Júlio Barroso e a Gang 90: a história do beatnik e 'marginal conservador' que ajudou a fundar o rock brasileiro dos anos 1980

Com a volta da Gang 90 aos palcos, amigos celebram a história do grupo que emplacou uma música de sexo selvagem na novela da TV Globo

Guilherme Bryan* Publicado em 23/02/2019, às 09h00

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O 'marginal conservador'Júlio Barroso (A foto acima e publicadas nesta reportagem pertencem ao arquivo pessoal de Taciana Barros)

“Perdidos na selva / Mas que tremenda aventura / Você até jura / Nunca sentiu tamanha emoção / Meu uniforme brim cáqui / Não resistiu ao ataque / Das suas unhas vermelhas / Meu bem, você rasgou meu coração”.

Se hoje esses versos parecem sensuais e ousados, imagine nos anos 1980. E foi em 10 de julho de 1981, Júlio Barroso, a frente da banda Gang 90 & As Absurdettes, como vocalista e compositor, apareceu no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, durante o festival MPB Shell, exibido pela TV Globo, com versos lascivos como esses.  

"Foi um choque. Era muito impressionante ver aquelas mulheres libertárias e aquele cara louco, com aquela letra complexa e, ao mesmo tempo, popular. Foi a primeira banda que se tem registro da new wave brasileira”, garante Taciana Barros, integrante original do grupo, e responsável por colocar o Gang 90 de volta à ativa depois de 30 anos de ausência.

Sem Júlio Barroso e Gang 90, o rock brasileiro dos anos 80 não existiria

Mas, afinal, quem foi Júlio Barroso? “Trata-se de um personagem muito icônico de uma era em que a cultura brasileira estava em transição. É o período da abertura política e em que surge o rock brasileiro dos anos 80. O Júlio é precursor dessa geração, mas lança e posiciona algumas peças fundamentais no tabuleiro com muita propriedade", conta o jornalista Ricardo Alexandre, autor do livro Dias de Luta – O rock e o Brasil dos anos 80, de 2002, e diretor do documentário Júlio Barroso: Marginal Conservador, de 2013.

"Uma delas é a obsessão pela informação", lembra Alexandre. "Uma vez que atuava no jornalismo, na discotecagem, na noite, no exterior e no Brasil. Ele era sempre visto como um professor.”

Júlio Barroso nasceu no Rio de Janeiro, em 18 de dezembro de 1953, mas é visto até hoje como uma figura simbólica da noite de São Paulo.

Também passou uma temporada em Nova York, nos Estados Unidos, onde atuou como DJ, função que voltaria a exercer em casas noturnas como Paulicéia Desvairada, em São Paulo, e Noites Cariocas, no Rio de Janeiro, ambas comandadas por Nelson Motta.

“Ele exerceu o papel de precursor, de porta de lança, de vanguarda criativa. Foi o exemplo mais perfeito do ‘do it yourself’ (lema punk ‘faça você mesmo’). Tinha letras inteligentes, influência beatnik, alma underground. Era um doidão adorável. Sua Gang 90 & As Absurdettes paulista dividiu com a Blitz carioca o papel de banda seminal do Rock Brasil. Hits como ‘Perdidos na Selva’ e ‘Nosso Louco Amor’ são essenciais do rock brasileiro movido a amor e humor”, comenta Nelson Motta.

Foi em Nova York onde Júlio Barroso entrou em contato com todas as novidades musicais da época, caso da new wave e do pós-punk.

“Ele ficava com malas e malas de discos. Numa época em que era muito difícil a gente conseguir ter acesso as coisas, ele chegava com um monte de informações. Então quem se aproximava dele, tinha um choque cultural. Tinha injeção de música na veia. Era muito importante. Ele fez isso com muita gente em São Paulo e no Rio”, lembra Taciana.

As novidades também eram anunciadas por Júlio Barroso por meio de artigos que escrevia para revistas musicais mais alternativas, caso da “Som Três”, ou mais populares, como a “Veja”.

