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Lembre como foi o primeiro show do Stone Temple Pilots no Brasil, em 2010

Com Scott Weiland recém-envolvido em polêmica, banda tocou 18 músicas em cerca de 1h30 na Via Funchal, em São Paulo

redação Publicado em 04/12/2015, às 11h47 - Atualizado às 14h51

Stone Temple Pilots faz show tecnicamente correto, mas sem muita intensidade por parte dos integrantes

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Na manhã desta sexta-feira, 4, foi divulgada a notícia da morte do ex-vocalista das bandas Stone Temple Pilots e Velvet Revolver, Scott Weiland (saiba mais aqui). Abaixo, a Rolling Stone Brasil resgata a crítica do primeiro show do STP no Brasil, que aconteceu em dezembro de 2010, na Via Funchal, São Paulo.

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O primeiro show do Stone Temple Pilots no Brasil durou cerca de 1h30 e teve 18 canções no setlist, com um bis incluindo “Dead and Bloated” e “Trippin' On a Hole in a Paper Heart”. Depois de São Paulo, o grupo norte-americano ainda tocou no Rio de Janeiro, no Circo Voador, antes de encerrar a curta excursão pelo país.

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Em São Paulo, Stone Temple Pilots faz show correto, mas pouco intenso

Apesar de os integrantes não parecerem se divertir no palco, público vibrou ao som de músicas como “Plush”, “Big Empty” e “Sex Type Thing”

Por Bruna Veloso

A temporada de grandes shows em São Paulo em 2010 foi encerrada na noite desta quinta, 9, com a apresentação do Stone Temple Pilots. Mas, apesar de fechar um ano repleto de boas atrações e de ser tecnicamente correta e em alto volume, a primeira performance dos norte-americanos no país deixou a impressão de que os integrantes já não se divertem mais como antigamente.

Nome forte dos anos 90, regularmente - e de forma equivocada - ligado ao grunge, o STP sempre teve de lidar com polêmicas envolvendo seu vocalista, o esguio Scott Weiland. A última delas é bem recente: em setembro, a banda adiou diversas datas nos Estados Unidos, depois de um show em que Weiland falou sobre problemas pessoais (ele perdeu um irmão em 2007 e se separou da esposa recentemente) e declarou ter voltado a beber.

Em São Paulo, no entanto, Weiland falou pouco. Sua interação com o público foi limitada à apresentação dos nomes das músicas e alguns agradecimentos, depois de ter chegado com Dean DeLeo (guitarra), Robert DeLeo (baixo) e Eric Kretz (bateria) quase vinte minutos após as 22h, horário marcado para o início do show. No palco, apenas um pano de fundo vermelho, com desenhos do ilustrador Shepard Fairey, o mesmo que criou a capa do último disco do grupo (Stone Temple Pilots, lançado em maio).

Weiland continua elegante: de terno, gravata e óculos escuros, abriu o show com "Crackerman" e "Wicked Garden", ambas de Core (1992), o disco de estreia do grupo. Da discografia de seis álbuns, apenas Shangri-La Dee Da (2001) ficou fora do set list apresentado na noite, idêntico ao dos recentes shows no Chile e na Argentina. Foi este o disco que precedeu a separação da banda, em 2002. Depois de uma bem-sucedida empreitada de Weiland com o Velvet Revolver, os Stone Temple Pilots só se reuniram em 2008, dando a entender que as brigas entre Dean e Weiland (que já estiveram próximos de se atracar nos palcos) estavam encerradas.

Mas, ao que parece, não estão. Hoje, a banda fica em camarins separados e os integrantes mal interagem entre si. Weiland, que geralmente fala ao público, não joga conversa fora; e, se aproximando de Dean em alguns momentos, não aparenta verdadeiramente estar disposto a muito contato. Mesmo assim, isoladamente, todos os integrantes estão bem: Dean tem um estilo único de tocar guitarra, como prova no solo de "Hickory Dichotomy" e nos riffs de "Sex Type Thing" (além de manter a pose de rockstar, Dean também mostra alguma simpatia, como quando aponta para um alguém na plateia, indicando que depois se aproximaria do/da fã em questão); Eric não perde o fôlego em nenhum momento sentado à bateria, e Robert permanece apaixonado por seu baixo. Enquanto isso, Weiland segue dançando de forma carismática, ainda que menos intensa e entusiasmada que de costume.

De qualquer forma, o numeroso público presente na Via Funchal pôde ouvir ao vivo versões concisas de grandes músicas, como "Vasoline", "Interstate Love Song" e "Down" - muitos de olhos fechados, como se viajassem no tempo ao som daqueles hits da década de 90. "Between the Lines" foi a melhor das quatro músicas retiradas do álbum Stone Temple Pilots. "Still Remains" foi especialmente apreciada pelo público próximo ao palco, mas nada comparável à comoção durante a emblemática "Big Empty" e no mega-hit "Plush". Depois desta, Weiland chegou a parecer mais animado, enquanto aproveitava momentos longe do microfone para tomar goles de água e de uma outra bebida à frente da bateria.

O bis veio com "Dead & Bloated", com Weiland ao megafone (assim como no início do show) e "Trippin' On a Hole in a Paper Heart", a única do disco Tiny Music... Songs from the Vatican Gift Shop. Depois de 90 minutos, o degrau em que Weiland permanece em boa parte do show, próximo ao público, foi ocupado pelos quatro integrantes que, abraçados, agradeceram, levando a mão ao coração. Mesmo que os elos como banda já não sejam mais tão fortes, eles sabem da intensidade com que muitos experimentaram as músicas do grupo. Resta torcer para que após uma pausa nesta turnê o quarteto ainda consiga entrar em estúdio para a gravação de um novo disco, em 2011, como Eric afirmou recentemente.

O Stone Temple Pilots ainda faz show no Circo Voador, no Rio de Janeiro, neste sábado, 11.

Abaixo, veja o set list da apresentação em São Paulo:

1- "Crackerman"

2- "Wicked Garden"

3- "Vasoline"

4- "Heaven & Hot Rods"

5- "Between the Lines"

6- "Hickory Dichotomy"

7- "Still Remains"

8- "Cinnamon"

9- "Big Empty"

10- "Dancing Days" (cover do Led Zeppelin)

11- "Silvergun Superman"

12- "Plush"

13- "Interstate Love Song"

14- "Huckleberry Crumble"

15- "Down"

16- "Sex Type Thing"

Bis

17- "Dead & Bloated"

18- "Trippin' On a Hole in a Paper Heart"