Julie & Gent se junta à turma de Billy Idol e Angélica com a doce e surpreendente música "Enquanto Você Não Está"; assista

Banda formada por Júlia Gutierrez e Gentil Nascimento lança primeiro single para introduzir à nova fase, com letras em português

Pedro Antunes Publicado em 16/05/2019, às 09h41

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Júlia Gutierrez e Gentil Nascimento formam o duo Julie & Gent (Foto: Fernando Biagioni)

O banjo, os gritinhos de "ôôôô", as vozes de Júlia Gutierrez e Gentil Nascimento. Tudo faz parte de um feitiço, como aquele abraço quentinho numa manhã fria debaixo das cobertas, de "Enquanto Você Não Está", a primeira música em português do duo Julie & Gent.

O vídeo, antecipado aqui na Rolling Stone Brasil, nesta quinta-feira, 16, tem a produção executiva, a captação e a edição assinadas por Gentil Nascimento, e direção de arte de Luiza Barcelos. Na tela, a estrela é a atriz Fernanda Bontempo.

Os dois trabalhos anterior do duo, o EP Partners in Crime (2016) e o disco The Convenience of Fate, faziam parte de um primeiro momento do grupo, com composições em inglês. Agora, os dois belo-horizontinos entram numa nova fase.

"Como um todo, o resultado deixou o trabalho do Julie & Gent mais pop e mais democrático e, ainda respeita as nossas origens musicais e principais influências. A nossa impressão é que este trabalho conseguirá ir mais longe e levar uma mensagem a um número maior de pessoas", explicou Gentil.

O desejo por mudança se deu no palco, enquanto lançavam The Convenience of Fate. "O português foi uma forma de sair completamente da zona de conforto e representa exatamente essa aventura pra gente", ele conta.

Mas ele garante: "Mantivemos a pegada folk, inclusive levando para uma onda mais moderna, e acrescentamos o português."

Gravada em maio de 2019, no estúdio Sonastério, em Belo Horizonte, mixada por Arthur Damásio e masterizada por Nando Costa, a canção surpreende, de fato.

Como um bolo com cobertura, "Enquanto Você Não Está", tem, acima, a doçura de ambos, em uma canção construída na base de versos de saudade.

"Não há distância que me afaste de você /
e não há tempo que me faça esperar /
Na sua ausência a ansiedade é o presente mais difícil de aceitar"

A sensação de ausência, a cobertura do bolo metafórico, cresce ao longo da canção, como é possível perceber abaixo:

"Todos os dias me apaixonei por seu sorriso por seu olhar. Mesmo quando não me expliquei / você sabia me consolar. Eu procuro e não vejo, alguém para me confortar /
De olhos fechados você me vem e conta que eu não vou achar"

E aí, por fim, chegamos ao refrão:

"E com pensamentos, fervo meu corpo até me refrescar, fervo meu corpo até me refrescar, fervo meu corpo até me refrescar".

Vocês aí já sacaram o que está se passando em "Enquanto Você Não Está"?

Sim, Julie & Gent tratam, com todo o açúcar e delicadeza possível, da tradicionalmente azeda (e controversa) temática da masturbação. E é lindo. 

"Quando contei para o pessoal do estúdio, já após a gravação, que a música era sobre masturbação, a ração foi engraçada", relembra Gentil, "Trazer este assunto em uma estrutura moderna e pop como fizemos é algo que gera certa surpresa nas pessoas."

"Acredito que uma música deve vir sempre acompanhada alguma mensagem que tire as pessoas da zona de conforto, em qualquer aspecto", argumenta o músico. "Essa música aborda a masturbação como forma de aproximar duas pessoas que se amam ou ainda para reforçar o amor próprio dentro da gente."

O vídeo, que pode ser assistido abaixo, entrega de forma mais clara a temática da canção. "O clipe reforça a ideia da masturbação como aproximação de si mesmo. Achei a ideia do espelho a forma mais metafórica e bonita de se falar de masturbação", avalia Gentil.

Assista ao vídeo de "Enquanto Você Não Está", de Julie & Gent: 


Corajoso, o duo Julie & Gent normatiza o que já deveria deixar de ser tabu em 2019. Também trazem a temática para um ambiente estético bastante adorável e a relacionam com outros sentimentos mais comuns em canções românticas, como a saudade e a solidão.

Com a canção, Julie & Gent também se colocam em um curioso e seleto grupo de artistas que já trataram do tema de forma discreta ou metafórica em suas músicas, de Billy Idol (com o hino oitentista "Dancing with Myself") a Angélica (sim, ela mesma, nos versos da clássica "Vou de Táxi). 

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