Lemmy, líder do Motörhead, morre aos 70 anos de idade

Vocalista e baixista havia acabado de descobrir um “câncer extremamente agressivo”, segundo comunicado

Redação Publicado em 28/12/2015, às 23h27 - Atualizado em 29/12/2015, às 06h37

Lemmy no palco, onde sempre se sente bem.
JOEL RYAN/INVISION/AP

O vocalista, baixista e líder do Motörhead Lemmy Kilmister morreu nesta segunda, 28, aos 70 anos idade. A informação foi divulgada por meio de um comunicado publicado na página oficial da banda no Facebook.

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“Não há um jeito fácil de dizer isso”, escreveram os integrantes do Motörhead. “Nosso valente e nobre amigo Lemmy morreu hoje depois de uma curta batalha contra um câncer extremamente agressivo. Ele ficou sabendo da doença em 26 de dezembro, e estava em casa, sentando em frente ao vídeo game favorito dele.”

O trio, atualmente formado pelo guitarrista Phil Campbell e pelo baterista Mikkey Dee, ainda acrescentou que “não é possível começar a expressar nosso choque e tristeza, não há palavras”. “Falaremos mais nos próximos dias, mas, por enquanto, por favor... toquem Motörhead alto, toquem [a outra banda de Lemmy] Hawkwind alto, toquem a música de Lemmy alto.”

Recentemente, Lemmy disse que trocou uísque por vodca para "preservar a saúde".

Eles continuaram o emocionado comunicado pedindo para os fãs e admiradores tomarem “uma bebida ou duas”, compartilharem “histórias” e celebrarem “a vida que esta amável e maravilhosa pessoa celebrou tão vibrantemente”. “Ele gostaria exatamente disso”, encerraram os integrantes remanescentes, em letras garrafais, citando o nome do amigo e a frase “Nasceu para perder, viveu para ganhar.”

There is no easy way to say this…our mighty, noble friend Lemmy passed away today after a short battle with an extremely...

Posted by Official Motörhead on Monday, 28 December 2015

Vida e carreira de Lemmy

Por Paulo Cavalcanti

No dia 24 de dezembro de 1945, na véspera do primeiro Natal na Inglaterra depois do fim da Segunda Guerra, nasceu Ian Fraser Kilmister. O garoto que veio ao mundo na cidade de Stoke-on-Trent logo virou um fanático pelo rock and roll. Quando adolescente, Ian ganhou o apelido “Lemmy” e ninguém nunca mais o chamou pelo nome de batismo. E também ninguém precisou chamá-lo mais pelo sobrenome – afinal, até hoje, “Lemmy” era “Lemmy’ e ponto.

Segundo alguns, o famoso apelido veio da expressão “lemmy” (lend me, ou “empreste-me”). Na época do colegial, o jovem se tornou viciado em máquinas caça-níquel e vivia pedindo moedas emprestadas para os amigos.

Na década de 1960, o jovem Lemmy, que logo se tornou um fanático pelos Beatles, tocou guitarra em bandas obscuras como The Rainmakers, The Motown Sect e Rockin’ Vickers. Depois de dividir um apartamento com Noel Redding, baixista de Jimi Hendrix, Lemmy trabalhar como roadie do gênio da guitarra. Anos depois, falou que aquele foi um período durante o qual aprendeu muito.

Em seguida, fez parte do Sam Gopal, banda que gravou um álbum, mas não fez sucesso. Lemmy finalmente entrou para a linha de frente do mundo do rock em 1972, quando se juntou ao Hawkwind, banda que misturava psicodelia e rock progressivo e que, na época, despontava fazendo canções com referências ao espaço. Lemmy, que agora tocava baixo, ficou com eles até 1975, quando foi preso portando drogas na fronteira dos Estados Unidos com o Canadá e, consequentemente, acabou expulso.

Mas ele não se importou nem um pouco, já que queria mesmo ser dono do próprio nariz e ter sua banda. Assim, no mesmo ano, fundou o Motörhead, usando o título de uma canção que tinha escrito para o Hawkwind para batizar a nova empreitada. O resto é história.

De 40 anos para cá, a presença de Lemmy foi vital na transformação e na evolução do rock pesado, juntando a pegada do punk com a velocidade e peso do hard da década de 1970. Ace of Spades, Bomber, Overkill e outros trabalhos do Motörhead já são álbuns clássicos.

Com sua voz grave, chapéu de caubói e o bigode se unindo às costeletas proeminentes, Lemmy foi uma figura inconfundível. Apesar da aparência às vezes intimidadora e de abusar do estilo de vida roqueiro, ele foi considerado um dos caras mais boa-praça do rock e sempre atendeu aos fãs e admiradores. O já cultuado documentário Lemmy (2010) jogou luz sobre várias facetas dele.

O músico chegou aos 70 anos com alguns problemas de saúde causados pelo uso excessivo de álcool e drogas. Porém, ele seguia como o cara mais rock and roll do planeta. E não tinha intenção de se aposentar – recentemente, lançou com o Motörhead o bem-recebido Bad Magic.