Leo Cavalcanti se despede de seu álbum e do Brasil para iniciar novo trabalho

Músico paulistano relança Religar em vinil enquanto se prepara para temporada na Europa

Lucas Reginato Publicado em 28/10/2012, às 15h34

Leo Cavalcanti
Divulgação

Durante todo o ano de 2010, Leo Cavalcanti se dedicou a Religar, seu primeiro álbum, que produziu ao lado de Décio 7 e Cris Scabello. Tumultuados dois anos depois, ele lança o vinil do trabalho e se prepara para se despedir e dar início a um novo projeto, que deve começar a gravar no início de 2013.

O período de transição, ele planeja, será acompanhado de uma longa viagem para a Europa, para onde irá junto a um coletivo de artistas. “Ano que vem vou fazer uma residência artística na Alemanha, para fazer pesquisas, estudos, experiências. Vou ficar uns três meses”, conta. Embora o programa aparentemente seja aguardado com ansiedade, ele admite que demorou alguns meses para decidir. “Estava com medo de que isto interrompesse meu trabalho aqui no Brasil, mas acho que vai ser uma continuidade. Não vou para outro planeta.”

É na Alemanha, por exemplo, que Leo Cavalcanti pretende começar a gravar seu novo álbum. Músicas, ele garante, não faltam. “Já tenho muitas, material para mais de dois trabalhos.” Algumas das faixas são parcerias com gente como Filipe Catto e Hyldon, mas compor tem sempre para ele um sentido íntimo. “Trata-se de elucidar questões internas minhas. Componho quando estou em crise, e as crises para mim são constantes”, afirma.

Além de parceiros, diversas outras fontes de inspiração parecem entrar no processo criativo de Cavalcanti, e Religar deixa isto muito claro, com referências tão diferentes quanto o cinema de Glauber Rocha e a música oriental. “Acho que isto é uma característica da minha geração, eu não penso em gêneros, mas naquilo que a música pede. É cosmopolita, e isso é inevitável.” E resume: “O Religar é um disco da era digital.”

Não foi fácil, ele revela, criar um trabalho tão colorido. “Foi um alívio quando aquilo ficou pronto e tomou vida própria”, lembra. Foram nove meses apenas de gravação em que afirma ter passado por diversas dificuldades até que o resultado ficasse pronto. “Sempre brinco que o disco é um processo ‘tridestilado’: ele começou a surgir em um estúdio caseiro, onde fiz base e maioria dos arranjos, aí eu quis fazer o show disso, quando entramos em uma segunda etapa de passar essa concepção para a banda, que absorveu essa ideia e acrescentou outros elementos. A terceira parte é quando fomos gravar o disco, voltamos para o estúdio em um aspecto mais digital, de edição, de programação, etc.”

O disco pronto, no entanto, não o livrou dos problemas. “Depois que eu lancei o Religar, tive problemas emocionais e de saúde que me afastaram um pouco”, revela. “O LP de certa forma também marca um retorno.” Para ele, o vinil é também “uma edição comemorativa de um ciclo que está aos poucos terminando”. Algumas mudanças tiveram que ser feitas para que o álbum fosse feito em no formato. “Religar é um disco prolixo, e esta versão ficou mais ‘papo reto’.” Leo Cavalcanti foi obrigado a cortar da versão original três faixas – uma delas ele afirma que “por sorteio”.

O relançamento contou inclusive com show no Auditório Ibirapuera e participações do ídolo Arnaldo Antunes e do parceiro Tatá Aeroplano. A despedida mais teve clima de celebração que de tristeza com uma apresentação enérgica e envolvente. Findo o Religar, resta ao público aguardar o próximo resultado da criatividade faminta e inquieta de Leo Cavalcanti.