Um exemplo é esse texto publicado na “Veja”, de 18 de fevereiro de 1981: “Uma geração de roqueiros sacode a música internacional e decreta o início de uma nova onda. Existe no ar uma urgência de renovação, uma aposta política no inusitado, uma certeza de que nada será como antes (...) É como se o ‘sonho’ dos anos 60 nunca tivesse acabado. A nova onda se revela, no fundo, uma onda permanente que atravessa gerações em eterna busca de renovação”.

Atitude e pouco conhecimento musical: Essas tais Absurdettes

A Gang 90 & As Absurdettes nasceu da ideia de Júlio Barroso de trazer as novidades da new wave para a música brasileira. Mas ele não tocava qualquer instrumento musical. A ideia seria testada numa única apresentação no Pauliceia Desvairada.

Apoiado por Guilherme Arantes (um dos autores de “Perdidos na Selva”) e o poeta Tavinho Paes, ele reuniu um time de grandes músicos, como o baterista Gigante Brazil, Celsão (ex-Made in Brazil) e Lee Marcucci e Wander Taffo (ambos do Rádio Táxi).

“Pedimos para ele fazer uma letra e ele topou. O nome é ‘Convite ao Prazer’. Daí para a frente nos aproximamos e veio o convite dele para entrarmos na Gang 90, quando gravamos ‘Perdidos na Selva’. Antes dos shows na Pauliceia Desvairada, tomávamos um café expresso no bar e ficávamos conversando, rindo. Era muito divertido”, lembra Lee.

Para se juntar a eles, quatro garotas foram selecionadas mais pela atitude do que pelo conhecimento musical. Eram elas: Luiza Maria, Denise Barroso (irmã de Júlio, sob pseudônimo Lonita Renaux), May East (Maria Elisa Caparelli Pinheiro, relações públicas do Paulicéia) e Alice Pink Pank (Alice Gwendolyn, cantora, bailarina e tecladista holandesa que vocalizou o disco “Boy”, da banda irlandesa U2).

Foi com essas garotas que Júlio Barroso gravou o primeiro e mais conhecido álbum do grupo, Essa Tal de Gang 90 & As Absurdettes (1983), que contou na parte instrumental com Herman Torres, Gigante Brazil, Albino Infantozzi (bateria), Luiz Paulo Simas (teclados), Otávio Fialho (baixo elétrico) e Wander Taffo. Ali estavam os hits “Telefone”, apenas de Júlio; “Perdidos na Selva”; e “Noite e Dia”, parceria com Lobão.

A vida sexual do selvagem foi parar em abertura de novela da TV Globo

O grande sucesso do álbum “Essa tal de Gang 90 & Absurdettes” foi “Nosso Louco Amor”, composto por Júlio Barroso e Herman Torres, que contagiou os ouvintes com versos como “Nosso louco amor / está em seu olhar / quando o adeus / vem nos acompanhar / sem perdão não há / como aprender e errar / meu amor, / vem me abandonar”.

Resultado: serviu de título e foi parar na abertura da novela das 8 da TV Globo na época, Louco Amor, no ar em 1983. 

“Quando terminamos o disco, eu estava num hotel e nem consegui dormir. O disco estava muito legal, mas faltava um elemento um pouco mais pop que serviria para abrir caminho para o resto do trabalho, que era muito diferente do que se fazia na época. Foi aí que surgiu ‘Nosso Louco Amor'", conta Herman Torres.

Torres escreveu a canção baseados em textos de Júlio escritos em guardanapos. Eram escritos sobre "uma coisa grandiosa e ensandecida, que era o amor que ele sentia na época pela Alice Pink Pank", ele explica.

"Então é o romance dele, mas, no final, descobrimos que é a história de amor de todos nós. Um amor, até que se prove o contrário, é um louco amor, porque a paixão é um passo antes da grande loucura.”

Herman Torres e Júlio Barroso se conheceram ainda adolescentes no Rio de Janeiro, no final da década de 1960. “Júlio era uma pessoa muito forte e intensa. O que me chamou atenção foi sempre aquele riso largo e o interesse dele pela modernidade e pelo que acontecia no mundo. Eu sempre fui exclusivamente músico e o Júlio vivia sonhando com textos poéticos e imagens. A gente só vivia junto, como uma família de poetas e criadores”, conta Herman.


