Paulo

Bandas do grunge e heavy metal, com décadas de estrada, são professorais durante as apresentações do Solid Rock

Paulo Cavalcanti Publicado em 11/11/2018, às 10h55

None
Judas Priest se apresentou em São Paulo (Foto: Camila Cara / T4F)

Depois de passar por Curitiba no dia 8, na Pedreira Paulo Leminski, o festival Solid Rock chegou à São Paulo, neste sábado (10), no Allianz Parque.

As atrações, Black Star Riders, Alice in Chains e Judas Priest, vieram para mostrar várias vertentes do rock pesado e fizeram alegria da cercas de 35 mil pessoas presente ao local, que tiveram que enfrentar um dia carrancudo e com cara de chuva, embora não tenha caído praticamente uma gota de água a noite toda.

O festival começou por volta das 18h15 com a atuação dos britânicos Black Star Riders, novidade para o público brasileiro. A banda, na verdade, surgiu das cinzas do Thin Lizzy, grupo clássico surgido nos anos 1970, que revelou o lendário guitarrista Phil Lynott.

A idéia de mudar o nome foi boa, já que os músicos ganharam nova identidade, mas não perderam as características sonoras originais.

A sólida e compacta atuação da banda trouxe os pontos altos All Hell Breaks Loose (2013), The Killer Instinct (2015) e o bem-sucedido Heavy Fire (2017). Eles também tocaram alguns antigos clássicos do Thin Lizzy como “ The Boys Are Back in Town ” e “Jailbreak”.

O hard rock à antiga dos ingleses, com destaque para o vocalista Ricky Warwick e para a dupla de guitarristas Scott Gorham e Damon Johnson, no geral agradou a legião de fãs, que aquela altura, já começava a tomar conta do estádio.

Às 19h30, foi a vez do Alice in Chains, veteranos do grunge que também passearam com versatilidade por outras vertentes do rock pesado. Apesar de algumas mudanças na formação e algumas paradas forçadas, a trupe de Seattle acumula mais de trinta anos de estrada.

Portanto, a banda norte-americana é uma máquina azeitada e extremamente potente. William DuVal (vocal, guitarra base), Jerry Cantrell (guitarra solo), Mike Inez (baixo) e Sean Kinney (bateria) mostraram a competência e garra de sempre.

A turnê do Alice in Chains é relativa a Rainier Fog, álbum que eles lançaram há alguns meses. Deste trabalho, tocaram “The One You Know”, que se juntou a antigos petardos da década de 1990, entre eles “Man in The Box” e “We Die Young”, além de algum material mais contemporâneo (“Check My Brain”, que abriu o show).

Os músicos encerraram a perfomance com “Would” e “Rooster”, lançadas no icônico Dirt (1992).

O Judas Priest, os astros da noite, apareceram no palco do Allianz às 21h15. O quinteto britânico desta vez veio para apresentar o álbum Firepower, lançado em março deste ano.

É claro, os veteranos também revisitaram vários pontos altos de sua ilustre e influente carreira que já dura quase cinco décadas.

Nada é mais marcante em um show do Judas Priest do que a presença do cantor Rob Halford. Aos 67 anos, o frontman ainda tem a energia de alguém bem mais jovem, movimentando-se com desenvoltura pelo palco, agitando o público e trocando sua vistosa indumentária inúmeras vezes.

A voz dele, uma das mais puras e potentes do heavy metal, segue intacta e fez eco pelos quatro cantos do Allianz. Nestes últimos tempos, o Judas também passou por algumas mudanças na formação.

Agora, o guitarrista Richie Faulkner se encontra no lugar do fundador K. K. Downing, que saiu devidos a problemas de saúde.

Faulkner, devidamente entrosado, demonstrou segurança e recriou os riffs clássicos de autoria de Downing. O quinteto inglês já abriu a apresentação com “Firepower”, faixa que dá nome ao mais recente disco.

A partir daí, o Judas engrenou uma seleção de canções que fizeram história do heavy metal como “The Riper”, “Turbolover”, “Hell Bent For Leather” (onde Halford fez sua habitual entrada no palco em uma motocicleta – desta vez, foi em uma Harley- Davidson branca), “Painkiller”, “Electric Eye” e outras.

O bis ficou com as indispensáveis “Breaking The Law” e “Living After Midnight”. O Judas Priest deixou o palco por volta das 22h45, com Rob Halford agradecendo ao público e exaltando as alegrias e virtudes do heavy metal.

O Solid Rock vai ter sua última apresentação no dia 14, no KM de Vantagens Hall, em Belo Horizonte.