Lollapalooza 2019: Sam Smith faz show impecável e estrondoso

O artista encerrou a programação no palco secundário do primeiro dia de festival

Yolanda Reis Publicado em 05/04/2019, às 21h00

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Sam Smith no palco Onix do Lollapalooza 2019 (Foto: Camila Cara)

Sam Smith já ganhou quatro Grammys,  três Brit Awards, um Globo de Ouro e um Oscar. Com apenas dois álbuns, todo esse seu sucesso meteórico e perfeccionismo refletiram na apresentação deste sábado, 5, no Lollapalooza 2019.

Mesmo antes do show, o público já previa o estrondo. Por muitos e muitos metros à frente do palco, a galera se aglomerou para esperar o show.

Sam Smith foi o último artista a se apresentar no Onix, palco secundário do festival.

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No meio do furacão, por tocar logo depois dos Tribalistas, e ter  St. Vincent no palco ao lado, toda a galera que não cravou pé em frente do palco principal se acumulou para garantir uma boa vista de Artic Monkeys. Meia hora antes do início, já era impossível andar por aí ou conseguir um lugar por perto.

Seguindo a linha de Troye Sivan, Smith apostou no romantismo e na celebração da comunidade LGBTQ+ e mandou o recado: "amor é amor". Recentemente, o cantor assumiu-se como não-binario, ou seja, não se considera nem homem nem mulher.

Mas enquanto o cantor de Bloom deixou o público apaixonado e sonhador, Sam fez todo mundo gritar e cantar com a alma e mostrou que é profissional em uma apresentação equilibrada e cheia de detalhes - danças, solos, silêncios - equilibrados e harmoniosos.

Abrindo com sucessos como "Dancing With a Stranger" e "I'm Not The Only One", o cantor garantiu a atenção e a animação do pessoal, que refrescado pela noite, encontrou nova energia para dançar muito em um dos últimos shows da noite.

Seu pop bem chiclete mostrou resultado. O público inteiro cantou junto com ele as 19 músicas do setlist - mesmo que as vezes só os refrões, já conhecidos por quase todo mundo. Smith ficou emocionado com a demonstração de carinho, e pediu para que os fãs cantassem alto com ele durante todo o tempo.

Do início ao fim, o cantor mostrou grande capacidade vocal. Indo dos graves aos agudos sutilmente, não vacilou uma só vez. E é bem no esquema "what you see is what you get": a voz ao vivo não tem diferenças das gravações (diria que é até um pouco melhor no show).

Além de carinhoso, mostrou-se extremamente simpático. Vê-lo falar é como conversar com aquele seu amigo que sempre está de bem com a vida, com um sorriso no rosto e pronto para te dar um abraço. Ele também agradeceu pela hospitalidade que recebeu no Brasil em ambas visitas - o músico tocou no Lolla 2015.

Um dos pontos altos veio lá no finalzinho do show, com "Promises", cover de Calvin Harris e Sam Smith. Após uma breve pausa, o astro voltou ao palco vestido em uma bata transparente cheia de glitter e arrancou minutos ininterruptos de gritos e aplausos da plateia.

Sam Smith mostrou, além da ótima música, uma apresentação visual deliciosa, e resplandeceu muito além de sua roupa brilhante. As luzes coloridas encheram os olhos da plateia, e combinou com as dezenas de luzinhas que iluminam a noite do festival nas cabanas de alimentos, roda-gigante e letreiros. Andando pra lá e para cá e conversando com o público, o cantor fez coreografias com a banda e agitou a plateia, proporcionando um espetáculo inesquecível para quem assistiu.