Exclusivo: Led Zeppelin divulga versão de “Houses Of The Holy”, do relançamento de Physical Graffiti

Reedição do disco chega às lojas em 4 de fevereiro, data do 40º aniversário do álbum

Redação Publicado em 20/01/2015, às 17h09 - Atualizado às 17h38

O Led Zeppelin em 1969

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O próximo disco do Led Zeppelin a ser reeditado é Physical Graffiti, como foi revelado recentemente. Como é de praxe, também, uma das versões inéditas do álbum foi divulgada antes de o relançamento chegar às lojas. Trata-se da faixa “Houses of the Holy” com nova mixagem, liberada com exclusividade no site da Rolling Stone Brasil – ouça abaixo.

Physical Graffiti é um dos 10 maiores álbuns duplos de todos os tempos, segundo os leitores da Rolling Stone EUA.

Assim como os outros títulos, Physical Graffiti ganha reedição contendo um disco com a tracklist original e outro com as versões inéditas (diferentes mixagens, masterizações e até instrumentos). Quem coordenou todo o processo foi o guitarrista Jimmy Page, que foi o responsável por produzir os álbuns do Led Zeppelin.

Entrevista: Jimmy Page relembra o passado como cantor de coral e fala sobre músicas novas.

Em entrevista recente, ele comentou o trabalho nos relançamentos: “Os detalhes aparecem em nível inconsciente. Os efeitos não são esfregados na sua cara, estão aqui atrás [põe as mãos atrás da cabeça]. A profundidade e as camadas – aquilo foi intencional.”

Ouça “Houses of the Holy” com mixagem preliminar.

Physical Graffiti será relançado em 4 de fevereiro, dia do 40º aniversário do disco. Ele ganhará vida novamente em diversos formatos: além de um CD duplo, terá versão em vinil (também duplo) e uma versão de luxo com três discos (em CD e vinil), que acompanha um volume contendo sete canções inéditas.

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Haverá, também, uma caixa com a versão de luxo em CD e vinil, código para download, um pôster com a capa do álbum, além de um livro com 96 páginas de fotografias e memórias da banda.

O disco bônus inclui novas versões de canções como “In My Time of Dying” e “Boogie With Stu”. Os remixes são acompanhados por músicas que serviram de inspiração para clássicos do grupo. “Brandy & Coke”, se tornou “Trampled Under Foot”; “Driving Through Kashmir”, “Kashmir”; “Everybody Makes It Through”, foi parte importante da composição de “In the Light”.

Physical Graffiti

Physical Graffiti é considerado como um dos maiores álbuns duplos da história do rock, com 16 certificados de platina nos EUA. As 15 faixas originais representam um lado criativo que explora o repertório musical dos integrantes da banda.

Veja abaixo as faixas da edição:

Disco 1

1 – “Custard Pie”

2 – “The Rover”

3 – “In My Time of Dying”

4 – “Houses of the Holy”

5 – “Trampled Under Foot”

6 – “Kashmir”

Disco 2

1 – “In The Light”

2 – “Bron-Yr-Aur”

3 – “Down By The Seaside”

4 – “Ten Years Gone”

5 – “Night Flight”

6 – “The Wanton Song”

7 – “Boogie With Stu”

8 – “Black Country Woman”

9 – “Sick Again”

Disco 3

1 – “Brandy & Coke (“Trampled Under Foot” – com mixagem preliminar)

2 – “Sick Again” (versão preliminar)

3 – “In My Time of Dying” (mixagem preliminar)

4 – “Houses of the Holy” (mixagem preliminary e overdubs)

5 – “Everybody Makes It Through” (“In the Light” versão inacabada)

6 – “Boogie With Stu” (mixagem do Sunset Sound)

7 – “Driving Through Kashmir” (“Kashmir” mixagem preliminar com orquestra)

Jimmy Page fala sobre os relançamentos do Led Zeppelin

"Não pretendo revisitar os arquivos por um tempo daqui para a frente”, afirma Jimmy Page com um sorriso, na opulenta biblioteca de um hotel em Londres. Hoje com 70 anos, o ex-guitarrista do Led Zeppelin passou boa parte da última década em um frenesi retrospectivo: reunindo imagens para sua impressionante autobiografia fotográfica, chamada apenas Jimmy Page (sem previsão de lançamento no Brasil), e fazendo a curadoria das reedições de luxo dos históricos álbuns de estúdio da banda. Ainda que agora esteja resignado, Page não deixa de se referir à recusa do vocalista do Zeppelin, Robert Plant, em fazer uma turnê depois do show de reunião da banda em Londres, em 2007. “Como não teria mais nenhum show, pude me concentrar nessas ideias mais excêntricas”, ele afirma sobre o livro e os relançamentos.

