Linkin Park não arrisca e acerta em São Paulo

Banda fez apresentação conservadora e misturou hits com músicas de seu novo álbum, Living Things

Lucas Reginato Publicado em 08/10/2012, às 02h19 - Atualizado às 14h16

Linkin Park encontrou um público devoto, mas exigente, e decidiu fazer apresentação contida que agradou os fãs

Ver Galeria
(4 imagens)

Atualizado às 11:35

O cenário estava pronto. Na verdade todo o equipamento e palco estavam impecavelmente montados para a apresentação do Linkin Park. Quem testou, provou e deu testemunho sobre o fato foi o Charlie Brown Jr, escolha ideal para abrir o show dos norte-americanos, que inclusive agradeceu a estrutura grandiosa oferecida pela produção do evento.

Mesmo que estivessem no papel de coadjuvantes na noite, Chorão e seus companheiros encontraram no público grande entusiasmo e até mesmo alguns fãs fervorosos, que dançaram e aproveitaram bem o tempo que antecedeu a entrada dos protagonistas ao palco da Arena Anhembi, em São Paulo, neste domingo, 7. Uma multidão aguardou obedientemente até que entrassem em cena pontualmente às 21h Mike Shinoda, Chester Bennington e os outros membros da banda, que voltou ao país quase dois anos após a participação em edição do SWU.

“Não vire as costas para mim, não serei ignorado”, foi o primeiro refrão cantado por Chester na noite. Os versos de “Faint”, em seu sentido literal, não faziam o menor sentido diante de uma multidão hipnotizada que estava ali exclusivamente para celebrar a banda que há tantos anos já habita as rádios brasileiras. Mas o jogo não estava ganho, porque o público parecia exigente e tinha saído de casa para ver se concretizar no palco aquela força sonora já conhecida pelos fãs.

A estratégia adotada pela banda foi a mais conservadora possível. A dupla de talentosos vocalistas dá ao espetáculo um balanço interessante, principalmente porque ambos sabem se movimentar no palco. Mas a relação com o público foi fria na maior parte da apresentação, e Chester personalizou tal postura durante a noite. Vestido com uma camisa de manga longa que escondia suas muitas tatuagens, o vocalista não deu passo em falso – fez cada refrão com cautela e não se aventurou com movimentos mais ousados - apenas quando absolutamente necessário. Experiente, errou quase nada e conseguiu se conectar aos fãs justamente quando brilhou sozinho, em canções mais sentimentais e suaves como “Leave Out All the Rest”, que derrubou algumas lágrimas da plateia.

O Linkin Park, mesmo que tenha lançado novo álbum, Living Things, em junho deste ano, não mostrou muitas canções deste trabalho. As poucas abordadas, espalhadas por entre os hits de outros CDs como Meteora (2003), mostraram a variação pela qual o grupo passou nos anos mais recentes. A proposta estética do futurismo cosmopolita alinhado a um ar melancólico e obscuro diante da sociedade pós-moderna não sofreu alterações, ideologicamente. Mas faixas como “In My Remains” mostraram um coletivo menos dependente de seus personagens centrais e mais harmoniosamente melódico. Por outro lado, “Burn It Down”, a mais conhecida faixa do novo álbum, pode até ter sido celebrada em seus primeiros acordes, quando começou a soar no bis da banda, mas ficou esquecida assim que a introdução de “In the End” deu as caras. Esta foi a penúltima canção da noite e, sem dúvida, a mais inesquecível delas. Mike se dispôs a se aventurar pelo público e se jogou timidamente diante daqueles mais próximos ao palco. O refrão, que enquanto isso foi cantado por seu parceiro, teve grande resposta e foi cantada animadamente.

Mike voltou correndo para o palco a tempo de, ofegante, interpretar os primeiros versos de “Bleed it Out", faixa de 2007 escolhida para encerrar a noite com direito a efeitos pirotécnicos. O Linkin Park escolheu fazer o garantido, sem arriscar improvisações ou tentar dar alguma intensidade presencial além da força que suas canções já têm junto ao público. A decisão, como não podia deixar de ser, foi comemorada pelos milhares de fãs que lembraram os hits e presenciaram a alquimia sonora que há mais de dez anos é a bandeira erguida pela banda.