Ponto de encontro da cena paulistana do início dos anos 1980

Eles ficaram mais de uma década sem se ver e foram se reencontrar apenas em 1982, na época do festival MPB Shell, num bar do Leblon. “Foi quando ele disse que me queria na banda. Eu não pensei duas vezes. O Júlio queria uma linguagem mais visceral e urbana. Uma coisa que registrasse a modernização do rock. Mas faltava alguma coisa nisso tudo e, me permita a falta de modéstia, é o que foi criado por mim. Os ensaios e shows da Gang eram uma loucura. A gente nunca conseguiu ganhar dinheiro suficiente porque os empresários fugiam com a grana e o Júlio convidava 300 músicos ao mesmo tempo para participar”, relata Herman.

Não é à toa que a Gang 90 tornou-se uma espécie de ponto de passagem para muitos músicos que se destacaram depois ou quase na mesma época. Esse é o caso de, entre outros, Edgard Scandurra (Ira!), Skowa (Skiowa e a Máfia), Willie (Rádio Táxi), Antonio Pedro e William Forghieri (Blitz), Lobão, Tavinho Fialho (baixista de Arrigo Barnabé), Thomas Pappon e Miguel Barella (Voluntários da Pátria), Sandra Coutinho (Mercenárias) e Victor Leite (Ira! e Muzak).

Taciana Barros entrou logo após o lançamento do primeiro álbum, para substituir Alice Pink Pank. “Eu conheci o Júlio quanto tocava piano elétrico num conjunto de baile em Santos, com 16 para 17 anos, numa casa noturna chamada Heavy Metal. O Júlio comentou com o dono da casa que estava em apuros, porque a cantora-tecladista tinha saído bem no lançamento do primeiro disco e ele sugeriu meu nome", recorda.

No primeiro contato deles, Taciana estava sobre o palco, enquanto Júlio estava abaixo dela, gritando. "Foi muito louco. Ele era uma pessoa muito intensa, um grande artista, que lia o tempo todo e tinha uma puta cultura. Era um apaixonado pela vida”, lembra ela.

Taciana ainda assegura que fazer shows e gravar com a banda era sempre uma loucura. Tudo na base do inesperado, pois nunca se sabia quem apareceria para tocar.

Antes da new wave, um hippie e dono de um restaurante vegetariano 

Muito antes da Gang 90, em 1973, Júlio Barroso mudou-se com a então esposa e o filho Rá para Brasília, onde havia comprado umas terras para criar uma comunidade alternativa, pois acreditava estar ali o centro do universo e, por isso, um local bastante energizado.

Como não se adaptava a sistema algum, logo desiludiu-se com esse também. Porém, antes, escreveu para o jornal “Ordem do Universo”, que tratava de macrobiótica, yoga e misticismo, e manteve um dos primeiros restaurantes vegetarianos do país, chamado Coisas da Terra.

Para Brasília, Júlio havia levado também o irmão do jornalista Antonio Carlos Miguel, o qual havia conhecido em 1971.

“Num certo fim de tarde, num domingo, nos jardins do MAM, apareceu Júlio. Totalmente diferente de nossos padrões hippies, ele usava cabelo curto, óculos quase fundo de garrafa, roupas bem cortadas, meio o que hoje chamaríamos de nerd. Assim que chegou, ele se ofereceu para buscar um fumo no Morro da Mangueira, fez uma inteira entre a turma e, quase duas horas depois, quando já achávamos que tínhamos levado um banho, Júlio voltou e fumamos muitos baseados. Ele era uma enciclopédia musical ambulante e virou um amigo inseparável”, recorda Miguel, para quem, tempos depois, Júlio sugeriu a criação de um escritório com letreiro igual ao usado pelo Professor Pardal e a frase “Vende-se Ideias”.

Juntos, eles também criaram a revista “Música do Planeta Terra”, em 1975, que duraria apenas seis números e onde Júlio divulgaria a expressão “Música Prapular Brasileira” e lançaria o “Manifesto Gargalhada”, onde parecia antecipar a Gang 90 & As Absurdettes: “Música como uma postura de puro amor criativo, puro prazer, livre de diferenciações alienantes, pretensos engajamentos, revisionismos nacionalistas, falsas concepções de ‘raízes’.”.

