Lollapalooza 2018: Spoon confessa vontade de ser headliner do festival

Banda fez cover de música de David Bowie ao lado do The National, no Rio de Janeiro, por sugestão da Rolling Stone Brasil

Ana Luiza Ponciano Publicado em 23/03/2018, às 15h06 - Atualizado em 24/03/2018, às 17h34

Spoon
Zackery Michael/Divulgação

O Spoon chegou ao Brasil em uma nova e mais calma etapa da carreira. A banda está em um momento leve, após 24 anos na estrada. Finalmente pode-se dizer que o grupo encontra-se em um patamar confortável. O Spoon lançou recentemente o dançante disco Hot Thoughts e tem na agenda diversos festivais pelo mundo, incluindo o Lollapalooza Brasil, no qual se apresenta nesta sexta, 23. Nesta semana, via plataforma de crowdfunding Queremos!, também fechou uma data ao lado do The National no Circo Voador, no Rio de Janeiro. Na capital fluminense, o vocalista Britt Daniel e o baixista Rob Pope se sentaram para conversar com a Rolling Stone Brasil sobre este momento.

A primeira pergunta da entrevista, na verdade, foi de Daniel: "Como devemos nos cumprimentar? Com beijo ou sem beijo? Quantos beijos? No Texas é só um abraço". O vocalista ficou intrigado ao saber que em São Paulo damos só um beijo e no Rio dois beijos, mas isso apenas quando se trata de mulheres. "Homens não se beijam, certo? Então isso só acontece quando tem uma garota envolvida?". Daniel levou o papo todo, até o fim, dessa forma: mais interessado em saber sobre o Brasil. Ao ponto de pedir dicas de como deveriam ser as apresentações no país para que agradassem.

"O que você sugere que nós façamos de diferente?", quis saber Daniel.

"Talvez vocês possam fazer uma cover. Talvez Bowie?"

"Nós sabemos tocar 'Ashes to Ashes'. Talvez a gente consiga tocar essa música. Talvez eu faça a voz mais aguda", sugeriu ele à reportagem.

"E isso de fato aconteceu. Pela primeira vez em suas carreiras de 20 anos, o Spoon e o The National se juntaram e homenagearam David Bowie com "Ashes do Ashes", frente ao público carioca que mostrou a força da plateia brasileira.

De volta à Hot Thoughts, o vocalista enfatizou que "não foi um álbum difícil de fazer". "No fim da contas, eu gostei desse processo mais do que de qualquer outro." Duas grandes influências do álbum foram Bowie e Prince, que morreram justamente durante a gravação. "Você começa a ouvir o trabalho deles excessivamente e vai percebendo nuances que não havia percebido antes", explica Pope.

Questionados sobre o que falta acontecer na carreira deles, depois desses mais de 20 anos, Daniel enfatizou: "Ser headliner do Lollapalooza na América do Sul. E acho que isso está para acontecer em dois anos mais ou menos", estima Daniel. "E eu quero fazer um disco clássico, esse desejo nunca vai embora", acrescenta. "Um disco do qual as pessoas estarão falando daqui 30 anos", conclui Pope.