Kátia Lund vai dirigir produção internacional

Codiretora de Cidade de Deus se mudará para Israel a fim de gravar adaptação do livro Dancing Arabs

Da redação Publicado em 21/05/2009, às 13h29

Kátia Lund, codiretora de Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, estará à frente de Dancing Arabs, adaptação do romance homônimo, com veia autobiográfica, de Sayed Kashua. O autor, que vai roteirizar a produção, teve como ponto de partida a experiência de crescer como cidadão árabe em Israel.

De acordo com o site da revista Empire, os planos de Lund incluem uma mudança temporária para Israel, em junho. O filme, ambientado na cidade de Jerusalém (sagrada para judeus, muçulmanos e cristãos), começa as gravações entre o fim de 2009 e o começo de 2010 e será falado em hebraico e árabe. Os papéis devem ficar com atores não-profissionais, ou sem grandes experiências na frente das câmeras, como foi o caso de Cidade de Deus.

O romance segue um narrador sem nome, que não tem muitas pistas a respeito da própria história - mas, em compensação, com toda a vontade do mundo em se encaixar na sociedade israelense, embora reconheça as limitações a ele impostas. Aceito em um internato hebraico, o protagonista percebe que pode se sair melhor assumindo a identidade de um amigo judeu, que vive confinado em casa.

Dancing Arabs é o primeiro livro de Kashua, escrito pelo autor aos 26 anos, em hebraico. Best-seller em Israel, o romance foi traduzido em sete línguas. Nascido em Tira, pequena cidade do país, Kashua tem como língua nativa o árabe. Aos 15 anos, ele saiu de casa para um internato hebraico e foi hostilizado por ser um dos poucos estudantes de origem árabe.

Kátia, ela própria dona de dupla cidadania (brasileira e estadunidense), se identificou com a história do cidadão árabe em conflito com sua posição em Israel. "Crescer bicultural no Brasil levantou questões sobre identidade, que não são apenas minhas, mas me levaram a ser cineasta. Dancing Arabs expõe as correntes e fraturas identitárias durante infância e adolescência, quando as fronteiras são incrivelmente confusas", afirmou à Empire.