“Novamente bancado pelo pai (pequeno industrial emergente numa impressora de silk-screen), cheio de ideias, começamos a bater na porta atrás de mais colaboradores. Caetano Veloso, Luiz Carlos Maciel, Jorge Mautner, Ronaldo Bastos, Waly e Jorge Salomão foram alguns dos então nossos ídolos que toparam ajudar, escrevendo sem cobrar", lembra Antonio Carlos Miguel.

Para o primeiro número, ele recorda, Júlio conseguiu um contrato de distribuição com a editora Abril. A revista teve boa vendagem, chegou a diversos cantos do Brasil. A falta de experiência e estrutura, apesar de melhorar o conteúdo, atrasou a entrega do segundo número e os planos de criar uma publicação mensal. Resultado: a revista teve vida curta.

Alguns textos publicados em “Música do Planeta Terra” estão presentes no livro póstumo A Vida Sexual do Selvagem (1991), organizado pela irmã Denise Barroso, e agora no plaquete (um livro com formato artesanal) “Wave – A nossa Onda de Amor Não Há Quem Corte”, organizado pela poeta Natalia Barros e que será lançado durante nos dias 23 e 24 de setembro, sábado e domingo, no Sesc Pompeia, juntamente com os shows que marcam o retorno do Gang 90 aos palcos depois de 30 anos, no Sesc Pompeia - mais informações no fim do texto.

Trajetória brutalmente interrompida – acidente ou suicídio?

Júlio Barroso foi encontrado morto em 6 de junho de 1984, após cair do 11º andar do apartamento onde vivia, localizado na rua Conselheiro Brotero, em Santa Cecília, no centro de São Paulo.

A Gang 90 tinha um show agendado na boate Val Improviso. No convite, Júlio mandava o recado: “Inflamo a voz e grito / Cauby / Rock e Funk e Samba / Gang 90 / e todos os seus sons perdidos na selva / da Babel que nós amamos”.

“Ele estava muito bem, alegre e esperançoso, cheio de músicas novas. Eu morava em Roma e fui almoçar com ele em São Paulo”, conta Nelson Motta.

“Havia um plano em curso de o Júlio sair do dia a dia da Gang 90, e do palco, e atuar mais como letrista, produtor e conceituador da banda. Essa decisão me parece que tinha muito a ver com ele se cuidar mais e sair da roda viva em que havia se metido. Os detalhes de sua morte variam muito, mas todos eles dão conta de que foi um acidente. Júlio estava bem do ponto de vista psicológico e tentou se agarrou na janela para tentar se salvar e não conseguiu”, lamenta Ricardo Alexandre. Porém, muitos jornais da época noticiaram como tendo sido um provável suicídio.

O marginal conservador

O fato é que quase 35 anos após a morte, Júlio Barroso continua sendo motivo de muitas saudades para os amigos e parceiros, que não se constrangem em rasgar elogios.

“Ele se definia como um marginal conservador. A Taciana dizia que era como ele se via, alguém que, ao mesmo tempo, corre em raias alternativas e é muito fiel ao fino trato. De alguma maneira, passa um pouco pelo ideário tropicalista, de ser ao mesmo tempo muito moderno e muito arcaico. Éramos um país muito isolado e o Júlio era quase um apóstolo da new wave ou do pós-punk, da cena noturna”, garante Ricardo Alexandre.

“Ele era uma pessoa arrebatadora, com inteligência muito acima da média, que adorava andar em grupo, trocar ideias, procurar novidades, experimentar de tudo: drogas, meditação, sexo. Incansável. Era um sujeito que sempre nos tirava do sério, de nosso cotidiano medíocre e deveres de escola ou profissionais. Apaixonado, apaixonante e igualmente irritante - a festa nunca acaba para ele”, conta Antonio Carlos Miguel.

“O Júlio era de uma intensidade contagiante. Com seus quase dois metros de elegância ímpar, centralizava os olhares onde quer que estivesse. Com alta voltagem de informação, misturava: Nova York, Jamaica, Japão, Alemanha, África, e sabia que o mundo é grande e que o Brasil está no centro da Terra em ebulição", escreve Natália Barros, em “Wave – A nossa onda de amor não há quem corte”.

