Kanye West se compara a Michael Jordan e Steve Jobs em entrevista

Sem modéstia, o rapper falou sobre Yeezus, família e carreira ao jornal The New York Times

Rolling Stone EUA Publicado em 12/06/2013, às 13h37 - Atualizado às 14h54

Kanye West
AP

Kanye West não se arrepende de nada. Em uma rara longa entrevista para o jornal The New York Times, o frequentemente controverso rapper falou sobre seu novo disco, Yeezus, se comparou a Michael Jordan e Steve Jobs, se mostrou frustrado por não ter recebido o reconhecimento que se acha digno de receber e apontou o momento exato em que soube que “seria um grande astro”.

E ele faria tudo outra vez: "Eu não tenho um arrependimento sequer”, disse ele.

Kanye estava se referindo especificamente ao famoso MTV Video Music Awards de 2009, quando ele interrompeu Taylor Swift no palco enquanto ela fazia um discurso de agradecimento, mas o conceito se aplica a toda a vida de West.

"Eu acho que Kanye West vai significar algo parecido com o que Steve Jobs significa", disse West. "Eu sou, sem dúvida, sabe, o Steve da internet, da moda, cultura. Ponto. De longe. Eu realmente acho isso porque Steve morreu, sabe, e é como quando Biggie morreu e Jay-Z teve a chance de se tornar Jay-Z".

“Eu estiva ligado aos discos mais importantes culturalmente dos últimos quatro anos, com os artistas mais influentes dos últimos dez anos”, continuou – uma tendência que ele pretende continuar com Yeezus. West trabalhou com Daft Punk, RZA, Chief Keef, Hudson Mohawke, Justin Vernon e Rick Rubin no álbum. O rapper contou que procurou Rubin por causa da estética minimalista do produtor, algo que ele almejava depois de fazer sons mais grandiosos e amplos nos discos anteriores.

"Eu ainda sou uma criança aprendendo sobre minimalismo e ele é um mestre nisso", disse West. "É uma benção de verdade poder trabalhar com ele. Eu quero dizer que depois de trabalhar com Rick, percebi a razão pela qual eu não tinha – apesar de ter produzido Watch the Throne; apesar de eu ter produzido My Beautiful Dark Twisted Fantasy – porque eu não tinha ganhado o [Grammy de] Disco do Ano ainda."

É algo que incomoda Kanye West, apesar de ele ter 21 prêmios Grammy na carreira, até agora. O rapper costuma sentir com frequência que está brigando simplesmente pelo que é justo, por ele e pelos artistas que virão depois dele. "Toda vez que fiz alguma coisa que atravessou a internet, foi uma luta pela justiça. Justiça. E quando você fala em justiça, não precisa ser guerra. Pode ser apenas abrir caminho para que as pessoas possam sonhar direito, para tornar justa a arena em que estou. Sabe, se Michael Jordan pode gritar com os juízes eu, Kanye West, como o Michael Jordan da música, posso dizer ‘isso é errado’.”

West disse que estava ansioso para que suas raízes de Chicago aparecessem em Yeezus. "Eu sabia que queria ter uma influência profunda de Chicago nesse disco”, contou. "Eu acho que até 'Black Skinhead' fica no limite do house; 'On Sight' soa como acid house e 'I Am a God', claro, soa, tipo, super house."

Ele ainda citou rapidamente a paternidade, que se aproxima, já que sua namorada Kim Kardashian está grávida – "Eu não quero falar para a América sobre minha família", ele disse. "É o meu bebê, não é o bebê da América".

"Eu sabia quando escrevi o verso 'amigo de pele mais clara que parece com Michael Jackson' que eu seria uma grande estrela”, ele disse se referindo à letra de sua música "Slow Jamz". “Na época, existiam as lojas da Virgin e eu ia lá, subia pela escada rolante e pensava comigo mesmo: 'Estou aproveitando esses últimos momentos de anonimato'. Eu sabia que iria longe assim, sabia que esse momento chegaria.”