Jimmy Page e Robert Plant falam sobre os relançamentos especiais e por que este realmente pode ser o fim do Led Zeppelin.

Você fez mais trabalho de divulgação para essas reedições do que fez durante toda a existência da banda. Fica cansado de falar sobre o passado com o Led Zeppelin?

A verdade é que criei isso. Em julho de 1968, fiz meu último show com o Yardbirds. No final daquele ano, o Led Zeppelin havia lançado um álbum e estávamos tocando nos Estados Unidos. Tinha um compromisso com isso. Compus material o tempo todo, moldando riffs de guitarra e o resto. Sendo o produtor, a pessoa que esteve no estúdio mais vezes do que os outros, eu tinha mais pontos de referência sobre o trabalho que foi feito. Tinha o conhecimento para fazer todas essas reedições. Não haveria outra pessoa para fazer isso.

Em seu livro, você menciona uma visita a uma mulher que lia mãos um dia antes de um show do Yardbirds em Los Angeles. O que ela disse?

Era ele, na verdade [risos], embora se parecesse mais com uma mulher. [O futuro empresário de turnê do Zeppelin] Richard Cole estava comigo, então tenho uma testemunha. A principal frase foi: “Você tomará uma decisão daqui a pouquíssimo tempo que mudará sua vida”. Em menos de 48 horas, os outros integrantes do Yardbirds disseram que não queriam continuar com a banda.

O livro começa com uma foto sua como cantor de coral aos 13 anos. Você realmente sabe cantar?

Agora não. Tenho uma dessas vozes mais ásperas e sem alcance algum, mas canto em discos do Led Zeppelin.No primeiro álbum, faço vocais de apoio. Em “Thank You” [de Led Zeppelin II], canto no verso. Não sou um bom cantor [dá um sorriso enorme]. É por isso que Robert entrou para a banda.

Edição 76 - Entrevista RS: Jimmy Page.

As mixagens alternativas nas reedições de Led Zeppelin IV e Houses of the Holy (lançadas em outubro) destacam detalhes cruciais dos álbuns originais. O sucesso do Led Zeppelin colocou em segundo plano o trabalho árduo nas gravações?

Os detalhes aparecem em nível inconsciente. Os efeitos não são esfregados na sua cara, estão aqui atrás [põe as mãos atrás da cabeça]. A profundidade e as camadas – aquilo foi intencional. O quarto álbum exigiu comprometimento. Estávamos morando em uma casa com um caminhão de gravação, comendo e dormindo música juntos. Podíamos levar tudo a extremos, como foi em “When the Levee Breaks”. É tão densa e sombria – não há uma cor para descrevê-la. Não é negra, é mais escura que isso [risos].

Ao dissolver a banda depois da morte de John Bonham, você perdeu uma chance de reconstruir o Led Zeppelin e seguir em frente, como fez o The Who depois de perder Keith Moon. Por que vocês simplesmente não deram uma pausa?

O Led Zeppelin não era uma entidade corporativa, era uma coisa do coração. Gosto de pensar que, se fosse eu quem tivesse morrido, os outros teriam tomado a mesma decisão. O que iríamos fazer? Criar um papel para alguém, dizer: “Você tem de fazer isso dessa forma?” Não seria honesto. Houve tentativas [na reunião] que não funcionaram, tentando juntar tudo na pressa. É por isso que o show de 2007 teve de ser feito com aquele objetivo, para que Jason [Bonham, filho de John] sentisse que era parte da banda, e não uma novidade.

Por dentro do variado novo disco solo de Robert Plant.

Você respondeu recentemente a uma pergunta sobre fazer músicas novas em carreira solo, dizendo: “Ano que vem”.

Realmente pretendo ser visto tocando. Tenho um plano. Não vou contar nada a ninguém [sorri]. Prefiro simplesmente pegar as pessoas pela jugular – quando eu estiver pronto.