O texto segue: "Quando os anos 80 ainda estavam começando, o que ele trazia com seus textos, poemas e canções, sobre beatnik, música, comportamento, contracultura, ecologia e etc., eram ainda artigos raros. Júlio entendeu como poucos a antropofagia anunciada por Oswald e pela Tropicália aonde a alegria é explícita prova dos nove, o desejo é motor e o tesão move montanhas. Júlio era pura mistura. Um carioca que transitava pela zona norte e zona sul, da mesma maneira que pelo samba, soul, jazz, rock, salsa, blues, reggae.”

Antonio Carlos Miguel completa: “Apesar da pequena produção, apenas dois álbuns (sendo o segundo da Gang lançado após a morte dele – ‘Rosas & Tigres’, de 1985), Júlio influenciou muita gente. Contemporâneos, como o hoje reacionário Lobão e ainda Blitz, Cazuza, Titãs, Ira!;  ou gente da geração 90, como Skank, Ed Motta (não pela música da Gang, mas pelos artigos) e Penélope”.

30 anos depois, a volta da Gang 90

Taciana Barros, integrante original do grupo, é a responsável por colocar o Gang 90 de volta à ativa. Ela assina a direção geral, junto com Paulo Lepetit, dos dois shows da volta da Gang 90, após uma ausência de 30 anos, intitulados “A Nossa Onda de Amor Não Há Quem Corte” (verso de outro sucesso da banda, “Telefone”) e que serão realizados neste sábado, 23, às 21h, e domingo, 24, às 18h, no Sesc Pompeia. Mais informações aqui.

Na banda, estão, além de Taciana e Paulo, Herman Torres, Beto Firmino, Tamima Brasil e Gilvan Gomes. Os shows terão as participações especiais de Bianca Jhordão, Edgard Scandurra, Elô Paixão, Felipe Catto, Jonas Dantas, Lúcio Maia e Rodrigo Carneiro.

“Esses shows se devem a uma vontade e necessidade de resgatar a memória do Júlio e mostrar para a nova geração a complexidade poética e a genialidade dele. Acho que o Brasil resgata muito pouco a sua própria memória”, garante Taciana.

“Eu acho bonito e necessário essa tentativa dos amigos e dos parceiros do Júlio de manterem o legado dele vivo. O Brasil é cheio de histórias abortadas – Chico Science, Mamonas Assassinas, Secos & Molhados e RPM. Mas o Júlio, diferentemente de muitos desses que eu citei, ainda não havia encontrado a sua forma perfeita, o seu auge artístico, e é de se perguntar como estaria a obra dele ali no final dos anos 80, onde todo o pop brasileiro começou a buscar a fusão de elementos musicais que ele já preconizava. Então é muito importante que a Gang se reúna para manter viva essa obra que tem tanto ainda a ser descoberto”, garante Ricardo Alexandre.

A história registrada em livro

Na ocasião dos shows de retorno do Gang 90 aos palcos, no Sesc Pompeia, também marca o lançamento do livro  “Wave – A nossa Onda de Amor Não Há Quem Corte”, organizado pela poeta Natalia Barros

A publicação contará com alguns textos publicados em na revista “Música do Planeta Terra”, além de poemas, textos e ilustrações inéditos de Júlio Barroso.

“O livro está muito legal. São coisas que eu guardei esse tempo todo, muitas inéditas. Tem trechos de poesia que viraram canções. Tem trechos de poesias que são eternas. Tem rabiscos dele. Está muito bem cuidado, denso e mostra bastante o universo poético dele, que é também a ideia do show”, comenta Taciana.

Entre os textos, está “Som”, que segue a seguir:

“Há aqueles que não pretendem que a música assimile novas formas, novas linguagens, que a querem amarrada a tabus reformistas. Mas a música e sua evolução incessante e inquebrantável é hoje a forma de expressão que melhor pode reabilitar todos os conteúdos estéticos das diversas etnias da Terra. A música é o folclore universal e não uma definição hermética de estruturas sonoras. A música é o som dos povos”.


*Guilherme Bryan é professor do Centro Universitário Belas Artes e autor dos livros Quem Tem um Sonho Não Dança - Cultura Jovem Brasileira dos Anos 80, e Teletema - Uma História da Música Popular pela Teledramaturgia (com Vincent Villari).